Ano Novo e Identidade Brasileira

Fim-de-ano é época de trocarmos belas mensagens de ano novo. Algumas nos tocam em especial, pelo carinho que trazem embutido em seu conteúdo. Outras, além do carinho, fazem com que nos sintamos diferentes ao acabar de lê-las. Este é o caso da mensagem que compartilho com vocês abaixo, enviada pelo meu eterno diretor Heraldo Palmeira*.

Com ela, agradeço aos queridos leitores pelo ano que passamos juntos e desejo que o ano novo venha cheio de amor de verdade e sonhos de verdade! Apreciem a mensagem e recebam o novo ano com o coração aberto.

*Heraldo Palmeira é diretor, produtor, patrocinador e grande incentivador 
do meu filme Hepatite C, Sem Medo. Grande pessoa, grande coração...

Imagem de domínio público


Caros amigos,

Em primeiro lugar, quero agradecer e retribuir todas as mensagens que recebi - e ainda vou receber - com votos de boas festas. A todos vocês, gente que gosto, apresento minha mensagem de final de ano, num momento em que estamos prontos para receber o ano-novo da melhor maneira.

Lá embaixo indico um link que, asseguro, vale cada segundo. É uma amostra da boa arte que o Brasil não cansa de produzir e que nenhuma pasteurização midiática consegue corromper. Apesar de toda a agressão que sofre nossa música popular, é reconfortante perceber que há sempre gente muito talentosa agindo, fazendo sua arte, vivendo e dando vida às nossas melhores expressões artísticas. E contando com o apoio de empresas que apostam em outras ações e mídias, como aqui é o caso da rede de lojas Luigi Bertolli, que bancou a produção.

Depois que a música chegar ao fim, sugiro permanecer um pouquinho mais vendo o vídeo, de modo a conhecer os artistas que acabaram de se apresentar. Encontrar gente do porte de uma Luê (Belém do Pará), Bule-Bule (Salvador), TKaçula (Casa Verde, São Paulo), Samuel Macedo (Nova Olinda), Di Freitas (Juazeiro do Norte), Guilherme Kastrup (Lapa, São Paulo), Calixto (Campo Limpo, São Paulo), Zulene Galdino (Crato), Orlando Costa (Bonfim, Salvador), Marinez e Marias do Côco Frei Damião (Juazeiro do Norte) reaviva nosso direito sagrado de lamentar que artistas de extremo talento, como eles e tantos e incontáveis outros, sigam excluídos do mercado principal da música. Fica a impressão de que o país, certamente para defender e dar continuidade à sua melhor tradição musical, gera dezenas de Luês, Bule-Bules, TKaçulas, Di Freitas, Guilhermes, Marinezes e Marias...





Um único lamento me resta, esse contra a teimosia de os produtores jamais incluírem informações indispensáveis. Neste caso, além da ficha técnica da produção, "esqueceram" de registrar que, por meio desse vídeo, nos foi dado flutuar pela extraordinária Brasil pandeiro, uma música do compositor baiano Assis Valente. Sem contar o coco Linda flor, inserido como música incidental no arranjo, e que caiu como um achado delicioso e inventivo.
Com a curiosidade incendiada, tanto procurei que terminei falando diretamente com a própria dona Marinez, alcançada por mim na sua casa no interior do Ceará. Em conversa longa e agradabilíssima para mim, pude, entre muitas histórias ótimas, descobrir o título da música (Linda flor) e que foi composta por ela mesma para homenagear todas as mulheres. Oxalá, um dia, os produtores culturais e todos nós aprendamos a valorizar os créditos artísticos e históricos como parte integrante das obras. Afinal, esse é o caminho único para, além de cumprir a legislação, respeitar e reconhecer os profissionais que realizam maravilhas como esta, e proteger e perpetuar nossa memória.

Recebam essa pérola audiovisual como minha mensagem de ano-novo. Espero que em 2012 todos nós, mantendo a indispensável criticidade, façamos um pouquinho mais de esforço para sentir orgulho brasileiro em nossas almas - como fazem esses artistas todos os dias. Que cada um de nós, além dos produtos culturais que já consumimos normalmente, leia mais um livro, ouça mais um disco, veja mais um vídeo ou filme, visite mais uma exposição de artes plásticas, mais um museu, troque mais ideias com as outras pessoas, dê um pouco mais de atenção aos artesãos, aos artistas de rua, à possiblidade de incluir o belo nas próprias fotografias que fizer...

