Peeling de cristal em casa: fácil e ótimos resultados

Peeling de cristal em casa: fácil e ótimos resultados
Pele mais lisa e suave? No vídeo a seguir você confere uma opção rápida, prática e super em conta para melhorar a textura da pele, reduzir a aparência de linhas finas de expressão e dos poros. 

Muitas pessoas dizem que não preciso desses produtos porque tenho essa pele. Mas a verdade é que tenho essa pele porque uso esses produtos. ;)

Na gravidez da minha filha, tive um problema seriíssimo de acne. Vocês só acreditarão quando virem as fotos - estão no vídeo! Porque olhando minha pele hoje, ninguém diz que meu rosto estava daquele jeito há apenas alguns anos.




Ah! E eu vendo, viu? Se você é de Brasília, é só deixar seu contato nos comentários. ;)

O que mais dizem sobre o Kit de Microdermoabrasão da Mary Kay:

Proporciona resultados imediatos no combate às linhas finas de expressão, limpando os poros e deixando a pele mais lisa e suave, em apenas dois passos:

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*amacia e ajuda no processo de restaurar o equilíbrio da pele;
prepara a pele para os próximos passos da sua rotina de cuidados com a pele.


Após usar o Kit TimeWise® Microdermoabrasão por apenas uma semana*:
85% - perceberam uma melhora na textura da pele
73% - perceberam uma redução das linhas finas de expressão
71% - perceberam poros menos aparentes

Bolsa Família: 10 motivos para mudar sua opinião

Época de eleição, crítica pra lá, crítica pra cá... E, muito frequentemente, vem à tona a crítica ao Programa Bolsa Família - baseada naquele discurso que todos nós já ouvimos de que se trata de bolsa-esmola, de compra de voto, de sustentar vagabundo que não quer trabalhar (o que não é justo já que eu trabalho pra caramba). 
Eu realmente não conseguia entender como alguém podia criticar um programa social como o Bolsa Família, até que percebi o real motivo: as pessoas desconhecem o programa. Cheguei a essa conclusão quando alguém compartilhou o vídeo abaixo para provar como o ex-presidente Lula era incoerente em seu discurso, pois defenderia em 2009 algo que criticava em 2000. 
Eu, que tenho a cabeça aberta e não me cego para as informações, venham elas de que lado for, assisti o vídeo. E eis que não só achei o discurso muito coerente como entendi a origem da crítica. Assistam comigo: 


Percebam que num primeiro momento, em 2009, Lula discursa sobre as pessoas que criticam o Bolsa Família como sendo esmola, demagogia e estratégia para deixar as pessoas preguiçosas. Na segunda parte, Lula, em 2000, reflete sobre o voto no Brasil. Ele fala que com um alto grau de empobrecimento, a pessoa é conduzida a pensar com o estômago e não com a cabeça. E é por isso que se distribui tanta cesta básica, tanto leite, porque isso serve como moeda de troca. (...) Você tem como lógica manter a política de dominação que é secular no Brasil.

Bingo! As pessoas criticam o Bolsa Família porque acham que ele é um programa similar à entrega de cestas básicas, que, realmente, é puro assistencialismo e não têm um resultado sustentável na vida de ninguém. Eu teria de concordar com elas. Só que...

... o Bolsa Família não é isso!

Essa frase não condiz com o Bolsa Família,
você entenderá mais adiante porquê.


E o que é o Bolsa Família então? Eu, que acompanho o tema há muito tempo por ser uma pessoa engajada em questões sociais, já teria muita argumentação para explicar porque não há nada de incoerência no vídeo acima. Mas não queria depender da minha credibilidade, até porque minha fala vem imersa em um viés ideológico que muitas vezes pode colocar essa credibilidade em jogo, se a pessoa não tiver a mesma visão de mundo que eu.

Então, como adoro estudar mesmo, tive o trabalho de ler dezenas de pesquisas acadêmicas sobre o Bolsa Família - sim, conduzidas com o rigor da metodologia científica e blablabla, até porque são esses os dados que são válidos e não números que se espalham em época de campanha eleitoral.

Convido-os a lerem os dados a seguir com o coração aberto e, ao final, concluírem por si mesmos se Bolsa Família realmente reforça a pobreza em nosso País.

Ressalto que esse não é um post de cunho político-partidário. Não estou aqui defendendo a Dilma, até porque Aécio Neves já prometeu que ampliará o Bolsa Família. O objetivo é mesmo a reflexão: será que nossas críticas são realmente fundadas? Então venham comigo discutir cada uma delas.

Mesmo sendo um pequeno resumo de mais de 500 páginas de estudo, sei que ainda haverá pessoas com preguiça de ler tudo. Portanto, apresento primeiramente um "resumo do resumo":

As crianças estão tendo resultados melhores na escola, estão vacinadas, mais nutridas, a mortalidade infantil reduziu, o número de internação hospitalar de crianças pequenas reduziu, os jovens estão entrando mais na educação técnica e universitária, as grávidas estão fazendo pré-natal, há melhoria na economia das regiões mais pobres do País, o índice de natalidade diminuiu, as pessoas em geral não deixam de trabalhar porque recebem o Bolsa Família e é um programa barato para os cofres públicos (menos de 0,5% do PIB). De forma geral, há uma mudança de mentalidade das pessoas beneficiadas, que passam a ter mais autonomia e a valorizar questões relativas à educação e à prevenção da saúde. Isso quer dizer mudança cultural, que quer dizer sustentabilidade, que quer dizer redução da ignorância, que quer dizer resultados efetivos a longo prazo

Lendo isso, você realmente acha que eles estão apenas "dando pão"? Realmente acha que não é um dinheiro muito bem investido?

Então vamos adiante...



1. As pessoas param de trabalhar porque recebem o Bolsa Família. Ou seja, o Bolsa Família sustenta vagabundo. 

Para falarmos sobre isso, é importante primeiro sabermos quanto uma família recebe. Você sabe?
Cada família recebe em média R$ 152,00. O valor mínimo pago é de R$ 77,00. E, pensando numa família que por acaso tenha direito a todos os benefícios variáveis, vemos que o valor máximo seria de R$ 336,00.  

A primeira pergunta é: você largaria um emprego em que você ganha um salário mínimo (que hoje é de R$ 724,00) para ganhar uma bolsa de R$ 152,00? Really? Mesmo que fosse o valor máximo de R$ 336,00? Já parou para pensar como se vive com R$ 336,00 por mês? Porque na minha casa (que sou apenas eu e uma criança de 7 anos), gastamos muito mais do que isso apenas com despesa de supermercado.


Os valores, para vocês conhecerem:

  • Benefício Básico: R$ 77 - Concedido apenas a famílias extremamente pobres (renda mensal por pessoa menor de até R$ 77)
  • Benefício Variável de 0 a 15 anos: R$ 35 - Concedido às famílias com crianças ou adolescentes de 0 a 15 anos de idade
  • Benefício Variável à Gestante: R$ 35 - Concedido às famílias que tenham gestantes em sua composição. Pagamento de nove parcelas consecutivas.
  • Benefício Variável Nutriz: R$ 35 - Concedido às famílias que tenham crianças com idade entre 0 e 6 meses em sua composição. Pagamento de seis parcelas mensais consecutivas.
                                      Observação: Os benefícios variáveis acima descritos são limitados a 5 (cinco) por família.
  • Benefício Variável Vinculado ao Adolescente: R$ 42 - Concedido a famílias que tenham adolescentes entre 16 e 17 anos – limitado a dois benefícios por família
  • Benefício para Superação da Extrema Pobreza: calculado caso a caso - Transferido às famílias do Programa Bolsa Família que continuem em situação de extrema pobreza (renda mensal por pessoa de até R$ 77), mesmo após o recebimento dos outros benefícios. Ele é calculado para garantir que as famílias ultrapassem o limite de renda da extrema pobreza


Ok, mas vá lá que você acredite que uma pessoa é realmente tão preguiçosa que prefira viver com esse valor do que receber um salário mínimo. Vamos aos resultados das pesquisas [1]:


"Os indicadores de ocupação, informalidade e procura por emprego são muito semelhantes entre beneficiários e não beneficiários." 


"De fato, análises de pesquisadores brasileiros vêm demonstrando que há um ganho de participação no mercado de trabalho para os beneficiários adultos, sobretudo mulheres. Em estudo realizado na UFMG, os pesquisadores estimam uma participação 2,6 p.p. maior como efeito do programa, sendo que este efeito é 4,5 p.p. maior para mulheres quando comparado aos homens (Oliveira et al. 2007). Em trabalho apresentado em Encontro Nacional de Economia em 2008, outro pesquisador estimou um aumento de 5,6% na participação das mães no mercado de trabalho e um aumento de 1,6 hora trabalhada por semana quando a família recebe benefício do PBF (Tavares, 2008)."


