Como recuperar maquiagem quebrada?

Aquela sua maquiagem adorada caiu no chão e esfarelou toda? Nada de pânico! Com essa dica super fácil você consegue recuperar a maquiagem quebrada e deixá-la pronta para o uso novamente.

A técnica é simples: misturar a maquiagem esfarelada com álcool, fazendo uma pasta, depois recolocá-la no estojo e aguardar secar. Em algumas horas, ela estará novamente compactada. Pode ser usado álcool gel ou líquido, mas em gel é mais fácil de alcançar a consistência ideal.
Dizem que você também pode usar perfume ao invés do álcool, mas isso nunca experimentei.

Conheci essa dica no Youtube há alguns anos e já usei algumas vezes, sempre com sucesso. Dessa vez, recuperei um pó compacto que havia estragado de tanto chacoalhar dentro de malas de viagem e um kit de sombras que eu havia acabado de trazer dos Estados Unidos e deixei cair no chão (aff).

Vejam as minhas fotos do antes, durante e depois do processo:




Reparem que o pó rachou um pouco depois de seco, possivelmente porque eu exagerei na quantidade de álcool. Mas mesmo assim está muito melhor de usar do que anteriormente.

Acompanhem abaixo um dos vários vídeos do Youtube que ensinam como renovar maquiagem quebrada, compactando pó, blush e sombras:

De repente solteira... e agora?


O senso comum diz que a melhor forma de curar uma dor de amor é um novo amor. Mas muita calma nessa hora! Estar solteira pode ser uma experiência muito rica de autoconhecimento e consolidação de sua individualidade, duas coisas que são fundamentais para seu fortalecimento como mulher e que podem ajudá-la em relacionamentos futuros. Portanto, não tenha pressa em substituir um amor por outro.  

Flickr.com - CC vana_gwen

Conhecendo pessoas novas


Isso não quer dizer que você não deva conhecer pessoas novas. Pelo contrário! Que tal curtir o que a solteirice tem de bom? Uma dessas coisas é a possibilidade de sair com quem quiser, na hora que quiser, conhecer os amigos dos amigos, fazer programas que você nunca fez, ousar coisas novas. Assim, você pode descobrir e gostar de coisas que nunca imaginou que gostaria e também conhecer companhias divertidas.

Uma dica? Procure as amigas solteiras, convide-as para sair ou até mesmo convide-se para sair com elas. No início pode ser meio forçado, você pode se sentir "uma estranha no ninho", mas aos poucos vai se ambientando e tomando gosto. O importante é não desistir caso encontre dificuldades iniciais.

Ok, entendo que às vezes ficamos inseguras para fazer isso, especialmente se estamos saindo de relações longas. Mas temos opções para contornar essa insegurança inicial. 


A internet como aliada para conhecer pessoas


Quando perguntei a um amigo separado recentemente como ele fez para conhecer pessoas novas, ele me respondeu: "Vou confessar: o mundo virtual é o meu forte". Na internet, ele conta que se sentia mais poderoso, que conseguia falar as coisas certas na hora certa, que ficava mais confiante para conversar com as pessoas. 

Mas a pergunta persiste: onde e como conhecer gente interessante na internet? Além das redes sociais, como Twitter e Facebook, há diversos sites desenvolvidos justamente para esse fim. Muitos deles são pagos, em outros você precisará de uma aprovação dos membros do site para entrar, mas há também sites gratuitos em que qualquer um pode cadastrar-se, como o Badoo

Mesmo que você nunca encontre pessoalmente essas pessoas, elas podem lhe garantir distração e boas risadas online. Tudo na segurança da sua casa. 

Falei em segurança? Muita atenção a isso, meninas! Da mesma forma que você não sai por aí contando suas informações pessoais a alguém que acabou de conhecer na rua, também tenha muito cuidado com o que compartilhará na internet. Na rede, as pessoas tendem a se aproximar e a ficar íntimas muito rápido. Isso é bom por um lado, mas pode ser perigoso por outro, portanto, cuidado com o que você fala, ou melhor, escreve. 

Flickr.com - CC Teatro para alguém

Se algum dia você resolver se encontrar com alguém, tente checar se as informações que lhe foram passadas pela pessoa são verdadeiras, opte por lugares públicos e sempre avise alguém onde, com quem e até que horas você estará. 

Se eu acho que conhecer pessoas na internet é mais perigoso que na vida real? Não acho. Pessoas são pessoas. Ponto. Um psicopata pode estar do outro lado da tela do seu computador como pode estar sentado numa mesa próxima à sua no trabalho. Se eu acho que você deve ter cuidado? Sempre

A ideia aqui é conversar com pessoas novas, sobre assuntos novos, distrair-se. Não quer dizer que precise virar uma amizade, uma ficada ou namoro. Desencane dessa seriedade toda! 

Não significa que você não possa conhecer pessoas interessantes que passem a fazer parte de suas relações daqui pra frente. Eu, particularmente, tenho amigos e amigas MUITO especiais que fiz pela internet. Gente importante na minha vida mesmo. E não são poucos!

E você, tem alguma história de amizade virtual para contar?
E quem aqui conhece um namoro ou casamento iniciado na internet levanta a mão? o/  


#publieditorial

Dia da Amazônia... e eu com isso?

Dia 5 de setembro é o Dia da Amazônia e a pergunta que o Greenpeace nos faz é:
Você é a favor do desmatamento da Amazônia e das outras florestas brasileiras? Nem a gente. O Brasil já tem área desmatada suficiente para dobrar sua produção de alimentos; basta que o campo receba investimentos em eficiência na produção e recuperação de áreas desmatadas. É para isso que servirá a lei do desmatamento zero



A lei do desmatamento zero é uma proposta de lei popular, assim como foi a Lei da Ficha Limpa - uma importante conquista da população brasileira que está valendo nas eleições deste ano. 

Para que uma proposta de lei popular seja aceita pelo Congresso, é necessário que venha assinada por 1,4 milhões de eleitores.  

Se você se preocupa com o futuro das nossas florestas, mas até agora achava que não podia fazer nada [além de economizar papel], saiba que pode fazer muito - e sem gastar nada além de 1 minuto do seu tempo - assinando a petição abaixo ou clicando aqui para assinar direto na página do Greenpeace.



Quem quiser, ainda pode participar da competição da Liga das Florestas, ajudar a compartilhar essa causa e concorrer a camisetas e brindes do Greenpeace.

Vai assinar ou ficar aí só reclamando que os políticos não fazem nada para acabar com o desmatamento?
Pra quem assinou, nosso muito obrigada (meu, da minha filha e dos meus netos que ainda vão nascer).