Que práticas simples assim nos sejam úteis e recompensadoras. A ponto de permitir que tiremos desse consumo cultural novas centelhas para incendiar a curiosidade, para nos encantar com novidades, informações e ensinamentos que nos levem a colaborar no esforço coletivo em busca do país que tanto desejamos. Algo que nos liberte dessa escravidão digital imbecilizante e nos restabeleça o gosto pela saborosa contemplação do mundo ao nosso redor, por uma boa prosa livre de celulares e de outras bugigangas eletrônicas da moda. Algo que nos leve a trilhar de novo o caminho de associar pessoas, coisas, fatos e descobertas como forma de aprendizado e manutenção da nossa gênese cultural, daquele jeito como sempre nos foi orientado por nossos melhores professores. Algo que combata nossa má educação generalizada, que tanto dificulta a convivência diária e cria para o país esse desagradável cotidiano que está posto nas ruas. Algo que reforce nossa identidade com este Brasil velho de guerra, tão controvertido e tão adorável.

Que nos venha um ano-novo dos bons! Grande abraço, na certeza de que, de muitas maneiras, nos encontramos representados aqui.


A história da Branca de Neve contada pela Rainha

Toda história tem dois lados. Hoje descobri que a história da Branca de Neve tem três: a versão que conhecemos, a versão da Rainha e a da própria Branca de Neve.

A descoberta aconteceu por meio de um livro que é 2 em 1. De um lado, "Minha versão da história - Branca de Neve"; do outro "Minha versão da história - A Rainha".

Trata-se de uma leitura muito divertida - até mais para as mamães e papais do que para os pequenos, que talvez não entendam alguns detalhes espirituosos. Recomendo!



A Rainha começa sua narrativa contando que não é nada fácil ser madrasta, principalmente de uma adolescente. Ela conta: "O que eu sei é que uma mãe 'verdadeira' pode ser implicante o tempo inteiro, mas ninguém olha torto pra ela. No entanto, se a madrasta perde a paciência uma única vez, sai na primeira página da Folha da Floresta".



No decorrer da história, nos mostra como tudo o que fez foi para o bem da enteada: já que Branca de Neve não gostava de exercícios físicos, fazia com que realizasse o trabalho de casa; como comia muita besteira, incentivava uma alimentação saudável. Inclusive a maçã, dita envenenada, era apenas um estímulo para que parasse de comer bolos e tortas o tempo todo - e ela não estava envenenada coisa alguma, mas cheia de agrotóxicos, pelo que ela pretende processar o vendedor de frutas.

Na versão da Rainha, ela não se transformou em velhinha para ir atrás de Branca de Neve na floresta, apenas não usou maquiagem e preferiu roupas mais confortáveis - afinal, segundo ela, estava indo para a floresta e não para um baile. Aliás, falando em beleza, o espelho mágico só dizia que Branca de Neve era mais bela do que ela porque a pobre madrasta estava acabada, de tanto stress e preocupação com a enteada adolescente que estava se derretendo de amores por um rapazinho com quem cantava perto do poço. "Seria um sequestrador?" - preocupou-se a madrasta, lembrando de outras meninas que andavam desaparecidas por aí, como a Chapeuzinho Vermelho e a Polegarina.

O caçador não foi encumbido de matar Branca de Neve, mas apenas de levá-la para passear pela floresta e colher flores, para ver se ela se mexia um pouco. A versão de Branca de Neve corrobora isso: ela nos conta que não acreditou quando o caçador disse que a Rainha queria matá-la, mas que fugiu assim mesmo por causa do desespero em que estava o caçador (ela não podia ver alguém chorando).

Enquanto Branca de Neve vai nos contando sua história, fica bem evidente a sua mania por limpeza, inclusive mostrando que gostava de fazer o serviço de casa que a madrasta pedia. O mais interessante é que ela acaba a narrativa falando de sua vontade de reencontrar aquela "bondosa velhinha" que lhe deu uma maçã miraculosa. Antes de morder a maçã, ela fez um pedido: reencontrar o seu príncipe. Quando acordou, o desejo tinha se realizado... lá estava o príncipe despertando-a com um beijo de amor verdadeiro! Isso foi um pouquinho antes dos dois viverem felizes para sempre - tudo por causa do milagre da maçã da velhinha!    

"Minha versão da história - Branca de Neve e A Rainha": fica a dica de leitura.


Confesso que desde criança sou fascinada por bibliotecas.
Não sei se isso é hereditário ou uma questão de estímulo, mas o fato é que minha filha também fica encantada dentro de uma.
Hoje eu fiz sua associação na Biblioteca Demonstrativa de Brasília, para que ela possa sentir o gostinho de trazer livros emprestados para casa. Eu podia ter retirado os livros em meu nome, mas o objetivo foi estimulá-la mesmo, da mesma forma que fui quando criança.
E assim se constrói o gosto pela leitura...  

Outras dicas de livros infantis neste blog:
Livro infantil: Segredo de Família
Sardas em crianças - Morango Sardento