"Se for possível extrair uma grande conclusão dos estudos aqui resenhados, esta seria de que os Programas de Transferência de Renda possuem impactos pequenos sobre o mercado de trabalho, e que alguns destes impactos, como a redução da jornada de trabalho das mães e o aumento na probabilidade de trabalho para certos grupos, são positivos. Do ponto de vista das políticas públicas, pode-se afirmar, com muito embasamento, que não existe constatação empírica que sustente a hipótese de que haveria um efeito renda maior do que um efeito substituição (fenômeno que recebeu a alcunha de “efeito preguiça”), no caso destes programas."



2. As pessoas pedem para trabalhar sem carteira assinada para receber o Bolsa Família. 

A vizinha da prima da minha amiga não assina a carteira de trabalho para poder receber o benefício. Quem nunca ouviu algo assim? É possível que isso aconteça? Apesar de ser uma enorme estupidez, é possível sim. Mas, segundo as pesquisas, é exceção [1]: 

"Nesse trabalho procurou-se identificar em que medida o Programa Bolsa Família tem induzido
os indivíduos beneficiados a ocuparem postos de trabalho informais. Os resultados mostraram
que não há evidências de que o programa afete a escolha ocupacional dos beneficiários entre
postos formais e informais."




3. O Bolsa família incentiva as pessoas a terem mais filhos. 

Sério que você teria mais um filho apenas para ganhar mais R$ 35,00 por mês? o.O
Se você respondeu que sim, saiba que você também é exceção [1]:

"Índices de fecundidade entre as faixas de renda mais pobres caíram rapidamente nos últimos dez anos, apesar da crença disseminada de que as famílias atendidas seriam incentivadas a ter mais filhos." 

"A AIBF II revela que mulheres beneficiárias também têm ampliado sua autonomia na
decisão de participar do mercado de trabalho e sobre o uso de métodos contraceptivos, ten-
dências que certamente contribuíram para a expressiva diminuição da fecundidade no país
entre 2000 e 2010, inclusive entre mulheres de baixa renda. De fato, entre aquelas com renda
domiciliar per capita de até R$ 70, a fecundidade caiu de 5,1 filhos para 3,6 no período (Patrício, 2012a).



4. O Bolsa Família apenas dá o peixe, não ensina a pescar. O que muda o País é a Educação, não a esmola.

Com a segunda parte eu concordo, mas não com a primeira.  Como pedagoga, esse é um dos meus assuntos favoritos: Educação.


  • Um milhão de beneficiários do Bolsa Família cursam a Educação Técnica pelo Pronatec. Um milhão, gente! [2]
  • Embora saibamos que existem beneficiários do Bolsa Família contemplados pelo Prouni, não encontrei os dados. De qualquer forma, para quem não sabe, o Prouni é um programa de bolsas de estudo integrais e parciais de 50% para quem não teve a oportunidade de conseguir uma vaga na Universidade Pública, limitado à renda da pessoa. Os outros 50% podem ser custeados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) sem necessidade de fiador.  Só no primeiro semestre de 2014 foram 191.625 bolsas. 

Sim, é a educação que muda o País!

Então quer dizer que as famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, devido aos prerrequisitos que são obrigados a atenderem para permanecer no Programa, aprendem a conferir mais valor à Educação? Estamos falando de uma mudança de mentalidade das pessoas, confere produção? Confere. Vejam os resultados [1].


  • redução em 36% da porcentagem de crianças de 6 a 16 anos que não frequentavam a escola, passando de 8,4% para 5,4%;
  • redução de 40% da parcela de crianças de 6 a 10 anos de idade fora da escola, e redução de 30% para as faixas etárias de 11 a 16 anos;
  • constatação de que a condicionalidade em educação foi responsável pela queda de cerca de um terço da proporção de crianças entre 11 e 16 anos de idade com até um ano de escolaridade fora da escola; 
  • redução de 40% da proporção de meninos de 6 a 16 anos de idade que não frequentavam a escola. No caso das meninas, a redução foi de 30%.



  • Abandono escolar

"Concluindo, as taxas de abandono escolar são menores para os estudantes do PBF [Programa Bolsa Família] contra os demais da rede pública nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, bem como (e especialmente) no ensino médio." 


  • Aprovação escolar

"Quanto às taxas de aprovação, os resultados melhoram progressivamente para os estudantes do PBF ao se considerar a passagem dos anos iniciais para os anos finais do ensino fundamental e, especialmente no ensino médio, acontece a virada do resultado a favor dos estudantes do PBF contra os demais da rede pública."


"A Pesquisa de Avaliação de Impactos do Bolsa Família mostra que as crianças beneficiárias do PBF têm progressão escolar seis pontos percentuais maior na comparação com não beneficiárias de mesmo perfil socioeconômico."


"No Nordeste, o programa teria proporcionado um aumento significativo na frequência escolar das crianças beneficiárias, o que pode também ter contribuído para alguma redução do trabalho infantil, impacto captado marginalmente na pesquisa."


Vocês leram isso? Diminuição do trabalho infantil? Sim... e isso também é muito legal, concordam?



5. O Bolsa Família reforça a miséria 

As pesquisas mostram que é o contrário:


"Além de apoiar a superação da pobreza e promover igualdade, o Programa Bolsa Família (PBF) gera, em curto prazo, maior expansão do produto interno bruto (PIB) do que qualquer outra transferência social, a um custo fiscal baixo para padrões internacionais e com benefícios de longo prazo sobre a capacidade das pessoas para gerar renda." [3]


Maior expansão de PIB? O que isso quer dizer?
Quer dizer que o dinheiro do Bolsa Família é injetado na economia local e gera riqueza.


"Mostafa, Souza e Vaz (2010) sugeriram que os recursos aplicados no programa teriam, em 2006, o efeito multiplicador no PIB de 1,44, e de 2,25 na renda familiar total. Ou seja, o gasto adicional de 1% do PIB no programa geraria um aumento de 1,44% do PIB e de 2,25% na renda das famílias."[1]

"O Programa Bolsa Família é, por larga margem, a transferência com maiores efeitos: na
simulação, o PIB aumentaria R$ 1,78 para um choque marginal de R$ 1,00 no PBF. Ou seja,
se a oferta for perfeitamente elástica e os demais pressupostos forem respeitados, um gasto
adicional de 1% do PIB no PBF se traduziria em aumento de 1,78% na atividade econômica.
O BPC, o seguro desemprego e o abono salarial vêm em seguida, com multiplicadores
também maiores do que um. As transferências previdenciárias – tanto do RGPS quanto do
RPPS – e o FGTS ocupam os últimos lugares, com efeitos já bem abaixo de um. Assim, para
cada R$ 1,00 de aumento das transferências do FGTS, o PIB aumentaria só R$ 0,39." [1]


E tem mais... essas pessoas estão também abrindo negócios próprios? Uia! É o que parece...

"Cerca de 10% dos 2,9 milhões de pessoas que se registraram como microempreendedores individuais são vinculados ao programa (22% estão no CadÚnico). Das 3,6 milhões de operações de microcrédito até o final de 2012, mais de 760 mil tinham sido realizadas por pessoas que também recebiam benefícios do programa e estavam contando com o apoio do microcrédito para melhorar suas atividades produtivas." [1]



6. O Bolsa Família custa muito caro aos cofres públicos. É o trabalhador que trabalha de sol-a-sol que sustenta isso. 

Ao contrário do que o senso comum pensa, o Bolsa Família é um programa que custa pouco.

"Isso explica os baixos custos do programa (que, mesmo com toda a evolução orçamentária dos últimos anos, ainda custa apenas 0,5% do PIB) e também seus significativos impactos na redução da extrema pobreza. Antes das mais recentes modificações no seu desenho – especialmente da criação do benefício para a superação da extrema pobreza –, estimava-se que a extrema pobreza no Brasil seria entre um terço (Soares et al., 2010) e metade maior (Souza et al., 2011) sem as transferências do Bolsa Família. Assim, apesar do baixo custo, o programa conseguiu estar entre as mais importantes causas da redução da extrema pobreza." [1]

Isso mesmo: menos de 0,5% do PIB. E é muito importante lembrarmos que, como vimos no tópico anterior, cada R$ 1,00 investido no Bolsa Família significa o aumento de R$ 1,78 na atividade econômica.



