Dicas para vencer o medo

No post Medo de barata - transtorno sexual ou alergia? já contei a vocês sobre meu medo de barata e falei que esse é um medo que não pretendo, ao menos por enquanto, encarar. Mas existem medos que precisam ser superados por impactarem de forma negativa nossa qualidade de vida. Falamos sobre esse assunto no post Medos: aprenda a enfrentá-los, no qual vimos que a forma mais eficaz para perder o medo é utilizar a dessensibilização e exposição. Neste post, compartilho com vocês como superei um trauma de infância por meio da chamada exposição

Alessandro Martins - Flickr CC


A origem do medo de tirar sangue


Aos oito anos de idade, fiquei hospitalizada 42 dias devido a uma pneumonia causada por uma super bactéria, sendo submetida aos mais diversos [e frequentes] procedimentos invasivos que você possa imaginar, inclusive cirúrgicos. Compartilho um pouco dessa história em Pneumonia e hepatite C. Pra quem não sabe, foi nessa ocasião que contraí o vírus da hepatite C, contra o qual luto hoje em dia.

Lembro-me de acordar no meio da noite com várias agulhadas no pé. As veias não aguentavam mais e estouravam, obrigando as enfermeiras a furarem novamente e novamente e novamente. Alguma dúvida de que isso geraria um trauma?


O medo


Eu já era adulta e ainda sentia o mesmo: quando um médico pedia um exame de sangue, tentava dissuadi-lo de todo o jeito explicando o medo e tentando convencê-lo que o exame não seria necessário. Minha argumentação não era muito eficiente, pois nunca consegui reverter um pedido de exame. Óbvio, né?

O que acontecia então? Eu adiava. Adiava o exame até o pedido médico estar quase vencendo, o que o impediria de ser aceito pelo plano de saúde. Era a coisa mais idiota que eu poderia fazer (e eu sabia disso), porque durante todo esse tempo eu era atormentada pelo medo, chorava todas as noites e não dormia direito. Se eu fizesse o exame no dia seguinte, de quanto sofrimento eu me pouparia! Eu sabia disso, mas simplesmente não conseguia fazer diferente.

No dia fatídico, lágrimas rolavam dos meus olhos na sala de espera. Eu precisava entrar acompanhada na sala de coleta (lembrando que eu já tinha vinte e poucos anos!), porque SEMPRE ao levantar da cadeira, após terminado o exame, eu desmaiava. Porque desmaiar só depois eu não sei. Só sei que era assim.

Eu até pensava que nunca poderia engravidar, porque não conseguiria ter de fazer exame de sangue uma vez por mês. Hoje penso que talvez não tivesse coragem mesmo.

Quase esqueço de contar a parte mais engraçada. Eu tinha um texto que sempre era repetido para o coitado [e paciente] técnico que ia colher o meu sangue: "se você não achar a veia, tira a agulha e coloca de novo. Por favor, não cavoca ela no meu braço". Digo "paciente" porque vocês não acham que eu deixava ele tirar logo de cara, né? Aí vem a parte engraçada (não para o técnico, claro): eu repetia umas mil vezes: "eu vou deixar, mas espera só um pouquinho". Esse "espera só um pouquinho" é famoso na minha família.


A superação


Tudo começou aos poucos, um passo de cada vez. O primeiro deles foi começar a abreviar o prazo entre o pedido do médico e o exame em si. Parece fácil pra você? Pra mim não foi.

Lembro-me da primeira vez que fui fazer um exame de sangue sozinha. Eu achei que estava grávida e não queria que ninguém soubesse [não estava]. Testes de farmácia não eram confiáveis, eu sabia. Avisei no laboratório que eu desmaiava e, por isso, fui colocada numa maca. Depois do exame, permaneci lá por 30 minutos, até me sentir apta a levantar sem cair. Foi difícil, mas consegui.