O Perdão e A Cabana

Há algum tempo, imersa nas camadas mais profundas do meu Eu depois de uma grande decepção, comecei novamente a leitura desse livro que havia começado em 2009 e parado ainda nas primeiras páginas. Por que decidi por ele entre tantos outros títulos disponíveis na estante? A única explicação que encontrei foi: aquela era a hora.
Não serei estraga prazeres em contar a história, mas falarei sobre como ela mexeu comigo. 

Lembremos que a mulher que abriu o livro e começou a sua leitura estava destruída emocionalmente e não dormia há quatro noites. Sabia que a dor passaria (sempre passa), mas queria saber quando.  

Nos primeiros capítulos, o assassinato de uma menina de seis anos já remexeu com as coisas dentro dela e fez que com que sua atenção fosse deslocada para quem realmente a merecia: sua filha de quatro anos. Nos capítulos seguintes, compartilhando do encontro com Deus, Jesus e o Espírito Santo narrado na história, foi, a cada novo diálogo, relembrando quem era, relembrando filha de Quem era e de seu lugar no mundo. E assim foi resgatando a si mesma do lugar escuro em que estava.

Foi percorrendo e resignificando seus sentimentos durante a leitura de tal forma que, quando chegou no trecho sobre perdão, já havia há horas dito a quem a ferira que o perdoava. E, com isso, já estava leve e plena novamente, apesar de ainda fragilizada.

Se o livro trouxe alguma novidade? Não. Tudo o que lá estava já era verdade para ela e, talvez por isso, tenha sido tão facilmente assimilado.

Selecionei três trechos que gostaria de compartilhar com vocês, todos eles falas do Espírito Santo ou do próprio Deus ao personagem principal.  


Sobre as nossas verdades e emoções...

- Na verdade, não há muito o que entender. As emoções simplesmente são. Nem boas, nem ruins, apenas existem. Eis algo que vai ajudá-lo a entender melhor: Os paradigmas dão força às percepções e as percepções dão força às emoções. Não se assuste, vou explicar. A maioria das emoções são reações àquilo que você percebe: o que acha verdadeiro numa determinada situação. Se sua percepção for falsa, sua reação emocional a ela também será falsa. Então verifique suas percepções e além disso verifique a verdade de seus paradigmas, dos seus padrões, daquilo que você acredita. Só porque você acredita firmemente numa coisa não quer dizer que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que acredita. Quanto mais você viver na verdade, mais suas emoções irão ajudá-lo a ver com clareza. Mas, mesmo então, não confie mais nelas do que em mim.   


Sobre responsabilidades e expectativas...

- Se você e eu somos amigos, há uma prontidão dentro de nosso relacionamento. Quando nos vemos, ou quando estamos separados, há a prontidão de estarmos juntos, de rirmos e falarmos.  Essa prontidão não tem definição concreta: é viva, dinâmica, e tudo que emerge do fato de estarmos juntos é um dom único que não é compartilhado por mais ninguém. Mas o que acontece se eu mudar "prontidão" por "expectativa", verbalizada ou não? Subitamente a lei entra no nosso relacionamento. Agora você 'espera' que eu aja de um modo que atenda às suas expectativas. Nossa amizade viva se deteriora rapidamente e se torna uma coisa morta, com regras e exigências. Não tem mais a ver com nós dois, mas com que os amigos 'devem' fazer ou com as responsabilidades de um bom amigo. 


Sobre o perdão...

- O perdão existe em primeiro lugar para aquele que perdoa, para libertá-lo de algo que vai destruí-lo, que vai acabar com a sua alegria e sua capacidade de amar integral e abertamente. Você acha que esse homem se importa com a dor e com o tormento que lhe causou? No mínimo ele se alimenta de seu sofrimento. Você não quer cortar isso? Ao fazê-lo, irá libertar o homem de um fardo que ele carrega, quer saiba ou não, quer reconheça ou não.
(...)
Eu já lhe disse que o perdão não cria um relacionamento. A não ser que as pessoas falem a verdade sobre o que fizeram e mudem a mente e o comportamento, não é possível um relacionamento de confiança. Quando você perdoa alguém, certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro.
(...)
O perdão não desculpa nada. Acredite, esse homem pode ser qualquer coisa, menos livre. E você não tem o dever de fazer justiça nesse caso. Eu cuidarei disso.


Então, encerremos falando em perdão. Ele nos liberta e nos desvincula do outro. Perdoar não quer dizer esquecer, não quer dizer que o outro deixe te ter culpa pelo que fez, nem tampouco que você deve se tornar amiga da pessoa. Perdoe, solte as amarras. Não importa o que vai acontecer com o outro a partir disso, porque você já estará muito além.  

O que dizer sobre crianças fashionistas?

Quando o assunto é crianças fashionistas, as opiniões podem ser contraditórias. Apesar de eu achar uma gracinha uma criança vestida como nas fotos abaixo (e sempre parar para admirar a vitrine infantil da Zara), não posso concordar com exageros.





Não posso dizer que acho normal a pequena Suri Cruise, aos 5 anos de idade, ter sido eleita uma das mulheres mais bem vestidas do mundo pela revista Glamour, com um guarda-roupa estimado em 5,3 milhões de dólares! [Na verdade, não considero normal que qualquer pessoa no mundo - exceto a Rainha da Inglaterra (rs) - tenha um guarda-roupa estimado nesse valor, mas o fato de ser uma criança torna o dado ainda mais impactante.] 

Suri Cruise
Em abril de 2011, uma reportagem sobre o Fashion Weekend Kids que trazia entrevista com socialites brasileiras me deixou chocada. "Eu não imagino minha filha colocando uma roupa da Renner nem pra dormir" - disse uma delas. Quando li, pensei: "Eu também não! Porque as roupas infantis da Renner são muito caras, jamais deixaria minha filha dormir com elas."

Não adianta eu tentar entender o que se passa na cabeça dessas pessoas, porque nós pertencemos a mundos diferentes. Fico imaginando que elas foram criadas exatamente como estão criando as filhas agora e, portanto, são literalmente sem-noção da realidade. Ou não. Porque a realidade delas é outra. E não é menos real que a nossa, apesar de ser para uma minoria. [Só que entender isso não me faz ficar menos perplexa com as coisas que elas pensam e falam como sendo naturais.]

Mas voltemos ao mundo dos reles mortais...
Eu adoro vestir minha filha toda bonitinha. Muito paty que sou, antes de ela nascer imaginava como estaria sempre arrumadinha e nhem-nhem-nhem. 