7. Pobre gasta o dinheiro com cachaça. 

Será mesmo? Vejam o que as pesquisas revelam sobre a forma que o benefício é gasto pelas famílias:

"No Nordeste, 91% dos titulares do programa apontaram a comida. No Sul, 73%. No geral, com opção de até três respostas, os beneficiários disseram gastar em alimentação (87%), material escolar (46%), vestuário (37%), remédios (22%), gás (10%), luz (6%), tratamento médico (2%), água (1%). Fonte: IBASE" [4]

"De acordo com o IBASE, após o recebimento do benefício, foi possível comprar mais alimentos dos seguintes grupos: açúcares (78%), arroz e cereais (76%), leite e derivados (68%), biscoitos (63%), industrializados (62%), carnes (61%), feijões (59%), óleos (55%), frutas (55%), ovos (46%), raízes (43%) e vegetais (40%)."[4]

"Em outro estudo, direcionado aos efeitos do PBF sobre as crianças no semiárido nordestino, constatou-se que as mães priorizam as crianças no momento do emprego do dinheiro do benefício, ao entender que o dinheiro do programa é entendido como um dinheiro das crianças (Pires, 2011)." [1]


8. Pobre não sabe o que é melhor pra ele

Esse tópico tem a mesma origem do anterior, de que a pobreza significa ignorância.

O Bolsa Família deu a muitas pessoas algo que elas não conheciam: liberdade. [5]
Você tem ideia do que significa isso? Provavelmente não, se você teve a vida inteira.

Aqui estamos falando de autoestima e autonomia. Coisas tão difíceis de quantificar, mas tão importantes para o ser humano.

Outra pesquisa fala sobre o empoderamento das mulheres. Vocês sabem que os beneficiários do Bolsa Família são prioritariamente as mulheres, não é?

"Apesar de ainda haver um grande caminho a se avançar em relação ao processo de empoderamento da mulher no sentido de favorecer sua autonomia e propiciar transformações, tanto nas relações de gênero estabelecidas entre o casal quanto entre a mulher e seus familiares mais próximos, as mulheres beneficiárias do Programa já enxergam e verbalizam esse desejo." [6]


Estamos, uma vez mais, falando sobre as pessoas tornarem-se mais esclarecidas? É, estamos.




9. O Bolsa Família não muda a realidade, apenas mascara.  


  • Desigualdade Social

Não é o que mostram as pesquisas, que apontam o programa como um importante indutor da desigualdade social. Ei, só lembrando, a desigualdade não é uma das maiores causas da violência no Brasil?

"O Programa Bolsa Família foi responsável por 15% a 20% da redução da desigualdade de renda no Brasil. Colaborou também para a queda na desigualdade entre estados e regiões do país (15%). A política de transferência de renda ainda impulsionou a diminuição na taxa de extrema pobreza (entre 2001 e 2011, passou de 8% para 4,7% da população brasileira)." [1]

"Embora não se possa dizer que a redução da desigualdade de rendimentos estivesse entre seus objetivos, o Bolsa Família também acabou tendo um impacto significativo, explicando (a depender do período considerado e de critérios metodológicos utilizados) entre 12 e 21% da redução mais recente do coeficiente de Gini (conforme survey da literatura realizado por Soares et al., 2010). Deve-se ressaltar que a queda no coeficiente de Gini a partir do início dos anos 2000 pode ser considerada inédita, desde que começou a ser mensurado, nos anos 1970." [1]


  • Saúde

Como vocês sabem, tenho um trabalho voluntário na área de Saúde e, para mim, é um assunto tão relevante quanto a Educação. Isso também muda a qualidade de vida das pessoas. Isso, aliás, salva vidas.


1) Vacinação


  • 98,7% das crianças estavam com o calendário vacinal em dia e 85,9% tiveram dados nutricionais coletados.  [1]
  • 98,9% das gestantes estavam com o pré-natal em dia e 85,5% tiveram dados nutricionais coletados. [1]


2) Saúde e mortalidade Infantil 

"Além da contribuição do programa para a redução da desnutrição infantil, a diminuição da mortalidade infantil foi expressiva entre as famílias beneficiárias do programa – tanto a mortalidade relacionada à resistência a doenças infectocontagiosas quanto a relacionada à desnutrição e à diarreia." [1]

"No período, a mortalidade infantil teria caído 17%, como consequência de redução dos óbitos devidos à desnutrição (que caíram 65%) e à diarreia (53%)." [1]


"O programa também reduziu substancialmente as taxas de hospitalização entre menores de 5 anos." [1]


  • Nutrição


1) Aleitamento materno

"A pesquisa mostrou que a proporção dos filhos de beneficiárias do programa que eram amamentados de maneira exclusiva, pelo menos durante os seis primeiros meses de vida, era 8 p.p. maior que a dos filhos de não beneficiárias." [1]


2) Diminuição do déficit de peso e altura 

"A meta [ONU} de proporção de crianças (com menos de cinco anos) abaixo do peso, para a qual era prevista a redução pela metade da prevalência de déficit de peso 1990 até 2015, o Brasil alcançou e ultrapassou: entre 1989 e 2006, a prevalência foi reduzida a um quarto da referência inicial (7,1% para 1,7%)." [1]

"Na comparação regional mais recente, entre 1996 e 2006, também foi observada queda nas prevalências de déficit de altura para idade nas regiões Norte (20,7% para 14,8%), Nordeste (de 22,1% para 5,8%) e Centro-Oeste (de 10,7% para 5,5%). " [1]

"Entre 1996 e 2006, perto de dois terços da redução do déficit de altura em crianças podem ser atribuídos a quatro fatores: o aumento da escolaridade materna (25,7%), a melhoria do poder aquisitivo das famílias, que inclui o aumento do salário mínimo e a expansão dos programas de transferência de renda (21,7%), a melhoria da atenção à saúde (11,6%), principalmente para mulheres e crianças, coincidente com a grande expansão da Estratégia de Saúde da Família em todo o país, e o aumento da cobertura de saneamento básico, como acesso à água encanada e rede de esgotamento sanitário (4,3%). Outros fatores, como paridade materna, número de irmãos vivos, ordem de nascimento, escolaridade materna, vacinação da criança, entre outros, representam os 36,7% restantes desta queda." [1]


Baixo peso ao nascer: "Os resultados sugerem que o acesso ao benefício para as mães de mais baixa renda permite que elas utilizem o recurso para a aquisição de alimentos e melhorem o seu perfil nutricional, fazendo com que apresentem menor proporção de crianças com baixo peso ao nascer em decorrência de desnutrição intrauterina. Além disso, as condicionalidades do programa induzem as mães a realizar as consultas de pré-natal, melhorando o cuidado com a gestação." [1]


Se você ficou com curiosidade para saber quais são as condicionalidades do Bolsa Família, ou seja, a contrapartida do beneficiário para manter-se no Programa, lá vai:

"As condicionalidades do PBF são: 
i) educação – frequência escolar mínima de 85% para crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos, e mínima de 75% para adolescentes entre 16 e 17 anos; e
ii) saúde – acompanhamento do calendário vacinal para crianças de até 6 anos; pré-natal das
gestantes e acompanhamento das nutrizes na faixa etária de 14 a 44 anos." [1]



10. O Bolsa Família não tem controle nem transparência.

Todo mundo já leu ou ouviu uma história de alguém que recebe a bolsa sem enquadrar-se nos critérios. E acontece mesmo. Tanto que milhares de pessoas são cortadas regularmente do Programa. A fraude pode ser descoberta por meio de visitas de assistentes sociais (descentralizado) ou de outras estratégias centralizadas como verificar pelo sistema Renavam se algum beneficiário adquiriu carro ou na relação de eleitos para cargos políticos se alguém teve aumento de renda.

Isso é suficiente? Ajuda, mas infelizmente não é suficiente. O melhor seria se as pessoas não fossem desonestas, não é mesmo? Porque isso também é corrupção, isso também é apropriar-se indevidamente de dinheiro público, coisa que certamente elas possivelmente acusam os políticos de fazerem. :/

A inscrição das famílias e acompanhamento é descentralizada para as prefeituras [sim, você é esperto: isso quer dizer que quem executa isso no Brasil são governos municipais de todos os partidos políticos]. Para avaliar essa gestão, existe o Índice de Gestão Descentralizada (IGD).