Depois disso passei a ir sozinha. Continuava falando o texto do não cavoca a agulha no braço, mas fui abandonando o "espera só um pouquinho", para a alegria de todos e bem-estar geral da Nação.

E eis que surge em minha vida a dona hepatite C. E foi ela que me ajudou a superar esse trauma de vez. Como? Exposição, minhas amigas e meus amigos, exposição. Comecei a fazer tantos exames e com tanta frequência que fui me acostumando com aquilo.

Gradualmente, abandonei a maca e passei a ser atendida numa sala com poltronas confortáveis, onde ficam os pacientes que precisam fazer exames com repetição. Quando passei a sentir confiança no laboratório e nos técnicos, abandonei o texto do "não cavoca".  Continuava esperando uma meia hora depois para levantar e ir embora, tempo que foi diminuindo, diminuindo, diminuindo... até o dia que simplesmente levantei e fui embora. E sabem quando eu percebi que tinha feito isso? Quando já estava atravessando a rua. A sensação de "meu Deus, que perigo, eu podia ter desmaiado na rua" foi seguida em poucos instantes pelo sorriso de "que orgulho de mim".

E assim, hoje entro no laboratório como qualquer adulto normal, sozinha, sento na cadeira normal, colho sangue, levanto e saio. E o melhor de tudo? Sem pânico, sem sofrimento. É tudo muito normal. Tá que eu ainda viro o rosto: se tem uma coisa que não posso ver é a agulha entrando na veia, especialmente na MINHA veia. Mas nem precisa ver mesmo, né?


Queria destacar que nesse processo todo houve um elemento que me ajudou muito: o Laboratório Sabin, com sua excelência no atendimento ao cliente - que justifica eu estar aqui fazendo propaganda de graça. Sem dúvida, o cuidado de seus profissionais foi fundamental para que eu me tornasse uma pessoa normal. Destaque também à minha família, que aguentou paciente cada "espera só um pouquinho" por mim proferido em aproximadamente 15 anos. E a mim e minha coragem, claro: palmas para a Ana Flor! Clap clap clap


Quanto às baratas... ah, deixemos as baratas pra lá!

Esmaltes lindos e saúde no salão de beleza

Tem coisa mais de mulherzinha do que fazer post sobre cor de esmalte? Desculpem, mas não resisti diante deste quarteto de cores da Elke.


Apesar das cores atraentes, a cobertura do esmalte não é muito boa. Acabam sendo necessárias duas mãos bem cheias e mesmo assim não fica aquela pintura impecável. Mas quem vai chegar com os olhos tão perto das suas unhas para notar isso, não é mesmo?

  • Leia também Muito além do esmalte pink e responda nossa enquete sobre cores de esmalte preferidas por homens e mulheres e uso do kit manicure.

Aproveito este post para lançar uma campanha: Unhas no salão? Só com o MEU kit manicure! Adote o seu kit e leve o banner da campanha para o seu blog.



Espalhe esta campanha,
para que a hepatite não se espalhe!

Não deixe de ler:

Sardas em crianças - Morango Sardento

Crianças com sardas são uma graça, mas nem sempre elas próprias acham isso. Por esta razão, as sardinhas são uma preocupação para muitas mamães. Neste post, falaremos um pouco sobre elas e traremos uma sugestão de literatura infantil - recomendada para crianças com e sem sardas.

Sardas nada mais são do que uma pigmentação na pele. Aparecem em pessoas com predisposição genética; geralmente, ruivos de pele clara. Não estão relacionadas a doença e nem causam dor, ou seja,  não exigem cuidados além do uso de protetor solar.

O filtro é muito importante, principalmente no verão, uma vez que o sol escurece as manchas. Além disso, por se tratarem de pessoas com peles sensíveis, podem estar mais propensas a desenvolverem câncer de pele no futuro. Que fique claro: não há relação do câncer com as sardas, mas sim com a sensibilidade da pele e a exposição solar.