Mas sabem qual é a realidade? É que ela precisa usar roupas confortáveis pra correr e se sujar à vontade - sem fazer a mãe chorar por ter manchado "justo aquela roupinha" [e, aliás, como mancham!]. Minha filha não usa saltinho como o da Suri na foto acima, simplesmente porque não quero que ela tenha seus movimentos limitados, problemas ortopédicos ou que tropece e se machuque. [Anjos-da-guarda de crianças já trabalham muito, não precisamos dar ainda mais serviço a eles.]  

A realidade é também que minha filha tem personalidade forte [eu diria que como todas as crianças dessa geração] e os looks que ela escolhe nem sempre são os mais, digamos, coerentes. Então, simplesmente deixo que ela crie seu estilo-árvore-de-Natal. [ok, confesso que só às vezes: dependendo do lugar que nós formos, eu escolho a roupa e pronto. Sem democracia. "Sua mãe sabe mais", trecho de uma canção do desenho Enrolados, é muito cantado aqui em casa.]

Outra parte da realidade é: roupas de crianças são muito caras. E duram 6 meses, um ano no máximo! Aí aquele vestido lindo e carésimo será usado apenas uma ou duas vezes [porque claro que ela não irá em todas as festas com a mesma roupa, não é mesmo?].       

Acho que o segredo da questão está, como sempre, no equilíbrio. Aos quase 5 anos de idade, minha filha é toda ligadinha em saias, vestidos, maquiagens e acessórios. Mas também fica mulambentinha em casa e na escola  - e volta da casa do pai com umas combinações de roupas que... oh my god! 
E é linda e feliz desse jeito, que é o que de fato importa. 

Com vocês... minha princesa:

Minha Amanda - maio/2012 (4 anos)

No primeiro look: ela com seu A-M-A-D-O vestido da Renner (verdade!) e sandalinha transparente que está super na moda (velhinha... herdada da prima mais velha). No segundo: calça jeans (que ela não gosta e sempre reclama pra usar) e as botas que são seu sapato predileto.  

Pão de quinoa de microondas

A receita de pão de quinoa germinada fez o maior sucesso aqui no blog. Hoje compartilho uma receita que é similar, mas bem mais prática. Não necessita deixar a quinoa de molho de um dia para o outro e fica pronta em apenas 3 minutos no forno de microondas. Vamos lá? 

Foto de Flickered - Flickr CC

Pão de quinoa de microondas


Ingredientes:

2 colheres de sopa de farinha de arroz (Não achou? Aprenda como fazer farinha de arroz integral)
1 colher de sopa de farinha de quinoa
1 colher de sopa de sementes de  gergelim
1 colher de sopa de sementes de linhaça moídas
1 colher de chá de leite em pó
1 colher de chá de azeite ou manteiga
1 colher de café de fermento em pó
Sal a gosto
Água que baste

Preparo:

Misture os ingredientes e coloque água até formar uma massa com aparência de massa para bolo.
Unte um refratário pequeno e coloque massa.
Leve ao forno de microondas por 3 minutos em potencia médio-alta (potência 70).
Retire e espere por cinco minutos antes de cortar.

Observações de Regina Racco, autora da receita:
O pão não toma cor, mas fica bem assado, não se preocupe. Fica macio e bem semelhante ao pão integral “normal”. Use-o com seu acompanhamento preferido. Eu me divido entre os dois: adoro o de frigideira, porque fica crocante por fora e macio por dentro, mas quando estou querendo um pão bem mais fofinho, uso esta receita no forno de microondas.


Minhas observações:

Eu uso sempre a farinha de arroz integral e leite em pó de soja, o que torna o pão isento de lactose - desde que você também opte pelo azeite ao invés da manteiga. Adoro o gosto levemente adocicado que o leite confere à receita. 

Para fazer a farinha de quinoa, trituro quinoa em flocos no liquidificador. Mas confesso que, quando estou com pressa (ou com preguiça), uso a quinoa em flocos sem triturar mesmo. E fica bom do mesmo jeito. 

Também testei substituir a semente de linhaça por chia, e adivinhem? Gostei ainda mais com essa modificação! 

Meu acompanhamento preferido é o tahine.  



A autora dessa receita é Regina Racco. 
Recomendo o seu livro A deliciosa cozinha sem glúten. Editora RRacco, 2009, que traz muitas receitas ótimas como essa. 

Nomes inusitados para a agenda do celular

Achei graça ao ver na agenda do celular de uma colega o nome do contato do seu ex-marido: "Falecido".
O fato gerou uma divertida conversa no grupo em que estávamos, na qual fui descobrindo que as pessoas são criativas na hora de renomear os contatos dos "ex-" no celular. Vejam algumas pérolas:

Contato do ex-namorado que aprontou: "Não atende"
Contato da ex-namorada que não te quer mais: "Não ligar pra ela"
Este dispensa explicações: "Sem futuro" (e pode ser até o atual - rs)
E claro que tinha um engraçadinho pra escrever: "Sogra temporária"

Rodrigo Senna - Flickr CC

E você? Já usou sua criatividade na agenda? Conta pra gente!

É preciso aprender a amar

Como passamos a amar alguém, alguma coisa ou até mesmo a nós mesmos?
Nesse pequeno texto, Nietzsche reflete sobre a forma como o amor se desenvolve. Faz isso brilhantemente (em se tratando de Nietzsche, isso é uma redundância, não?), comparando esse movimento com a apreciação de uma nova música. 

“Eis o que nos acontece no domínio musical: é preciso antes de tudo aprender a ouvir uma figura, uma melodia, saber discerni-la com o ouvido, distingui-la, isolá-la e delimitá-la enquanto vida para si: em seguida é preciso esforço e boa vontade para suportá-la, apesar de sua estranheza, usar a paciência para seu aspecto e sua expressão, ternura pelo que ela tem de singular; – vem enfim o momento em que nos habituamos a ela, em que nós a esperamos, em que sentimos que nos faria falta, caso se ausentasse e daí em diante ela não deixa de exercer sobre nós sua imposição e sua fascinação, até que tenha feito de nós seus amantes humildes e maravilhados, que não concebem melhor coisa no mundo e só deseja a ela e mais nada.
Porém não é só na música que isso nos acontece: é justamente assim que aprendemos a amar todas as coisas que agora amamos. Acabamos sempre por ser recompensados por nossa boa vontade, nossa paciência, nossa equidade, nossa ternura com a estranheza, pelo fato de que a estranheza pouco a pouco se desvende e venha  se oferecer a nós como nova e indivisível beleza: aí está a sua gratidão por nossa hospitalidade.
Quem ama a si mesmo só pode ter chegado a isso por este caminho: não há outro. Também se deve aprender a amar.”
(Gaia Ciência, af. 334, Friedrich Nietzsche, 1981, p. 214)

Foto: zuarte bolsas - Flickr CC

Meu adorável psicopata

Falamos anteriormente sobre os encantos e perigos de um homem histérico, aquele sedutor compulsivo, que acaba frustrando as [muitas] mulheres conquistadas, pois, em geral, não consegue aprofundar uma relação além do flerte.  