"A criação do Índice de Gestão Descentralizada (IGD) foi outra inovação institucional fundamental para a articulação interfederativa. O IGD foi criado pela Portaria GM/MDS n o 148/2006, seguido pela criação do Índice de Gestão Descentralizada Estadual (IGDE – Portaria GM/MDS n o 76/2008). Posteriormente, o IGD acabou incorporado à Lei n o 10.836/2004. 
O índice é composto por indicadores da gestão do CadÚnico e das condicionalidades. Possui duas funções claras. A primeira, previsivelmente, é mensurar a qualidade das ações de gestão do município. A segunda, servir de base para a transferência de recursos de apoio à gestão descentralizada, que podem ser utilizados pelos municípios para a realização de ações e projetos de fortalecimento do programa, do Cadastro e do acompanhamento de condicionalidades, bem como de apoio à instância de controle social." [1]

Outras ferramentas que visam uma melhor execução, controle e avaliação: Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e Sistema Único de Assistência Social (Suas).


  • Sério que qualquer cidadão pode consultar pela internet a lista de beneficiários e os benefícios de cada família?  Sério. Bem aqui:  Consulta beneficiários PBF
  • Mais uma vez sério que foram realizadas mais de 70 pesquisas nos últimos 10 anos, cujas metodologias e resultados estão disponíveis para qualquer um, pela internet? Aham: Avaliação Bolsa Família


Eu sei que esse artigo está longo. Agradeço a você por ter ficado comigo até aqui.
No entanto, eu não poderia finalizar sem antes falar de duas coisas: reconhecimento internacional e pessoas. Isso porque, neste exato momento em que escrevo este artigo, o Brasil está como convidado em reunião da União Europeia, em Londres, apresentando esse nosso modelo de governança social para os países da zona do euro.

O prêmio mais recente do Bolsa Família havia sido o Award for Outstanding Achievement in Social Security: 

14/10/2013 12:41 Brasil recebe prêmio internacional por Bolsa Família O governo brasileiro recebeu prêmio internacional por causa do programa Bolsa Família. A Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA) anunciou hoje, 15 de outubro, na Suíça, o país como vencedor do I Prêmio Award for Outstanding Achievement in Social Security em reconhecimento ao sucesso do Bolsa Família no combate à pobreza e na promoção dos direitos sociais da população mais vulnerável do Brasil. [8]


Finalmente, mas não menos importante, vamos falar das pessoas. Foi apenas eu trazer o assunto para o Facebook que recebi os seguintes depoimentos, ambos de pessoas próximas. Com a palavra, as Alines:


É fácil criticar o programa estudando em escola particular... Durante muito tempo lá em casa quem garantiu comida e leite foi o Bolsa Família ou o Escola! Graças ao projeto, pudemos continuar estudando... e nos formar! Em qualquer lugar existem pessoas de ma fé... mas a velha mania de julgar sem saber, de falar sem sentir! Eu e minhas irmãs somos uma parte desses números que você vai pesquisar! E quando todas podiam trabalhar, minha mãe foi e cancelou o auxílio, para poder ajudar outras famílias que não conseguiam vaga no programa. Senti no meu estômago a diferença do programa! Fora minha casa que compramos agora, a faculdade de minhas irmãs, o emprego que tenho... Aline Cunha Alves - Porto Alegre/RS, representando os 13 milhões de famílias já beneficiadas.
Atuei como psicóloga concursada na Prefeitura de Viamão/RS, lotada no departamento de assistência social. Fazia parte do departamento o Cadastro Único, onde as famílias são cadastradas, tendo que manter os dados atualizados. Realizávamos visitas domiciliares para avaliar como as famílias estavam organizadas - na prática, apesar de eu achar a prática excessivamente controladora, íamos averiguar em que elas estavam gastando o dinheiro ganho, se em benefícios para casa, filhos, ou em futilidades, álcool, etc. As mães participavam de atividade obrigatória para receber o benefício, que era um encontro com psicólogo ou assistente social, no qual eram trabalhados vários temas, como controle de natalidade, ações preventivas na área da saúde, cuidado dos filhos, etc. Recebíamos mensalmente as FICAIS (ficha de alunos infrequentes) das escolas, que são as relações de alunos que apresentaram faltas. Dependendo da análise da infrequência ou diante da constatação de trabalho infantil, o benefício era retirado. Aline Simões - Porto Alegre/RS




Agradeço à Eugênia Cireno pela ajuda com a indicação do referencial bibliográfico. <3
Eugênia é formada em Políticas Públicas e trabalha na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.


Referências Bibliográficas:
1. http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_bolsafamilia_10anos.pdf
2. http://www.valor.com.br/brasil/3434506/pronatec-tera-1-milhao-de-beneficiarios-do-bolsa-familia
3. http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/131015_bolsa_familia_release.pdf
4. http://controlesocialdesarandi.com.br/biblioteca-do-social/artigos-de-capacitacao-aos-conselheiros/como-dinheiro-beneficio-bolsa-familia-gasto/
5. http://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/bolsa-familia-deu-mais-liberdade-aos-pobres-diz-pesquisadora/
6. http://www.cress-mg.org.br/arquivos/simposio/EMPODERAMENTO%20FEMININO%20E%20RELA%C3%87%C3%95ES%20DE%20G%C3%8ANERO%20NO%20CONTEXTO%20DO%20PROGRAMA%20BOLSA%20FAM%C3%8DLIA%20EM%20CONTAGEM%20BREVES%20REFLEX%C3%95ES.pdf

Aborto, drogas e livre arbítrio

Sou contra o aborto. Jamais faria um, nem mesmo em condições de estupro ou de má-formação do bebê. Sim, devido à minha crença religiosa. Ponto.




Eu disse MINHA crença?

Pois bem, muitas pessoas não compartilham dela.

Eu acredito que o aborto é a interrupção do curso da vida e tem consequências espirituais para os envolvidos. Mas tem gente que não acredita nisso, né? Podemos provar quem tem a razão? Eu ou eles? A minha crença vale mais do que a dessas pessoas?

Não, não vale.

O que sabemos é que muitas mulheres, seja lá por que motivação (quem sou eu para julgá-las), recorrem a abortos todos os dias - sejam eles legais ou não. E vão continuar recorrendo - sejam eles legalizados ou não.



Eu conheço algumas mulheres que fizeram aborto. Mulheres acima de qualquer suspeita - eu jamais acreditaria se não tivesse ouvido da própria boca delas. Você também possivelmente conhece alguma e apenas não saiba, pois isso não é coisa que se conte por aí.

Acredito que as mulheres deveriam poder optar por isso, sem estar cometendo um crime.
Apesar de que acho que elas não deveriam escolher fazê-lo, que fique claro. 
Como também acho que as pessoas não deveriam fumar cigarros, nem abusar de bebida alcoolica e nem transar sem camisinha, porque são comportamentos destrutivos, que impactam não apenas a pessoa que toma essas decisões estúpidas mas também as pessoas à sua volta e a sociedade de modo geral. Porém não são crimes, não é?



Enquanto escrevo, de verdade me dói o peito imaginar alguém fazendo aborto, sinto uma piedade enorme pela quase-mãe e pelo feto. Por isso é tão difícil escrever que sou a favor da legalização do aborto. Mas sou mesmo. Apesar de ser contra o aborto. [Isso faz algum sentido para vocês?]

Eu sei que homens cometem "abortos" todos os dias por aí. É bem fácil para eles: simplesmente viram as costas e dizem "se vira". Mesmo que a Justiça garanta o direito de pensão alimentícia, não é só isso que a maternidade/paternidade implica. Quem é mãe sabe o quanto é difícil sê-lo. Não estou dizendo que não é maravilhoso e compensador, mas que não é mol-tirar-pel-de-pesgo, não é mesmo.  Acho sim que isso deveria ser uma escolha.

"Mas elas não poderiam levar a gravidez até o final e depois entregar o bebê para doação?" Aaah isso é muito aceitável na nossa sociedade mesmo. #sqn Imagina eu grávida por nove meses, indo trabalhar todos os dias, as pessoas de minha relação me vendo grávida e depois eu digo: "resolvi não ficar com o bebê, dei para adoção". Oi? Isso é aceitável? Ou para o resto da vida eu seria taxada como a desalmada, desumana, bruxa malvada?  

Aí vocês me perguntam... mas seguindo essa linha de pensamento de respeito ao livre arbítrio (acho que essa expressão está escrita em algum livro antigo.... rs), então você também é a favor da legalização das drogas? Minha resposta sincera é: não sei.

