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O Perdão e A Cabana

Há algum tempo, imersa nas camadas mais profundas do meu Eu depois de uma grande decepção, comecei novamente a leitura desse livro que havia começado em 2009 e parado ainda nas primeiras páginas. Por que decidi por ele entre tantos outros títulos disponíveis na estante? A única explicação que encontrei foi: aquela era a hora.
Não serei estraga prazeres em contar a história, mas falarei sobre como ela mexeu comigo. 

Lembremos que a mulher que abriu o livro e começou a sua leitura estava destruída emocionalmente e não dormia há quatro noites. Sabia que a dor passaria (sempre passa), mas queria saber quando.  

Nos primeiros capítulos, o assassinato de uma menina de seis anos já remexeu com as coisas dentro dela e fez que com que sua atenção fosse deslocada para quem realmente a merecia: sua filha de quatro anos. Nos capítulos seguintes, compartilhando do encontro com Deus, Jesus e o Espírito Santo narrado na história, foi, a cada novo diálogo, relembrando quem era, relembrando filha de Quem era e de seu lugar no mundo. E assim foi resgatando a si mesma do lugar escuro em que estava.

Foi percorrendo e resignificando seus sentimentos durante a leitura de tal forma que, quando chegou no trecho sobre perdão, já havia há horas dito a quem a ferira que o perdoava. E, com isso, já estava leve e plena novamente, apesar de ainda fragilizada.

Se o livro trouxe alguma novidade? Não. Tudo o que lá estava já era verdade para ela e, talvez por isso, tenha sido tão facilmente assimilado.

Selecionei três trechos que gostaria de compartilhar com vocês, todos eles falas do Espírito Santo ou do próprio Deus ao personagem principal.  


Sobre as nossas verdades e emoções...

- Na verdade, não há muito o que entender. As emoções simplesmente são. Nem boas, nem ruins, apenas existem. Eis algo que vai ajudá-lo a entender melhor: Os paradigmas dão força às percepções e as percepções dão força às emoções. Não se assuste, vou explicar. A maioria das emoções são reações àquilo que você percebe: o que acha verdadeiro numa determinada situação. Se sua percepção for falsa, sua reação emocional a ela também será falsa. Então verifique suas percepções e além disso verifique a verdade de seus paradigmas, dos seus padrões, daquilo que você acredita. Só porque você acredita firmemente numa coisa não quer dizer que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que acredita. Quanto mais você viver na verdade, mais suas emoções irão ajudá-lo a ver com clareza. Mas, mesmo então, não confie mais nelas do que em mim.   


Sobre responsabilidades e expectativas...

- Se você e eu somos amigos, há uma prontidão dentro de nosso relacionamento. Quando nos vemos, ou quando estamos separados, há a prontidão de estarmos juntos, de rirmos e falarmos.  Essa prontidão não tem definição concreta: é viva, dinâmica, e tudo que emerge do fato de estarmos juntos é um dom único que não é compartilhado por mais ninguém. Mas o que acontece se eu mudar "prontidão" por "expectativa", verbalizada ou não? Subitamente a lei entra no nosso relacionamento. Agora você 'espera' que eu aja de um modo que atenda às suas expectativas. Nossa amizade viva se deteriora rapidamente e se torna uma coisa morta, com regras e exigências. Não tem mais a ver com nós dois, mas com que os amigos 'devem' fazer ou com as responsabilidades de um bom amigo. 


Sobre o perdão...

- O perdão existe em primeiro lugar para aquele que perdoa, para libertá-lo de algo que vai destruí-lo, que vai acabar com a sua alegria e sua capacidade de amar integral e abertamente. Você acha que esse homem se importa com a dor e com o tormento que lhe causou? No mínimo ele se alimenta de seu sofrimento. Você não quer cortar isso? Ao fazê-lo, irá libertar o homem de um fardo que ele carrega, quer saiba ou não, quer reconheça ou não.
(...)
Eu já lhe disse que o perdão não cria um relacionamento. A não ser que as pessoas falem a verdade sobre o que fizeram e mudem a mente e o comportamento, não é possível um relacionamento de confiança. Quando você perdoa alguém, certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro.
(...)
O perdão não desculpa nada. Acredite, esse homem pode ser qualquer coisa, menos livre. E você não tem o dever de fazer justiça nesse caso. Eu cuidarei disso.


Então, encerremos falando em perdão. Ele nos liberta e nos desvincula do outro. Perdoar não quer dizer esquecer, não quer dizer que o outro deixe te ter culpa pelo que fez, nem tampouco que você deve se tornar amiga da pessoa. Perdoe, solte as amarras. Não importa o que vai acontecer com o outro a partir disso, porque você já estará muito além.  

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