Hoje falaremos sobre um perfil masculino que pode ser muito perigoso para a saúde emocional das mulheres que por ele se apaixonam  [sim, mulheres no plural]: o perverso. Ele seduz, manipula, vampiriza e mente, causando assim muito desequilíbrio. 


O que há por trás do belo sorriso?



Libertar-se de um sujeito com essa estrutura psíquica é muito difícil. Não raro ele mantém um "harem" de ex-casos amorosos que periodicamente alimenta com sua sedução - e elas derretem-se diante de sua atenção. 


Quais as características predominantes de um sujeito perverso?


A característica mais evidente é a sedução. Mas ao contrário do homem histérico, que seduz por impulso (necessidade inconsciente), o homem perverso seduz com intenção de manipular e controlar as pessoas ao seu redor. Ele pode fazer isso por meio da incitação sexual, do choro ou da sedução de ordem financeira. 

Seduzindo as pessoas de sua relação (independente do gênero/sexo), acaba vitimizando-as e sugando seus recursos e energias, o que marca outra das características comportamentais do perverso: o vampirismo

Os perversos costumam fazer uma escolha narcísica de objeto, quer dizer, ele busca estabelecer relações mais intimas com aqueles que se assemelham com ele ou por quem é como ele gostaria de ser (inveja). 
Sua escolha homossexual de objeto o leva a ter amor somente por si mesmo. Assim, quase nunca leva em consideração os sentimentos e necessidades do outro. 

O problema é que, em seu constante jogo de sedução, ele faz parecer que está atento e sensível aos sentimentos/necessidades da pessoa "amada". Se o perverso tiver alto desenvolvimento intelectual, fica ainda mais difícil acreditar no contrário. Quer dizer, por mais que vários sinais mostrem falta de cuidado em muitos momentos, o discurso e as ações compensatórias  (integrantes do jogo de sedução) geram uma dissonância cognitiva, uma contradição. A mulher apaixonada, diante dessa contradição, precisa escolher em qual das hipóteses acreditará... e adivinhem por qual normalmente ela opta? Claro, geralmente ela é seduzida pela história que ela idealiza, ou mais popularmente dizendo: cai na "conversinha mole".  

Outra característica marcante do perverso é a mentira: é um mentiroso patológico, que sabe mentir muito bem e convencer as pessoas de que está certo. Utiliza de retórica sofística, demagogia e apelo emocional na mentira com o intuito de conseguir o que quer. Ou seja, ele é um ator! Mente descaradamente para tirar benefícios e é capaz de fazer isso mesmo que traga prejuízo para outras pessoas. A teatralidade e a falta de constrangimento são marcas bem características.

Os perversos possuem um sistema de moral e de justiça muito peculiar baseado em sua centralidade narcisista. Por isso podem ter problemas com autoridade. O perverso sente um imenso prazer em desafiar regras morais e legais, sentindo-se desconfortáveis quando estão sob a autoridade de um chefe, parceiro, juiz, policial ou de qualquer outra função normativa. Quando são obrigados a aceitar uma ordem, podem  fazer o serviço mal feito ou sabotar o trabalho.

Quando você se relaciona com um sujeito perverso, você simplesmente  não consegue enxergá-lo assim. As pessoas a sua volta podem lhe alertar, mas a forma como o perverso se constrói pra você conflita com o que as pessoas dizem e, claro, você o conhece melhor do que elas, não é mesmo? Então você vive numa relação infeliz acreditando que está feliz e que as coisas ruins são você mesma que está criando. Um perverso inteligente sempre fará com que a culpa de tudo pareça sua. E ele pode ser muito cruel fazendo isso.

Lembremos que o perverso é um sedutor. Ele fará isso com uma, duas, dez, cem mulheres. Fará isso com mais de uma mulher ao mesmo tempo, inclusive. E elas acreditarão que são únicas, que são diferentes, que são especiais. Elas varrerão todos os sinais do contrário para baixo do tapete. As histórias com outras mulheres que porventura descobrirem serão justificadas com: "Ah... aquela lá era uma louca sem-noção que se apaixonou por ele e queria ser retribuída como eu sou, mas não foi".  E sim, elas acreditarão que todas as outras são passado, porque enquanto ele está com elas ele simplesmente não tem olhos pra mais ninguém. 

Ledo engano: geralmente ele mantém os ex-casos amorosos amarrados por uma cordinha na qual vira e mexe dá uma puxadinha, quer dizer, elas nunca viram totalmente passado, elas não conseguem desvincular-se dele, mesmo que queiram. E, claro, várias novas conquistas estão porvir. 

Mas o título desse post fala sobre psicopatas... cadê eles aqui?
A psicopatia é uma das manifestações mais extremas da personalidade perversa. Trata-se de uma excessiva manifestação de egocentrismo, incapacidade para o amor não narcísico, falta de remorso, vergonha ou culpa, tendência à mentira e à insinceridade, vida sexual impessoal, charme envolvente mas superficial, boa capacidade retórica, inclinação para se fazer de vítima e boa capacidade cognitiva sem comprometimento com a percepção da realidade.

Se você acha que o psicopata é apenas aquele frio serial-killer, está redondamente enganada. Apenas uma pequena parcela deles chega ao extremo de matar [e, infelizmente, você só descobriria estar diante de um deles tarde demais]. 

Os psicopatas leves e moderados estão por toda parte, causando sofrimento ao seu redor, camuflados de pessoas comuns - geralmente "boas pessoas". Pode ser um colega de trabalho, seu marido, um filho. Eles são pelo menos 4% da população, o que significa que temos no mínimo 7 milhões e 660 mil psicopatas no Brasil, ou seja, um a cada 25 pessoas

Você conhece mais de 25 pessoas? Ops! Então você conhece, no mínimo, um psicopata. 

Eles são pessoas frias, manipuladoras, cruéis e destituídas de compaixão, culpa ou remorso. Como perversos que são, utilizam-se de seu charme e inteligência para impressionar, seduzir e enganar quem atravessa o seu caminho. Quer dizer: você não identificará um psicopata facilmente. Você pode, inclusive, passar anos casado com um deles (felizmente, esse não foi o meu caso). 



