Quem é essa que vejo no espelho? O Tempo e o Vento

Eu achava um absurdo que as atrizes fossem substituídas nos filmes por outra que faria a parte da personagem mais velha. Acreditava que deviam envelhecê-las com maquiagem, pois não fazia sentido simplesmente trocar de pessoa. 

Hoje, aos 43 anos, quando olho as minhas fotos, percebo que pareço ter sido trocada e não envelhecida. E não é que os filmes estavam certos? 



A sensação é estranha, porque quando me olho no espelho, ainda sou eu. Na minha mente, jovem apesar de madura e sem paciência para algumas coisas, continuo sendo eu. Mas as fotos mostram uma feição totalmente modificada. Se coloco uma fotografia atual ao lado de uma de 15 anos atrás (o que nem faz tanto tempo assim), não parece ser a mesma pessoa. 

Algumas amigas têm uma leveza para lidar com isso. Outras, como eu, nem tanto. Talvez seja uma questão de nos acostumarmos, disse uma. Não só isso, acho. É também de aceitarmos a inconstância de tudo na vida - afinal, a única constância que se tem é mudar.

De repente, essa mudança aparece estampada em nosso rosto, como um recado que nos manda desapegar: tanto do que não queremos mais (essa parte é mais óbvia) como do que queríamos que nunca se transformasse, mas invariavelmente irá. 

Ambos os desapegos são desafiadores, não subestime a necessidade de segurança do ser humano - e nada é mais seguro do que o que já conhecemos, mesmo quando já não é tão confortável. Mesmo quando, se olharmos bem de perto, já não é mais tão conhecido assim.  

 “Meia idade”, é o que dizem. Momento da vida em que temos como que uma permissão para nos libertarmos. O contraditório é que queremos de fato essa liberdade, mas ao mesmo tempo teimamos em não desapegar do passado - e essa equação não fecha.  

Desculpa se você esperava encontrar uma resposta ao final deste texto: dicas do que fazer agora, de como mudar o olhar sobre si mesma em meio a tantas mudanças. Não acho que essa resposta esteja fora, mas dentro da gente. Só não sei onde… ainda.    

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