Porque ao mesmo tempo que eu acho que isso resolveria um problema seriíssimo de nossa sociedade relativo ao crime organizado - e que não vejo outra alternativa possível para resolver, infelizmente - as pessoas não têm maturidade suficiente para lidar com drogas legalizadas (vide álcool). Sem generalizações, claro. Mas vocês acham que podemos ter o crack com venda liberada, por exemplo?  O crack é uma arma mortal, for God's sake!

No fundo, não sei ao certo se a legalização das drogas incitaria o consumo. Eu não usaria, sendo legais ou não, porque conheço as consequências - como também não fumo, não bebo e não transo sem camisinha. ;)

Ao final desse post, chego àquela famosa conclusão de que só sei que nada sei.

Não temos maturidade nem mesmo para discutir seriamente tais assuntos, que dirá para lidar com eles na prática.

De minha parte, continuarei refletindo, discutindo, questionando... são assuntos sérios demais para deixarmos para serem discutidos apenas nas eleições. Mas também sigo respeitando as opiniões alheias - desde que, claro - elas não desrespeitem as demais. 



[No fim das contas, a camisinha acabou sendo coadjuvante importante neste post. Afinal, se ela fosse usada, restaria apenas o assunto drogas para discutirmos. Vamos falar francamente sobre ela? Participe dessa discussão aqui.]

Carro trancado com a chave dentro - só comigo?

Eu estava muito animada para ir ao encontro do Projeto Yoga em Brasília na tarde de hoje. Apesar de ter muitas coisas por fazer em casa, decidi que a Yoga era prioridade nesse momento. Me arrumei, sem esquecer a máquina fotográfica, pois teria um lindo espetáculo na Ermida Dom Bosco logo mais, quando o sol estivesse se pondo.



Acro Yoga na Ermida Dom Bosco - 2012

Eis que eu coloco todas as minhas coisas no banco do carona e fecho a porta do carro para dar a volta e entrar pela porta do motorista quando: tuc. Tuc?? Esse é o som do meu carro travando? Sim, é. O carro trancou sozinho, com a chave lá dentro.

Eu até tenho uma chave reserva do carro na minha casa, mas precisava da chave de casa para buscá-la e ela estava... adivinhem? Dentro do carro. E eu, presa dentro da garagem, pois tanto a chave de acesso ao elevador como o controle remoto do portão eletrônico estavam... sim, dentro do carro.

Eu podia ligar para a minha mãe e pedir que ela trouxesse a chave reserva da minha casa, SE meu celular não estivesse também trancado lá dentro.

Foi então que percebi que na garagem não tem interfone. E, depois de apertar todos os interruptores que encontrei, percebi que não havia forma de abri-la. Tentei pensar o que o MacGyver faria, mas não tive nenhuma ideia brilhante. Até tentei balançar meu carro para ver se o alarme tocava e alguém aparecia, mas o alarme não tocou. Eu poderia gritar, mas vocês me conhecem: sou lady demais para isso. E também quem ouviria? Todos os vizinhos estavam ou passeando ou dentro de casa.

Não tinha jeito: eu teria de esperar alguém aparecer, para só então ligar para minha mãe e pedir a chave reserva. Só que quem sai de casa num domingo às 15h da tarde?

Fiquei de pé ao lado do portão de saída, torcendo que alguém passasse. Demorou mais de meia hora, mas logo eu chamava um cara que passava na rua: "Ei, moço, você pode me ajudar por favor? Estou presa na garagem" ahahaha Que cena...

Quando ele me emprestou o celular através das grades, percebi que eu não tinha muitas chances, uma vez que não sei o telefone de quase ninguém decor [algum de vocês sabe??]. Além dos meus próprios números (e confesso que tenho um celular da TIM que nunca decoro), só sei o número da minha mãe e do ex-marido, que estava viajando. Felizmente, minha mãe atendeu - o que não acontece sempre, porque o sinal de celular na casa dela pega muito mal. Ufa! Mas ela mora longe, eu sabia que ainda demoraria.

Lá estava eu, trancada numa garagem, sem nada o que fazer - nem sentar, porque aquele chão é imundo de pó de cimento - sem celular para me distrair e pensando coisas super úteis do tipo: o que eu faria se acontecesse um incêndio ou uma inundação agora? E muito chateada por ter perdido a yoga.

Cerca de 50 minutos depois do famigerado tuc, uma pessoa que guarda a moto na nossa garagem apareceu e eu consegui sair de lá. A construtora que fica ao lado de casa estava de plantão e eu pude finalmente sentar e ler um jornal enquanto esperava.

Minha irmã demorou muito, porque a chave reserva que ficava na minha mãe estava na minha casa desde a minha última viagem de férias - o ex-marido usou para ir alimentar o peixinho da nossa filha e eu esquecera de devolver à minha irmã. Portanto, ela teve de ir até o Paranoá (cidade satélite de Brasília) buscar a chave da minha empregada.

Resultado, quase duas horas depois, eu batia na porta do síndico pedindo que ele abrisse o portão da garagem para mim para, enfim, destravar o carro com a chave reserva e pegar minhas coisas.

Bela tarde de domingo.
Alguém pode me dizer se essas coisas acontecem com vocês também, ou é só comigo?  

A difícil tarefa de educar uma criança

Antes de eu ser mãe, as pessoas costumavam invalidar minhas opiniões sobre a educação de crianças - mesmo eu sendo pedagoga, ou seja, formada em Educação. Isso não valia para elas, pois teoria é teoria e prática é prática. Também não era válido o meu longo histórico de ótimo relacionamento com crianças, porque cuidar dos filhos dos outros não é educar. 

Eu e minha filha, aos 11 meses

Pois bem, em parte elas tinham razão: "quem fala de sangue, e não está sangrando, é um impostor", já dizia Fernando Sabino. Em partes. Porque, agora que eu sou mãe, não só acredito nas mesmas coisas como também vejo-as reforçadas na prática. O que quer dizer que, mesmo não tendo passado pela experiência da maternidade anteriormente, as minhas vivências, a minha sensibilidade e o meu estudo tornaram-me apta para formar algumas ideias sobre o assunto. 

Se eu sei tudo sobre como educar uma criança? Se eu faço tudo certinho como mãe? Obviamente que não. Mas, como a maior parte das mães, eu tenho sempre a melhor das intenções. ;)


Eu acredito que as crianças devem ser criadas com autonomia, o que as faz perceber desde cedo que são capazes. Por exemplo, minha filha dormia sozinha no berço desde a primeira semana de vida. Eu não a fazia dormir balançando no meu colo, nem mamando. Eu ensinei a ela que ela era capaz de fazer isso sozinha, sem precisar de uma muleta - balanço ou peito/mamadeira.



Eu acredito que as crianças devem sentir-se amparadas. Como eu disse, minha filha dormia sozinha no berço, mas eu não a deixava sozinha chorando. Eu ficava ao seu lado, cantando e dando batidinhas em suas costas, como que dizendo: "A Mamãe está aqui". Sou contra o método Nana nenê, que defende que as crianças devem ser deixadas esguelando-se sozinhas no berço até cansarem e pararem de chorar. Acredito que coisas que gerem sensação de abandono devem ser evitadas, assim como chantagens do tipo: "se você fizer isso de novo não serei mais sua mãe".


Eu acredito que as crianças devem ter sua autoestima reforçada, porque o mundo é eficiente em nos mostrar que estamos fora dos padrões em que deveríamos estar. Nossos filhos precisam saber que são apreciados do jeito que são. Nossos filhos precisam saber que são interessantes independente do que têm. Eu, por exemplo, tento nunca conversar com crianças exaltando coisas do tipo: "que linda essa sua roupa", ou "como você é linda". Eu prefiro perguntar: "você gosta de ler?" ou "o que você mais gosta de fazer na escola?".

Mas atenção: ajudar a desenvolver a autoestima não é criar uma autoimagem distorcida, como se a criança fosse a princesa mais maravilhosa do universo. Isso acontece muito com essa geraçãozinha que está aí. Acabam achando-se superiores às demais pessoas - claro, seus pais ensinaram isso! - mas, como li certa vez num texto sobre a geraçãoY, "se todo mundo é especial, ninguém é de fato especial, são todos iguais". Essa realidade pode ser bem frustrante se os pais ensinaram-nas outra coisa. Precisamos mostrar que as pessoas erram, que as pessoas têm defeitos, que há sempre no que melhorar. 

Se uma criança é criada achando que é perfeita e mais importante que as demais pessoas, o mundo vai tratar de quebrá-la. E aí veremos que aquela pretensa autoestima não era sustentável, pois era baseada numa falácia.  