Como identificar que estou me relacionando com um perverso? E como me libertar dele? 


Em primeiro lugar, preste muita atenção na sua relação. Por mais que você deseje que a linda história de amor que você vive seja real (e que ela realmente pareça bem real pra você), esteja atenta aos sinais contraditórios. Não aceite coisas que a magoam como sendo naturais ou como sendo culpa sua. 

Dificilmente você questionará sua relação se "estiver tudo bem". Portanto, não se acomode. Questione. Ame-se acima de tudo, sempre. 

Se estiver numa relação que apesar de trazer ganhos lhe causa muito sofrimento, é importante refletir. Que tal procurar ajuda? Fazer terapia é um processo de autoconhecimento muito rico para Mulheres de Verdade.  

É difícil identificar que seu grande amor tem uma personalidade perversa. Identificando isso, é difícil aceitar. Aceitando, é difícil desvincular-se - mesmo porque você o ama e quer ajudá-lo a se curar, né? Mas você PRECISA se afastar. Precisa lutar contra sua enorme necessidade por aquela pessoa e contra sua enorme vontade de que ela apareça de repente e prove que toda a ilusão que vocês viveram era real.

Não vai acontecer, baby
Eu sei... "você é diferente", "você é especial". Só que não. 

Afaste-se, apoie-se em seus amigos, viva a filosofia do AA: "um dia de cada vez", "só por hoje".

Se é fácil??? Difícil pra caramba. Mas não é impossível e sei que você pode. E a chave está numa expressão formada por apenas duas palavrinhas: AMOR PRÓPRIO.




Fontes de consulta:   


A ursinha rosa e a cobra psicopata


Era uma vez uma ursinha cor-de-rosa que vivia saltitando pela floresta. Um dia, ela ouviu um barulhinho atrás de uma pedra, foi conferir e se deparou com uma cobra. 


Ela quis fugir, mas a cobra falou: "Vem cá, ursinha"
A ursa disse: "Não! Você é uma cobra!!!"
E a cobra respondeu: "Mas eu sou uma cobra legal, eu vou te dar muito carinho, vou fazer você feliz. Vem cá, me pega..."

["Ela tava mentindo, né mamãe?" - pergunta minha filha de 4 anos. "É, filha, mas a ursinha não percebeu isso"]

A ursinha pegou a cobra, que era bem abusadinha e já começou a enrolar-se nela.
A cobra dizia assim: "Você precisa me amar, você precisa me amar!" E mimava muito a ursinha para que isso de fato acontecesse.

E aconteceu. 
A ursinha passou 7 meses com aquela cobra enrolada a sua volta e nem se importava de sentir-se tão sufocada, porque a cobra a fazia sentir feliz. Às vezes, pelo menos. 

Um dia, a cobra disse: "Ursinha, casa comigo?" A ursinha ficou meio receosa, mas ela amava a cobra e não queria que ela fosse embora. Respondeu que sim. 
Nesse momento, a cobra dá um bote e "NHAC!"... morde bem forte a ursinha, que ficou sem entender nada. 

["Doeu, Mamãe?" - pergunta minha filha]

Sim, doeu muito e a ursinha ficou doente por causa do veneno da cobra. Ela jogou a cobra longe e foi imediatamente socorrida pelos amigos e pela mamãe ursa, que cuidaram muito bem dela.

Mas a cobra não foi embora.
Ficava lá de longe dizendo: "Ursinha, olha pra mim. Ursinha, fala comigo."


- "Não olho, não falo!" - a ursinha respondia firme - "Por que você não me deixa em paz, sua cobra chata, boba e feia?"

- "Porque eu te amo, ursinha, eu preciso de você na minha vida!"

- "Mas você foi capaz de me morder!" - argumentou a ursinha.

- "Eu prometo que nunca mais vou te maltratar" - prometeu a cobra. E completou dizendo coisas como: "Ursinha, você é perfeita pra mim!" "Ursinha, nós somos almas afins" "Ursinha, Tu Es Ma Came" 



["Era mentira de novo, né mamãe?" - As crianças de 4 anos são sábias...]
["Era, filha, mas a ursinha ficou em dúvida"]

Ela permanecia firme em seu propósito de manter a cobra longe. Aí um dia, a cobra tocou no ponto fraco da ursinha: ela chorou. Chorou e também mandou um trecho de "If You Go Away" dos New Kids on the Block numa mensagem pra ursinha. Aí não havia como resistir, né?

Os amigos gritavam: "NÃO, URSINHA, NÃO FAÇA ISSO!"
A mamãe ursa gritava: "URSINHA, A COBRA É UMA COBRA!"

Mas a ursinha pensou: "Ah, a cobra errou como todo mundo pode errar. Mas ela é boa e quer consertar". 

A ursinha deixou a cobra chegar perto dela. E, quando percebeu, a cobra já estava se enrolando nela novamente. Nem bem tinha se enrolado e... "NHAC!" Mordeu de novo. Mas dessa vez nem doeu tanto, porque ela já tinha defesas contra o veneno da cobra. Pensou: "Todo mundo estava certo e eu errada: a cobra é perversa" A ursinha jogou de novo a cobra longe.... beeeeem longe dessa vez, porque ela estava bem forte agora.

E, de repente, quem chega? [Essa é a nossa parte preferida da história]

O incrível Hulk!!! [Pena que vocês não conseguem ouvir meus grunhidos de Hulk e ver toda a minha encenação da próxima cena]

Ele pega a cobra, bate bate bate ela na parede. Bate bate bate ela no chão. Senta em cima, depois levanta ela pro alto e arrebenta a cobra no meio.

E a ursinha nem se importou. A cobra já tinha morrido pra ela mesmo... e nunca mais lhe fez mal.


FIM

Moral da história:
1. Cobras serão sempre cobras: não acredite nelas.
2. "Sua mãe sabe mais". Portanto, faça sempre o que sua mãe diz.
3. Os amigos são a coisa mais valiosa que podemos cultivar.
4. Nunca esqueça que existe um Hulk dentro de você. Desperte-o e acabe com o que lhe faz sofrer.




Leia também neste blog: Meu adorável psicopata


Virando uma ginasta campeã

Este vídeo emocionante retrata a trajetória das ginastas desde o dia em que praticaram Ginástica Rítmica pela primeira vez até tornarem-se ginastas campeãs. A narrativa, que fala do encanto e diversão iniciais, dos treinos árduos e da dor, pode ser transposta para outros esportes também. 



