Amor ou paixão: o que preferir?



A novela "A vida da gente" levantou uma interessante discussão sobre amor e paixão. O que precisamos saber sobre a história para debatermos o tema é o seguinte:
Duas irmãs dividem o amor do mesmo homem num contexto muito peculiar. A primeira vive com ele uma grande paixão de juventude que tem como fruto uma criança. Influenciada pela mãe, afasta-se dele. Devido a um acidente, entra em coma, quando a irmã assume os cuidados com a sobrinha. Ela chama o pai à responsabilidade, ajuda-o a crescer como pessoa para que possa desenvolver-se em sua paternidade e, ao longo dos anos, acabam construindo uma relação de amor e casando-se. A irmã acorda do coma depois de 5 anos, quando começa a confusão de sentimentos. 

Na internet, o público manifestava opiniões contrastantes: uma parte queria que ele ficasse com uma, outra parte queria que ele acabasse a trama com a outra.      

O que teria mais valor: paixões avassaladoras ou um amor sólido construído pela relação

Em nossa cultura ocidental, embora no discurso o amor seja mais importante, o que nos move mesmo são as paixões. Queremos uma paixão de nos tirar o fôlego, que invada nossos pensamentos e nos faça manter o sorriso bobo durante todo o dia. Ansiamos pelo coração batendo acelerado e por todas as descargas químicas que, convenhamos, nos deixam até meio desequilibradas. 

Foto: Love is parking - DesertMonsterBell

Para nós, o caminho certo dos acontecimentos é: uma grande paixão que, com o tempo - dois anos é o que dura uma paixão, dizem os estudos -, vai se transformando em amor - será que em muitas vezes não se transforma é em costume e comodismo?

Nas regiões em que o casamento acontece por arranjo, o fluxo das coisas ocorre de modo diferente. É claro que nós vamos pensar: "Nós estamos certos e eles errados. Como eu poderia casar-me com alguém que nem conheço? Como poderia relacionar-me com uma pessoa sem paixão?" 

Lembro-me de uma colega de faculdade que era cigana e tinha um noivo prometido. Achava muito interessante ouvi-la contar suas histórias - apenas a parte permitida, porque muita coisa não pode ser compartilhada com quem não é cigano. Para ela, aquilo tudo era muito natural e, em momento algum, ela mostrava descontentamento ou medo de que seu casamento não fosse bem sucedido, que não viesse a amar o marido. Poderia acontecer? Possivelmente - não existem mães que não amam seus filhos e vice-versa? Mas a possibilidade de construção do amor também existe, não é mesmo? E se existe uma boa vontade proveniente de fatores culturais, essa possibilidade se torna ainda maior.

Gostaria de encontrar uma pesquisa sobre a felicidade das mulheres casadas aqui e lá. Será que nós somos mais felizes porque nos apaixonamos e casamos com quem escolhemos? 

Mas se nossos pais não vão nos arranjar um bom casamento, do que essa discussão toda nos adianta?

Bem, meninas, para estarmos atentas. No post Don Juans: mantenha distância... Ou não eu falava sobre o tipo de homens que gostamos, mesmo sabendo da grande possibilidade de haver "gritos e ranger de dentes" ao final. "Onde estão os homens decentes? Na sua zona de amizade, bem onde você os deixou".   

Como bem disse uma amiga: "Se o amor batesse à nossa porta, possivelmente não o deixaríamos entrar." Não é isso o que queremos. E, o mais contraditório, é exatamente isso que queremos, que sabemos que nos fará felizes, só que partimos do principio de que só acontecerá se seguido de uma grande paixão. 

Mas... será mesmo?




Agradeço às minhas queridíssimas amigas Paula e Andreia que me contaram a história da novela - já que não assisto televisão desde 2009 - e empreenderam comigo toda essa reflexão numa saída de sábado à noite. Algumas mulheres vão pra balada, outras entretem-se em debates filosóficos... hehehe.