Precisamos fazer isso, porém, sem deixar de exaltar seus pontos fortes. Eu nunca digo coisas depreciativas do tipo "Você é mal-educada!" ou "Você é feia!" quando uma criança faz algo errado, mesmo que seja muito errado. Eu prefiro dizer: "Isso que você fez é muito feio e não combina com a pessoa linda que você é". E também digo outra coisa que adoro, embora minha mãe ache que eu não devia falar isso: "Você acha que esse seu comportamento é igual da bruxa ou da princesa da história? Quem você quer ser quando crescer? Quer ser a bruxa?" Sempre dá certo, pois faz minha filha refletir e decidir qual o comportamento que acha mais adequado.    


Eu acredito que as crianças precisam de disciplina. Acredito que a casa deve ter regras e horários. Desde que minha filha era bebê, ela tem horário certo para tudo. Apliquei com ela o método EASY da Encantadora de Bebês e deu muito certo. Como ela tinha horário para dormir, horário para acordar, horário para se alimentar, horário para atividade etc, ela nunca estava com fome, nunca estava com sono, nunca estava cansada, nunca estava suja, nem entediada. Ou seja, a rotina lhe propiciava paz e a deixava calma. Simples assim. 

Como eu disse antes, acho que é preciso ter regras e também que o seu descumprimento deve ter consequências pré-acordadas. Não são castigos arbitrários. São consequências pelo descumprimento de um acordo: "ok, você não fez sua parte no nosso acordo de que para assistir a novelinha Chiquititas à noite você precisaria comer uma fruta durante o dia? Então, sem TV hoje." Claro que esse "acordo" não é tão democrático assim, porque a criança precisa saber que a mãe aqui sou eu, sou eu quem faço as regras. E ponto. Mas ela também participa do processo, quando a deixo, por exemplo, negociar comigo qual fruta quer comer ou qual verdura será misturada no feijão. Sou eu que mando na casa, isso está claro, mas ela não é um sujeito passivo, ela participa.   
    
Isso me custa? Muito! Fico menos tempo com minha filha no dia-a-dia do que eu gostaria. Então, eu queria que nesse pouco tempo nós pudéssemos estar bem, sem brigas, sem discussões. Às vezes seria fácil pensar: "ah, ela só fez isso, deixa pra lá, não é importante". A coisa em si nem sempre é relevante mesmo. Só que eu me apego ao princípio: se ela fez errado, sabendo que estava errado, precisa haver consequência. É que nem no banco em que trabalho: se uma pessoa roubar um milhão ou apenas um real, não faz diferença, a punição é a mesma, porque o que importa é o ato de roubar. Estou dizendo que às vezes dá muita vontade de tapar os olhos e fingir que não estou vendo nada, mas acho que tenho uma grande responsabilidade com essa criança e não me permito fugir a ela, pelo grande amor que tenho.   


Eu acredito que qualquer violência é inaceitável. Isso quer dizer que sou a favor da Lei da Palmada e que acho absurda a ideia de que se ensina batendo. Isso é irracional. E quando um pai bate no filho porque ele bateu no irmãozinho? Oi? Pode bater ou não pode? 

Se eu nunca bati na minha filha (hoje com 6 anos)? Já, duas vezes. Nenhuma das duas foi para machucar, foi apenas um tapa não muito forte. Mas nas duas chorei muito depois - sem ela saber, logicamente, para eu não perder a moral - e não me conformava com o que eu havia feito. Por que fiz? Porque perdi o controle - coisa que um educador não deve fazer. Mas somos pais, não deuses, e às vezes erramos também. Das duas vezes pedi desculpas depois, mas deixei claro que o que aconteceu foi apenas uma reação descabida diante de um comportamento descabido que ela estava tendo.  

Eu disse anteriormente "qualquer violência". Violência simbólica também é inaceitável. Quer dizer, a imposição, a humilhação, a não-aceitação da personalidade da criança, que possivelmente é diferente da nossa. E a alienação parental? Igualmente repudiável. Violenta-se uma criança quando se fala mal do pai ou da mãe, buscando fazê-la ter sentimentos negativos em relação ao outro. 


Eu acredito que crianças precisam ter tempo para brincar como crianças. Eu queria que minha filha tocasse piano, fosse fluente em inglês e fizesse vários esportes. Acho que isso seria um diferencial quando ela crescesse, no mundo tão competitivo em que vivemos. Mas eu quero muito mais que ela seja feliz. Quero que ela tenha uma vida tranquila, que tenha tempo pra criar suas próprias brincadeiras e possa desenvolver várias competências nesse ato de brincar. Não quero que ela tenha uma rotina maluca de aulas. Espero que, quando ela crescer, eu tenha a possibilidade de propiciar a ela oportunidades escolhidas por ela própria. Um intercâmbio no exterior, por exemplo, para aprender o inglês que não está aprendendo agora.  

Isso quer dizer que minha filha vai apenas à escola? Não, ela também faz natação e ballet, duas atividades que ela adora e para as quais tem talento. Mas lhe sobram três manhãs totalmente livres para brincar, além dos finais-de-semana.

Essa história de sobrecarga de atividades me faz lembrar algo que li num livro sobre educação de crianças enquanto ainda estava grávida: é prejudicial para a criança a sensação de estar sempre atrasada. Tomo muito cuidado com isso, então, mesmo que estejamos atrasadas - e eu verbalize isso - eu nunca deixo que se crie uma sensação de ansiedade e correria. 


Eu acredito que as crianças precisam ser educadas para a solidariedade. Somos egocêntricos e individualistas quando pequenos e precisamos ser ensinados a viver em um mundo de forma solidária, a entender que nós, as demais pessoas, os animais, a natureza e o planeta formamos um todo interligado, tecido juntos - como mostra o conceito de complexidade de Edgard Morin - o que quer dizer que o que afeta um, afeta a todos. Isso deve ser mostrado sobretudo por meio de nossos exemplos.    

Nós duas, em março de 2009

Ufa! Não é fácil ser mãe. Mas ninguém nunca disse que seria. 
Sabem que até hoje muitas pessoas desqualificam as ideias sobre educação que acabei de apresentar a vocês? Dizem que apenas dá certo, porque minha filha é um anjo. Mas será que ela não é um "anjo", justamente porque dá certo? [E não, ela não é um anjo sempre - só para constar] 

E por que escrevi esse post agora? Bem, fiquei bastante impressionada com um vídeo que assisti ontem na internet e compartilho agora com vocês. Eu não gosto de julgar outras mães, pois acho que todas nós (ou melhor, a maior parte de nós) fazemos o que podemos, pensando no melhor para os nossos filhos. Mas o vídeo mostra uma situação em que várias das coisas que falei acima são desrespeitadas. 

Assistam abaixo:



No vídeo, a criança promete à mãe que nunca mais "vai jogar suas maquiagens no cocô". Sério, minhas maquiagens são sagradas e minha filha sabe disso. Eu nem sei a consequência que minha filha teria numa situação como essa. Mas sei que eu, certamente, não faria as seguintes coisas que essa mãe fez: 

1. Expor a criança
Internet é uma coisa muito delicada. Nunca devemos publicar nada sobre nossos filhos de que eles possam se envergonhar futuramente. Não só a criança aparece somente de calcinha no vídeo, como também está numa situação muito constrangedora. Esse vídeo estará para sempre na internet, copiado e recopiado em vários lugares. Mesmo que essa versão que compartilho aqui seja tirada do ar algum dia, ele sempre estará em outro lugar. Uma vez na internet, sempre na internet. 

2. Ameaça de violência física
Se eu ameaçar minha filha de levar uma chinelada, certamente ela rirá, porque sabe que eu nunca falaria isso se não fosse uma brincadeira.
A pergunta é: no que exatamente uma chinelada ajudaria nessa situação?
A mãe teria a maquiagem de volta? Não. 
A criança jamais faria isso de novo? Talvez. E talvez não - quantas crianças apanham e depois continuam fazendo a mesma coisa?
De qualquer forma, essa não seria a forma mais efetiva, porque não levaria a criança a compreender o que sua atitude causou - lembram quando falei sobre "educar para a solidariedade"? Isso implica também aprender a colocar-se no lugar do outro. 
A mãe até ensaiou algo nesse sentido, perguntando à criança sobre a maquiagem dela. Na minha opinião, essa criança devia sim ser privada de algo que gosta muito por um longo tempo - não longo demais a ponto da criança desapegar-se do objeto, pois acho importante o sentimento que ela tem no momento em que pode reaver o que "perdeu", para reforçar a dor da perda.   