Para mim, mãe de uma menina de 4 anos que já demonstra talento para o ballet, fica a reflexão: é isso que eu quero incentivar na vida da minha filha? Minha resposta hoje é: simplesmente não sei

Encantos e perigos de um homem histérico

Eros quando solteiro foge diante de um possível relacionamento profundo. Mas gosta de manter uma mulher apaixonada sem assumi-la (pela necessidade da certeza de ser amado). Eros histérico continua freneticamente seu jogo de sedução, porém, finalizada a sedução ele não sabe mais o que fazer, ali entra em territórios desconhecidos. Evita um vínculo mais sólido porque seria deparar-se com a sua impotência diante de algo ou de uma situação e dessa forma fica evidenciado aquilo que poderia ter sido e não foi: o verdadeiro homem.

Makena G -  Flickr CC   
Toda mulher com uma relativa experiência afetiva é capaz de reconhecer perfis de homens com os quais se deve estar alerta. É quase como se uma luz piscasse com o texto: "Perigo! Mantenha distância".  Apesar disso, não raro envolvem-se com eles mesmo assim e saem chorando no final.

Dentre esses perfis evitáveis que simplesmente não conseguimos evitar, está o que a Senhorita Patinete chama de  Heros histéricoHoje entenderemos melhor como funciona esse tal homem histérico e como ele age para deixar as mulheres de quatro.   

O texto é de uma grande amiga, que o assina como Senhorita Patinete. Apreciem e, se desejarem, deixem seu comentário ao final. 


Eros Histérico: a histeria do sexo masculino

Por Senhorita Patinete

Pensem no seguinte estereótipo masculino: seguro, frio, corajoso e provedor. Façam ainda outro exercício mental e pensem em um homem do tipo vaidoso que se preocupa com a forma física, com os cabelos, com as roupas e dá valor exacerbado à carreira. Alguns, ainda, superam a preocupação físico-material e apresentam uma maneira de ver o mundo de vanguarda sendo homens de cultura admirável. Alguns dos homens com essas características apresentam o estereótipo histérico de personalidade.

No início da psicanálise, a histeria masculina foi questionada, pois a histeria era mais estudada em mulheres em função da falta do falo. “Contudo, os homens são, com mais frequência do que reconhecemos, histéricos. Observamos, na atualidade, a acentuada presença da histeria masculina, como no caso do don juanismo”.

Leia também nesse blog: 

Propomos chamar o homem do nosso texto de Eros histérico
E quem é esse homem? É o tipo de cara que vocês devem ter conhecido pelo seguinte motivo: alguns são “Don Juans” incuráveis, outros não permanecem em um relacionamento por muito tempo, outros costumam manter relacionamentos infelizes e testam seu poder de sedução de maneira discreta, mas despudorada. Eles apresentam-se de várias maneiras e podem até disfarçar-se bem. Mas todos têm algo em comum: são extremamente sexuais e sedutores.




Na histeria, o desejo é sempre insatisfeito, o histérico recusa o gozo para manter o desejo insatisfeito com o gozo da privação. É do tipo “não ata nem desata” assim sendo, o histérico: “se oferece e se guarda, oferece e se furta, provoca e escapole”
Eros Histérico não quer desfrutar uma boa transa ou bom relacionamento.  Quando casados, projetam na mulher a imagem da mãe e perdem todo o interesse sexual por ela. Assim, o combustível do histérico é a sedução. Tendo mulher ou mulheres para envolver-se, mantêm seu impulso sexual aceso. O importante é que nem sempre concretizam o ato sexual em si, pois, como citado antes, o histérico recusa o gozo.

Segundo o psicólogo suíço Carl Gustav Jung, “Don-juan tem um complexo materno, isto é, não se libertou da mãe e procura sua imagem em todas as mulheres, nunca encontrando. A origem do comportamento estaria na adolescência. Nessa fase é natural que o filho se torne agressivo com a mãe, pois precisa se separar, ter a própria identidade. Se ela tenta mantê-lo calmo e fraco, realizando todos os seus desejos, acaba por dificultar a necessária separação, que o tornaria um homem mais forte e capaz de amar outras mulheres. Impossibilitado de se libertar, o rapaz pode se tornar um dom-juan.”

Eros histérico é sexual evitando vinculo próximo com quem seduz, pois o jogo da sedução é mais valioso do que o ato sexual em si. Na vida social, Eros histérico tem necessidade de ser aceito, pois, subjetivamente (mesmo que não tenha a consciência disso) acredita que não foi amado. Em algum momento da vida, Eros foi rejeitado e lidou muito mal com o desprezo.  Agora necessita da garantia que é amado por alguém e por isso faz o tipo de jogo da “não decisão de vida”.

Quando Eros tem uma esposa ou namorada é muito carinhoso com ela para disfarçar a característica sedutora. Eros, porém “é um ser insatisfeito, está à mercê do outro. Ele está em recusa do desejo. A cada mulher ele é obrigado a dar exatamente o que ela reclama: ele não tem o direito de errar. Sua pretensa sedução é a docilidade”. E o fato de seduzir outras mulheres não está ligado ao fato de concretizar um relacionamento ou um ato sexual em si, talvez o que Renato Russo chama de "sexo verbal" ou o popular “flerte”.

Eros pode tender para o traidor inveterado para formar vínculo e para não se mostrar dependente. Outro fator relevante para Eros é mostrar ao mundo o quão “garanhão” pode ser. “Acabam arrumando não uma, mas várias amantes para não se sentirem presos ou dominados por nenhuma. O medo de se tornarem dependentes, como foram da mãe, faz com que agridam suas mulheres de forma cruel, traindo ou abandonando”.

E quem são as mulheres que entram no jogo do Eros Histérico, seja ele comprometido ou solteiro? Seriam elas vítimas? Essa discussão daria outro texto e não é esse o objetivo no momento. Mas o que se pode dizer é que têm mulheres e mulheres.

Para as que são casadas e mantêm um perfil também histérico, em princípio isso parece interessante, porém é uma pseudo-relação doente. Eros e a figura objeto de sua sedução ficariam ambos na situação de “masturbação mental”. Ambos precisam de ajuda profissional. A dualidade de vida não é saudável e podem ficar dessa maneira por uma eternidade. “Don Juan é um errante no amor, uma vez que amar remete à castração (um não terá e não será o que falta ao outro), faz defrontar-se com um outro desejante, distinto, com as diferenças e o respeito à alteridade”. 

Eros precisa de uma aprovação externa da sua masculinidade senão toda estrutura necessária para provar sua virilidade desmonta. Eros histérico teme o amor porque “Amar, é dar o que não se tem", cita Lacan. “Amar é reconhecer sua falta e doá-la ao outro, colocá-la no outro. Não é dar o que se tem, os bens, os presentes: é dar algo que não se possui, que vai além de si mesmo. Para isso, é necessário se assegurar de sua falta, de sua "castração", como escreveu Freud.”

