Como lidar com pessoas doidas

Quando assisti Patch Adams - o amor é contagioso, uma constatação me chocou: como uma das personagens do filme, eu também teria sido assassinada pelo doido. Lembram dessa cena? A mocinha do filme, solidária que era, atende ao chamado de um dos pacientes à noite, indo à casa dele prestar ajuda, quando é assassinada. Motivo? Nenhum, o cara era apenas um desequilibrado mental.




A namorada assassinada no filme.
Na vida real, foi o melhor amigo de Patch Adams que foi assassinado. 

Estamos rodeados de doentes assim, mesmo que nem sempre consigamos reparar nisso. Eu, particularmente, sou uma pessoa que atraio gente doida. Por um simples fato: eu bato palma pra doido dançar. Quer dizer, como a mocinha do filme, eu me solidarizo, dou carinho e atenção. Converso, converso, converso... atendo nos momentos em que estão em desequilíbrio, falo as "coisas certas" que apaziguam seus corações nessas horas. 

Isso parece bom? Mas não é. Porque a paz dessas pessoas é temporária. Os fantasmas estão dentro delas, não fora. E quando elas entram em desequilíbrio de novo, quem elas procuram? Bingo! Você. 

São sempre variações dos mesmos problemas, com os quais não conseguem lidar devido a imaturidade, insegurança e uma dose de loucura. Algumas pessoas são apenas emocionalmente instáveis. Outras são malucas mesmo - e me perdoem a falta do "politicamente correto".

Adivinhem o que acontecerá a primeira vez que você não estiver completamente disponível para atendê-los? Toda a loucura volta-se contra você. Não importa o que você faça, os anos que você tenha amparado aquela pessoa. Não importa o quanto seja gentil. Ela se voltará contra você com a mesma força que você a viu fazer contra os outros "monstros" anteriores.



Como manter-se afastado desse tipo de gente? Difícil, porque essas pessoas estão em todos os lugares. Tenho a impressão de que as redes sociais desvelam mais claramente essas nuances da personalidade delas. Quando comecei a frequentá-las, na época do finado Orkut, fiquei impressionada com o que lia nos fóruns das comunidades. Num primeiro momento, eu tentava encontrar justificativas para a grande "concentração de gente doida":

- Ah, mas nessa comunidade isso acontece porque é de fãs de uma boy band, todo tipo de fanatismo tem algum desequilíbrio por trás.  

- Ah, mas aqui isso acontece porque é comunidade de uma doença grave, as pessoas estão desequilibradas por estarem passando por isso.

Mas, de repente, comecei a perceber que em toda comunidade isso se repetia: qual seria o motivo de desequilíbrio, por exemplo, das pessoas numa comunidade de funcionários concursados de uma grande empresa? E quando comecei a analisar os comentários de sites de notícias... já tiveram essa experiência? Minha conclusão: onde houver pessoas reunidas, haverá gente doida no meio, simplesmente porque muitas pessoas de fato SÃO doidas. Não importa o grau de escolaridade, a classe social, o emprego que têm. Sempre haverá os doidos que desestabilizam o grupo. 


Diz o ditado que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Ninguém que está nesse mundo é completamente maduro e equilibrado a todo tempo. Então o nosso desafio maior é perceber qual o limite da loucura do outro que não nos afeta. Quando começar a impactar na nossa vida, a nossa paz, por mais carinho que você tenha pela pessoa, é hora de se afastar. Frio? Desumano? Não. É uma questão de preservação. Existem várias formas de ser assassinado por um doido, não necessariamente a morte física.

Portanto, não dê poder para quem não tem. Preserve-se. Concentre-se nas suas próprias loucuras e deixe que cada um cuide da sua.  

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1 comentários:

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13 de outubro de 2013 16:29 delete

Reflexão bastante interessante, Ana, bastante. Uma coisa é certa: quero distância de gente assim. SEMPRE.

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