Comunicação e Cultura em Brasília: das dificuldades à construção de uma nova identidade

A comunicação oral está diretamente ligada à cultura de um povo. Em Brasília, isso não é diferente. Para entender como a cultura brasiliense tem sido construída, é preciso lembrar que a cidade vem recebendo pessoas de todas as partes do País desde a sua fundação.


Essa mistura de histórias, tradições e costumes enriquece uma nova cultura em consolidação - uma miscigenação social difícil de encontrar em outra localidade. São vários os sotaques, as expressões e gírias regionais, que, por um lado, engrandecem a comunicação oral da cidade, mas, por outro, podem dificultar a comunicação entre pessoas de regiões distintas.

O preconceito linguístico também é evidenciado nesse contexto. Não é raro encontrar pessoas achando-se superiores aos outros pela forma de falar, muitas vezes ignorando que o objetivo da comunicação é transmitir uma mensagem, indiferente da forma como ela é expressada.

Brasília está aprendendo a conviver e a respeitar essas diferenças, com a incorporação em seu vocabulário regional de palavras das mais diversas origens.

Mesmo com esses avanços, o brasiliense ainda é rotulado como pouco comunicativo. A própria estrutura da cidade dificulta as interações humanas e contribui para a imagem de frieza das pessoas. A Capital e seu povo são jovens e, portanto, encontrar dificuldades de diálogo é natural.

A comunicação colabora para a transposição dessas barreiras e influencia na criação de uma identidade sociocultural. Um exemplo disso é o surgimento de expressões e gírias características da cidade como “véi”, “aff”, “camelo”, “oreia seca” - termos usados tipicamente por brasilienses, sendo eles natos ou não.
Brasília é uma cidade única, formada pela coexistência de diversas unidades culturais.  A comunicação é uma das manifestações dessa identidade em formação, que se evidencia no dia-a-dia dos habitantes que se declaram cada vez mais apaixonados por suas formas irregulares e suas belezas que ainda florescem.

E viva a diversidade!

Esse texto foi elaborado em novembro de 2016 pelo meu grupo de trabalho no curso OFITE - Oficina de Produção de Textos. BB, Gepes Brasília.