Eros quando solteiro foge diante de um possível relacionamento profundo. Mas gosta de manter uma mulher apaixonada sem assumi-la (pela necessidade da certeza de ser amado). Eros histérico continua freneticamente seu jogo de sedução, porém, finalizada a sedução ele não sabe mais o que fazer, ali entra em territórios desconhecidos. Evita um vínculo mais sólido porque seria deparar-se com a sua impotência diante de algo ou de uma situação e dessa forma fica evidenciado aquilo que poderia ter sido e não foi: o verdadeiro homem.

É importante dizer que as dificuldades de Eros Histérico diante de vínculos duradouros e emoções não são apenas reflexos do que nós carinhosamente chamamos "crápula ou cafajeste” é algo da sua estrutura psíquica.  E isso quer dizer que apesar de toda encenação de força e virilidade, por dentro Eros histérico é um homem frágil, muitas vezes incapaz de formar um vínculo e comandar subjetivamente e o eixo de sua vida cheia do tédio que ele tenta dissipar com o ato da sedução.

Você conhece alguém com esse perfil? Considera-no um "vilão"? Conte pra gente nos comentários. 



Referências:

  • SOUZA, Danielle A. Psicanálise & Barroco em revista v. 9, n.1: 115-125 jul.2011.
  • QUINET, A. A lição de Charcot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
  • BRANCO, Leniza Castelo. Caras, São Paulo: Editora Abril, 2012.
  • MILLER, J.A. O Amor e a psicanálise Disponível na Internet <http://www.psicologiamsn.com/2011/12/amor-psicanalise-alain-miller.html>acessado em 4 de julho de 2012.

Aventura nas cavernas de Terra Ronca

Pra quem busca aventura, explorar as cavernas do Parque Estadual de Terra Ronca em Goiás é uma ótima opção. Situado a 400km de Brasília e a 600km de Goiânia, o parque abriga grutas com formações calcárias raras e preservadas, um espetáculo da natureza subterrânea.

Caverna São Mateus - Foto: Ana Barcellos

Terra Ronca é o cenário do primeiro episódio do programa Aventura 360°, produzido pelos fotógrafos Rodrigo Carletti e Frank Carvalho. Vale a pena conferir e participar dessa aventura como se estivesse dentro do jipe com eles - quer dizer, conosco, porque eu também estava lá. Toda vez que virem alguém com uma discreta mochila cor-de-rosa-choque nas costas: that's me! Estivemos lá de 05 a 08 de abril de 2012, quando foram feitas as filmagens. Assistam o vídeo abaixo:





Se quiser ter a sensação de estar dentro das cavernas, vendo exatamente o espetáculo natural que víamos, acesse as fotos em 360° feitas por Rodrigo Carletti, no site www.df360.com.br. Utilizando o cursor, você consegue deslocar a imagem para todos os lados dos salões das cavernas Terra Ronca I e São Mateus. Sensacional!


Entrada da caverna Terra Ronca I

Caverna Terra Ronca I

Terra Ronca I - Foto: Elisabete Gonçalves

Ele me deixou dirigir??? Aham! 

A vista do mirante: de um lado, o sol se pondo...

... do outro, a lua esplendorosa!

Foto panorâmica do mirante

Pulando fendas - Caverna São Mateus
Salão 700 na Caverna São Mateus - deslumbrante!

Espeleotemas da caverna de São Mateus

Estalagtites de São Mateus 

Brincadeira dos fotógrafos Frank Carvalho e Rodrigo Carletti com lightpainting 

Pousada Lua de São João - recomendadíssima!

Making Off - Aventura 360°

Linda jiboia no caminho de volta

Amor ou paixão: o que preferir?



A novela "A vida da gente" levantou uma interessante discussão sobre amor e paixão. O que precisamos saber sobre a história para debatermos o tema é o seguinte:
Duas irmãs dividem o amor do mesmo homem num contexto muito peculiar. A primeira vive com ele uma grande paixão de juventude que tem como fruto uma criança. Influenciada pela mãe, afasta-se dele. Devido a um acidente, entra em coma, quando a irmã assume os cuidados com a sobrinha. Ela chama o pai à responsabilidade, ajuda-o a crescer como pessoa para que possa desenvolver-se em sua paternidade e, ao longo dos anos, acabam construindo uma relação de amor e casando-se. A irmã acorda do coma depois de 5 anos, quando começa a confusão de sentimentos. 

Na internet, o público manifestava opiniões contrastantes: uma parte queria que ele ficasse com uma, outra parte queria que ele acabasse a trama com a outra.      

O que teria mais valor: paixões avassaladoras ou um amor sólido construído pela relação

Em nossa cultura ocidental, embora no discurso o amor seja mais importante, o que nos move mesmo são as paixões. Queremos uma paixão de nos tirar o fôlego, que invada nossos pensamentos e nos faça manter o sorriso bobo durante todo o dia. Ansiamos pelo coração batendo acelerado e por todas as descargas químicas que, convenhamos, nos deixam até meio desequilibradas. 

Foto: Love is parking - DesertMonsterBell

Para nós, o caminho certo dos acontecimentos é: uma grande paixão que, com o tempo - dois anos é o que dura uma paixão, dizem os estudos -, vai se transformando em amor - será que em muitas vezes não se transforma é em costume e comodismo?

Nas regiões em que o casamento acontece por arranjo, o fluxo das coisas ocorre de modo diferente. É claro que nós vamos pensar: "Nós estamos certos e eles errados. Como eu poderia casar-me com alguém que nem conheço? Como poderia relacionar-me com uma pessoa sem paixão?" 

Lembro-me de uma colega de faculdade que era cigana e tinha um noivo prometido. Achava muito interessante ouvi-la contar suas histórias - apenas a parte permitida, porque muita coisa não pode ser compartilhada com quem não é cigano. Para ela, aquilo tudo era muito natural e, em momento algum, ela mostrava descontentamento ou medo de que seu casamento não fosse bem sucedido, que não viesse a amar o marido. Poderia acontecer? Possivelmente - não existem mães que não amam seus filhos e vice-versa? Mas a possibilidade de construção do amor também existe, não é mesmo? E se existe uma boa vontade proveniente de fatores culturais, essa possibilidade se torna ainda maior.

Gostaria de encontrar uma pesquisa sobre a felicidade das mulheres casadas aqui e lá. Será que nós somos mais felizes porque nos apaixonamos e casamos com quem escolhemos? 