3. Igualar-se ao comportamento inadequado
Se é errado jogar a maquiagem no cocô (meu Deus, isso é muito errado, me arrepio só de pensar! rs), por que a mãe está ameaçando a criança de que fará a mesma coisa? Acho que deveria sim perguntar sobre o que ela sentiria se jogassem sua maquiagem no cocô - já falei sobre colocar-se no lugar do outro - mas não ameaçar fazer o mesmo. Afinal, é errado ou não? Pode fazer ou não?   

4. Violência emocional 
Confesso que quase chorei quando a mãe pede para a criança escolher o que ela vai buscar: se o chinelo para apanhar ou a maquiagem para ser jogada no cocô. Eu, que aprendi com minha mãe a colocar-me no lugar dos outros, pude sentir o desespero dessa criança. 
  

Se eu acho que essa mãe é uma mãe ruim? Se acho que é uma pessoa má? Se ela errou querendo acertar? Eu jamais poderia responder a essas questões, não tenho como julgar. A única coisa que posso dizer é: ela agiu em desacordo com muitas coisas em que acredito.

E você, acredita em quê?


Namoro ou liberdade: o que você prefere?

O filme Namoro ou liberdade - cujo nome original é Are we officially dating?, ou seja, Estamos namorando oficialmente? - poderia ser apenas mais uma comédia romântica americana que nos propicia algumas risadas enquanto assistimos, mas nada nos acrescenta após sairmos do cinema. [não estou criticando esse tipo de filme, pois ele realmente cumpre o seu propósito de entretenimento]


No entanto, se estivermos atentas à mensagem que o filme passa, sairemos do cinema pensando sobre uma patologia masculina muito atual: a fobia a relacionamentos

Contextualizando as pessoas que estão em relacionamentos estáveis e não têm ideia do que eu estou falando: lembram há algumas décadas quando os homens temiam a palavra "casamento"? Pois é, agora a palavra "namoro" parece ter o mesmo impacto.  

No princípio, eu achava que isso era um fenômeno dos homens de Brasília. Depois, conversando com amigas de outras cidades, percebi que parecia atingir o universo masculino brasileiro como um todo. No ano passado, uma amiga de Viena me contou que isso acontecia no mundo inteiro. O filme Namoro ou Liberdade vem confirmar que realmente é um comportamento que ultrapassa fronteiras - pelo menos, no mundo ocidental.   

Assista o trailer (legendas PT de Portugal):

Meu objetivo não é contar o filme. Quero ater-me apenas a um comportamento de dois dos personagens principais: eles "colecionam" mulheres em uma lista - no Brasil, seria a lista das mulheres que estão pegando

Não estou aqui fazendo julgamento de valor, se isso é bonito ou feio, certo ou errado. O fato que quero chamar a atenção é que em momento algum eles têm a intenção de terem um relacionamento. Ao contrário das mulheres, que mesmo que saiam com o cara na mesma vibe descompromissada, geralmente estão abertas para rolar algo mais.   

É claro que eles não são totalmente sinceros em relação a isso quando marcam a primeira saída - nem sempre mentem, às vezes simplesmente omitem (às vezes mentem mesmo).  Logicamente eles não ligam no dia seguinte, às vezes nem na semana seguinte, ou semanaS seguintes. E depois, caso tenham gostado de você, mandam uma mensagem chamando de "sumida" e, claro, querendo te ver novamente.

Aí vocês, pessoas casadas que desconhecem esse comportamento, me perguntam: mas por que uma mulher seguiria saindo com um cara desses? Vocês não se valorizam? 

Bem, existem várias explicações. Entendam que o comportamento deles é meio esquizofrênico e por vezes nos confunde também: dá pra acreditar que eles são super carinhosos, amáveis, gentis, que eles se abrem bastante, contam coisas íntimas sobre família, agradecem pela forma que fazemos bem a eles ao ouvi-los etc etc etc? 

Na verdade, eles nos propiciam "momentos-como-namoro" - e com uma certa regularidade. E isso é muito bom. Além disso, considerando que é um comportamento generalizado, muitas vezes ou é isso ou é nada.

Mas aí acontece o momento em que no filme eles chamam de "E então?" - ou seja, a hora em que a mulher pergunta: e aí? No que isso vai dar?  E, geralmente, essa é a hora em que tudo acaba. Tenho um amigo que diz que essa situação-indefinida costuma se estender por no máximo uns três meses - mas ele também diz que ele é mestre em fazer com que se estenda mais.  

Ao mesmo tempo que tenho certeza que muita gente - homens e mulheres - está lendo isso e pensando que é bem assim mesmo, aposto que tem gente que ainda não está compreendendo muito bem. E pensando que estou exagerando ou generalizando demais. Vamos então tomar emprestadas as palavras da dupla Zé Ricardo e Thiago, para que essas pessoas compreendam melhor. É assim que funciona:   
 
 


Pode Ou Não Pode

Zé Ricardo e Thiago

Agora sou eu quem mando,
Agora, eu que decido
O que pode ou não pode
Há! Deixa comigo!

Beijar na boca, pode!
Fazer gostoso, pode!
E se apaixonar?
Não pode! Não pode! Não pode!

Tirar a roupa, pode!
Morder o pescoço, pode!
E ligar no outro dia?
Não pode! Não pode! Não pode!

Dar presente, pode!
Fazer surpresa, pode!
E se for aliança?
Não pode! Não pode! Não pode!

Oh oh, oh oh, oh oh, oh
O que pode ou não pode
Eu que decido meu amor

Oh oh, oh oh, oh oh, oh
O que pode ou não pode
Eu que decido meu amor

- Zé, as Turbinadas?
- Pode!

- E beijar no banheiro?
- Pode!

- E namorar com você?
- Não pode! Não pode! Não pode!

- Fazer loucura?
- Pode!

- E dar um perdido?
- Isso pode!

- Postar foto na internet?
- Não pode! Não pode! Não pode!

Oh oh, oh oh, oh oh, oh
O que pode ou não pode
Eu que decido meu amor

Oh oh, oh oh, oh oh, oh
O que pode ou não pode
Eu que decido meu amor


Estão vendo que eles chamam de "meu amor"? Lembram o que eu falava sobre comportamento esquizofrênico? Hehehe Eles também gostam muito de nos chamar de "linda". Sei lá, acho que é para não confundir os nomes. Eu já fico logo antenada: o cara me chamou de linda, já tem meu pé atrás. ;)

Voltando à análise do filme. Agora quero falar do viés da submissão da mulher (como se já não o fosse quando o homem manipula a "pseudo-relação" desse jeito). Mas, enfim, alguém pode alegar que as mulheres aceitam e que, no fundo, elas estão no comando - porque sim, geralmente somos nós que dizemos que queremos parar. Ok, poderíamos fazer uma análise mais aprofundada sobre isso, mas deixa assim. O que me chamou mais atenção e me deixou furiosa  é que por trás do filme está a ideia de que os homens só agem assim porque não acharam a "mulher certa". 

WTF???

Peraí, deixa eu entender: os homens só possuem esse comportamento por nossa culpa? Por que nós não somos "a" mulher certa? Claro... a culpa é das mulheres! Por que não pensei nisso antes? #sqn

Machismo é pouco, né baby? 

Deixa eu explicar uma coisa. Não, a culpada não é a mulher. Não somos nós que não somos boas o suficiente.

Para começar, nem existe essa história de "a mulher certa". Alô?? Já passamos da idade dos contos de fadas, só para constar. O que existem são pessoas com afinidades que gostam de compartilhar momentos juntos - tanto bons, quanto ruins. 

Ok, agora você homem que acha esse comportamento bacana está pensando: "sim, e qual o problema de 'compartilharmos momentos juntos', aproveitando o que várias pessoas têm de bom, já que não existe apenas uma 'pessoa certa' mesmo? Por que se prender a apenas uma e abrir mão de todo um mundo de possibilidades?"

Não sou eu que responderei isso a você. É a vida. 
Deixe-me apenas adiantar uma informação: não é a "mulher certa" que vai aparecer um dia e te fazer mudar de opinião. É você que vai se permitir enxergar uma mulher desse jeito. 

Meninas, sei que algumas de vocês devem estar querendo que eu responda como uma mulher de verdade encara uma situação dessas. A resposta é muito simples: uma mulher de verdade faz o que tem vontade, do jeito que tem vontade.

Se quiser estar na lista de alguém - ou alguéns, e também ter a sua própria lista (por que não?) - vá em frente, a vida é sua.

Se preferir ficar quietinha e não desperdiçar sua energia em pseudo-relacionamentos desse tipo, você está certíssima também.

O importante é que você esteja ciente de suas próprias vontades, de seus valores, de suas crenças, de seus desejos e não se sujeite ao que outra pessoa quer. Não se violente.

Na verdade, "o que pode ou não pode" quem decide é VOCÊ.

#naosesujeite

Refletindo a Lua

Lua cheia inspira amores. Inspira escritores.
Malú Oliveira, que divide comigo o blog Remix v.2, foi uma das inspiradas pela última lua e compartilha conosco belíssimas palavras. Obrigada, Malú!
Apreciem comigo...


Por isso a visão da lua foi especial: ela me mostrou como tudo é pequeno! Como posso passar o dia inteiro pensando em uma única coisa se a lua está ali pra me mostrar que um universo inteiro existe? E o melhor, dentro e fora de mim!





Sentei em frente ao computador e já comecei a digitar as palavras. Comecei porque se pensasse muito sei que logo desistiria de escrever. Comecei porque basta começar para as palavras ganharem vida própria. Mas a pergunta é: o que me inspirou? 

Posso dizer que o que me “inspirou” foi uma recaída de um amor perdido, foi a dor de cotovelo que tomou conta de mim neste dia que, inicialmente, era perfeito. Poderia também dizer que vim para dizer que não é fácil se curar de um amor, que requer tempo e paciência. Poderia falar mil coisas e tentar fazer você construir barreiras entre o seu coração e o que você sente.

Mas não vim falar sobre isso. 

Só para situar vocês que leem: eu estava voltando da academia e, quando olhei para o céu, vi a lua. Cheguei em casa, sentei em uma cadeira de frente para a janela e fiquei observando-a saindo de trás das nuvens.

Nada havia de especial com ela, mas comigo. Meus olhos se abriram para algo tão simples e tão belo. 

Quando passamos o dia inteiro olhando apenas para dentro de nós mesmos com tantos pensamentos destrutivos, facilmente nos sentimos sem esperança. Por isso a visão da lua foi especial: ela me mostrou como tudo é pequeno! Como posso passar o dia inteiro pensando em uma única coisa se a lua está ali pra me mostrar que um universo inteiro existe? E o melhor, dentro e fora de mim!

Entre lua, estrelas e nuvens, também vi as luzes de um avião, e desta vez eu não lembrei com angústia das viagens que já fiz, mas pensei nas muitas viagens que ainda vou fazer, nos muitos lugares e pessoas que vou conhecer. Hoje o céu me ensinou a olhar as coisas de outra forma e tentar, mesmo que com dificuldades, sair de trás das nuvens. 

2CELLOS - Violoncelos, rock e um pouquinho mais

2CELLOS - Violoncelos, rock e um pouquinho mais
Eles são tão talentosos, que a gente nem percebe o quanto são deslumbrantemente lindos - jura que não ;) 

A dupla de violoncelistas croatas 2CELLOS está encantando o mundo com sua forma ousada de fazer o rock adentrar a música erudita - ou seria o contrário?  

Surpreendente, contagiante, esteticamente envolvente [agora estou me referindo à música mesmo, ok?]

Confira abaixo o vídeo Thunderstruck, lançado no Youtube em 18/02/2014, e entenda sobre o que estou falando.  

Ok, confesso, tornando-me uma #cellogirl em 3... 2... 1... 




E vocês, o que acharam de Luka Sulic e Stjepan Hauser?

Tendências fashion verão 2014 - Parte II

Gurias, para fechar com "chave de ouro" nossa série sobre as tendências fashion do verão 2014, ainda citaremos alguns modismos que já eram queridinhos nas ruas em 2013, as formas geométricas e o cropped, terminando por falar nas inovações de 2014, as estampas tropicais, os bodies e macacões.

Quem nunca se deu conta de que as formas geométricas representavam "o último grito da moda" ao se deparar, inúmeras vezes, seja em vitrines, revistas ou blogs, com o famoso short-saia de pontas ou assimétrico? Escolha de 10 entre 10 fashionistas de plantão, a peça invadiu, feito uma avalanche, o closet da gurizada, sendo elaborada nas mais diferentes e encantadoras cores e fazendo as parcerias mais inesperadas (t-shirts, bodies, camisas, dentre outras infinitas possibilidades). Transita ele por vários estilos, participando de looks mais despojados, quando incrementa peças básicas como regatas e rasteirinhas, e prestando apoio a produções que objetivem algo mais glamouroso, aliado a scarpins e blazers.      



     
As formas geométricas aparecem também, largamente, em estampas, dando um toque de criatividade, de forma divertida e fresh. Contudo, assim como as estampas citadas no post anterior, devem ser usadas com moderação, obrigando-nos, muitas vezes, a dar preferência a peças únicas e menos amplas, evitando, assim, chamar muito a atenção! 


O cropped, apesar de não ter sido tão visto por aí em 2013, limitando-se às mais ousadas e moderninhas, promete dizer a que veio no ano que se inicia, sendo mais uma aposta da indústria da moda. Vamos combinar que não é qualquer uma que consegue "segurar" o look e despertar admiração utilizando o top mais curtinho, seja pelo excesso de "gostosura" onde, justamente, o corpo aparece, deixando a área maior, ou pelo excesso de pele à mostra, descambando para a vulgaridade. Neste caso, uma regra deve ser fielmente seguida, a de jamais deixar o umbigo à mostra!!!!

   
Como vocês puderam perceber, não é nada difícil deixar um look cropped perfeitamente elegante, principalmente, de acordo com minha modesta opinião, quando o top faz parceria com uma bela saia longa. Outra coisa a que devemos prestar muita atenção é que, quanto mais chique queremos a produção, mais nobre deve ser o tecido da peça. Assim, nos eventos que pedem algo mais elegante, a renda e os tecidos mais brilhosos, como o cetim, são um excelente investimento! 

Falando agora nas tendências que surgiram com a virada do ano, as estampas tropicas vêm com tudo! Da mesma forma que as geométricas, são divertidas e fresh, e, se não usadas da forma adequada (quando o mais é, literalmente, mais), carregam a produção. São estampas gostosas de se olhar e que remetem muito ao clima brasileiro, um legítimo visual "À La Carmen Miranda", coloridas, alegres e afrodisíacas, despertando uma variedade de sensações! Take a look!

         
      
São muitas frutas, flores, formas e cores que transforam uma única peça na "cara do verão", não concordam? Não tem como não amar e se deliciar, pois é uma estampa que, além de transmitir um verdadeiro sentimento de alegria, carrega uma variedade de combinações, apresentando uma enorme gama de nuances e desenhos! Use e abuse da estampa tropical, adquira peças únicas, em que se apresenta ela como verdadeira protagonista, ou faça dela uma perfeita coadjuvante, seja em peças menores, complementadas por outras neutras, ou até mesmo em acessórios, um arraso!   


Gurias, agora é a vez da minha tendência preferida, o body (óinnnnnnnn)! Há anos ele vai e vem no mundo fashionista, recebendo as mais variadas denominações (como collant, por exemplo) e sendo fabricado nas mais diferentes estações. Peça coringa, o body nunca perde a elegância, "conversando" com shorts, saias, calças, surgindo em uma cor só ou em estampas variadas. Seu shape enxuto, permite o alongamento instantâneo da silhueta, principalmente quando fabricado em tecidos mais grossos,"desenhando" o corpo, soooooo sexy!  

           

Uma dica importante é a de que o maiô pode fazer as vezes de body, aliado a peças mais formais (para além do visual praiano) e de utilização diária, como jeans, sempre com sapatos apropriados, como anabelas, plataformas, sandálias e afins. Abuse dos acessórios e invista em peças coloridas, você estará esbanjando sensualidade!     


Por último, mas não menos importantes, os macacões vêm ganhando espaço e figurando como sinônimo de elegância. Além de se apresentarem como peças fáceis de se usar, pois não requerem muita prática nem habilidade na arte de combinar, são versáteis, apropriados para ocasiões menos formais, quando fabricados em tecidos menos nobres e em formatos mais despojados, e ocasiões que pedem uma produção mais elegante, com tecidos de efeito, shapes enxutos e longilíneos e acessórios poderosos. 


           




Fernanda Alvim é sagitariana, apaixonada, teimosa, convicta, impulsiva e aficionada por limpeza e moda. Sua coluna Mulheres e Moda é repleta de dicas sobre como vestir-se bem sem gastar muito.