Mas se nossos pais não vão nos arranjar um bom casamento, do que essa discussão toda nos adianta?

Bem, meninas, para estarmos atentas. No post Don Juans: mantenha distância... Ou não eu falava sobre o tipo de homens que gostamos, mesmo sabendo da grande possibilidade de haver "gritos e ranger de dentes" ao final. "Onde estão os homens decentes? Na sua zona de amizade, bem onde você os deixou".   

Como bem disse uma amiga: "Se o amor batesse à nossa porta, possivelmente não o deixaríamos entrar." Não é isso o que queremos. E, o mais contraditório, é exatamente isso que queremos, que sabemos que nos fará felizes, só que partimos do principio de que só acontecerá se seguido de uma grande paixão. 

Mas... será mesmo?




Agradeço às minhas queridíssimas amigas Paula e Andreia que me contaram a história da novela - já que não assisto televisão desde 2009 - e empreenderam comigo toda essa reflexão numa saída de sábado à noite. Algumas mulheres vão pra balada, outras entretem-se em debates filosóficos... hehehe. 

A Bela e a Fera




Era uma vez um lindo príncipe que, por sua arrogância e vaidade, foi transformado em fera por uma feiticeira. O encanto apenas seria quebrado quando ele amasse e fosse amado verdadeiramente, o que deveria acontecer antes da última pétala da rosa encantada cair. 

Era uma vez uma Bela que teve medo da Fera, mas ele foi carinhoso e gentil. Esforçou-se muito para que ela o deixasse entrar em sua vida. Ela deixou. Entregou-se por inteiro e permitiu que ele se envolvesse no que tinha de mais precioso: sua família.

Por trás da Fera existia uma pessoa doce e cheia de potencialidades. Mas, por fora, era mesmo um animal meio rude e arredio. Mas isso era só às vezes.  

Bela acreditava nas pessoas e acreditava quando a Fera falava sobre o quanto queria amar e ser amado por ela. Outras belas haviam estado por ali e ele demonstrara incapacidade de fazê-lo. Mas pediu que ela ficasse, disse que seria diferente. E ela ficou.

Ela não entendia: se ela o amava verdadeiramente e ele dizia sentir o mesmo, por que ele ainda vestia a imagem de Fera? Alguma coisa não fazia sentido.

De repente, quando tudo parecia estar caminhando para o final feliz, a rosa encantada começou a murchar. Bela desesperou-se, mas deixou que a Fera fizesse as coisas ao seu modo. 
Mais uma vez, ele pediu que ela não o deixasse, que compreendesse, que provasse o seu amor. Ela esperou.

Só que, alguns dias depois, a última pétala caiu. E enquanto Bela ainda chorava a visão da pétala caída ao chão, ouviu verdades que a Fera lhe escondera.

Chorou ainda mais. Fera, dominada pelos sentimentos mais baixos, rasgou o peito de Bela com suas garras e arrancou seu coração. Talvez pretendesse mantê-lo com ele. Ou talvez quisesse apenas causar ainda mais dor. 

Bela, sangrando, apoiou-se nos amigos que lhe estendiam a mão e tomou seu coração de volta: "Você não terá mais nada do que é meu!" 

Bela costurou o coração dentro do peito e ele continuou batendo, porque ela era mais forte que tudo aquilo.

E a Fera não deveria ter morrido? Bem, de certa forma ele morreu...

Uma chance. Um baile.

Belíssimo vídeo produzido pela amiga Fabiana Tenório para o "Concurso Oswaldo Montenegro". Apreciem! E, a propósito, eu também quero ser feliz agora!






Ficha Técnica

Direção de Produção: Juliana Soares
Direção: Juliana Soares, Marcela Lino
Roteiro: Viviani Xanthakos
Ass. de produção: Marcela Lino, Fabiana Tenório, Mariana Martins
Direção de Arte: Mari Betoni
Produção de Arte: Fabiana Tenório, Megumi Kawachi
Direção de Fotografia: Edgar Bueno
Ass. de Fotografia: Mateus Vilela
Produção de Locação: Juliana Soares, Lika Carosio
Coreografa: Polyana Lott
Edição e Montagem: Rose Costa
Continuista: Fernanda Schiavinato

Atuação:
Arthur Oliveira
"Seu" Amaro mais amado
Eduardo Segura
Fabiana Tenório
Juliana Soares
Luigi Balido
Polyana Lott
Tatiana Libertucci

Existe vida durante e após a depressão - download gratuito

Escrevi o livro Existe vida durante e após a depressão em 2002 quando eu tinha 24 anos. Na época, eu saía de um quadro depressivo e queria compartilhar com as pessoas que a cura da depressão é possível. Fiz um site simples que ficou no ar por um ano, no qual disponibilizei o livro em pdf para download

Ainda não tínhamos as redes sociais para possibilitar uma fácil interação, mas recebi alguns feedbacks por email. Lembro-me bem de uma brasileira que morava em Portugal, que contou que o grupo de terapia do qual ela fazia parte trabalhou o livro em suas sessões - após ela ter adaptado algumas expressões para o português daquele país.   

Imagem: Clarissa Rossarola Flickr cc

Como explico na apresentação do livro, é uma história fictícia. Na época, eu ainda era uma jovenzinha recém-casada e sem filhos e não passei por muitas das coisas que a Maria Cristina, personagem principal, viveu. Essas coisas tomei emprestadas da vida de outras pessoas, como a passagem de uma querida tia por uma clínica pelo mesmo problema.   

Eu tenho histórico familiar de depressão e comecei a apresentar alguns sintomas dessa doença a partir dos 16 anos. Eles agravaram-se em 2001, quando aos 23 anos me mudei para Brasília. Passei por um tratamento longo de psicoterapia e tomei anti-depressivos por dois anos. Hoje posso dizer com alegria que isso tudo ficou no passado e a depressão não faz mais parte da minha vida. Curada! O que não quer dizer que eu não esteja sempre alerta, porque só quem já passou por isso sabe o medo que se tem de cair novamente.

Relendo o livro, penso que muita coisa eu escreveria diferente hoje. Possivelmente o marido e a mãe de Cristina não seriam pessoas tão iluminadas e tornariam a situação ainda mais difícil - porque é isso o que acontece muitas das vezes. Por outro lado, pode ser bom que as pessoas que convivem com familiares em depressão saibam como gostaríamos que agissem conosco.

Quem quiser ler a história de Cristina e descobrir como ela conseguiu vencer a depressão, pode fazer o download gratuito do livro abaixo.


Existe vida durante e após a depressão
Escrito por Ana Barcellos
Brasília, 2002 (25 páginas)