Existe tratamento para clarear as sardas, mas não é recomendado para crianças. Ou seja, os pequenos precisam conviver com elas. E, o mais difícil: conviver com elas e com outras crianças. Como sabemos, as crianças gostam de enfatizar as características pessoais dos amiguinhos - como diriam alguns, "crianças podem ser muito más".



Se você vive isso com seu filho ou filha, super recomendo que leiam juntos o livro Morango Sardento, no qual a premiada atriz hollywoodiana Julianne Moore retrata a relação não muito amigável que tinha quando criança com as suas sardas. Uma história divertida que nos mostra o que devemos valorizar na vida: "Quem liga com um milhão de sardas, quando se tem um milhão de amigos", diz a personagem.

A autora e atriz Julianne Moore.
Um colega de faculdade dizia que eu era a cara dela.  Vocês acham?

Interessante o fato da tradução do livro ter sido feita pela atriz Fernanda Torres e a quarta capa da edição brasileira trazer o seguinte depoimento da linda-e-sardenta-super-atriz-global Débora Bloch:

Gostei muito deste livro porque eu também fui um "morango sardento" quando criança. Era chato porque eu adorava ir à praia, mas ficava toda vermelha e mais sardenta ainda. Eu achava feio ser sardenta. Agora que já sou adulta, tenho uma filha que não tem sarda e acha as minhas sardinhas lindas. Ela vive dizendo que queria ter sardinhas, igual a mim. Quando a gente é criança, sempre pensa que é melhor ser diferente do que a gente é. Mas quando cresce, descobre que tanto faz. Débora Bloch

Debora Bloch. Foto de hique CC. 


O ponto negativo é que o livro Morango Sardento é caro: custa R$ 45,00. Pode ser comprado diretamente no site da COSACNAIFY.


Se você já leu o livro, tem uma experiência pessoal para contar ou simplesmente gostaria de falar algo sobre o assunto, seu comentário será muito bem-vindo abaixo. Participe!


Leia também:




Fontes:

Medos: aprendendo a enfrentá-los

No post Medo de barata - transtorno sexual ou alergia? vimos que alguns medos, mesmo que aparentemente injustificados, possuem uma causa. O medo de barata não é considerado grave e, por isso, a pessoa que sofre com ele pode escolher se deseja tratá-lo ou não. Por outro lado, existem medos que podem atrapalhar (e muito) nossas vidas. Esses merecem ser olhados com atenção. Seja qual for o seu, leia neste post algumas dicas para perder o medo.  


sarah azavezza - Flickr CC

Medo de avião

Para exemplificar um tipo de medo que provoca transtorno em nossas vidas, trago o caso de uma amiga que sofre com Ptesiofobia, ou seja, medo de voar de avião. Ela já perdeu boas oportunidades profissionais e de lazer por evitar o transporte aéreo, apesar de conhecer as estatísticas: sabe que o risco de andar em seu carro diariamente é muito maior do que o que ela corre dentro de um avião. 

Quando sofremos com um medo desse tipo, que impacta negativamente nossa qualidade de vida, precisamos buscar superá-lo. Embora pareça senso comum, é cientificamente estudado que, para vencer um medo, é preciso encará-lo de frente. Não existe outra forma.

Não quero! Não quero! Não quero! Claro, a pessoa que tem uma fobia ou medo excessivo de algo busca evitar as situações que lhe causam esse desconforto, mas é exatamente este o tratamento mais eficaz: a exposição ao medo.

Muita calma nessa hora: isso não quer dizer que se você tem medo de baratas deva ser jogado num quarto cheio delas [pesadelo]. Você precisa passar gradualmente pelas fases denominadas dessensibilização e exposição. Vejamos um exemplo relativo ao medo de andar de avião, que serve também para os outros tipo de medo: 

Dessensibilização e exposição: É preciso muitíssima força de vontade até para chegar perto de um aeroporto quando você sofre de medo de voar. Uma forma de amenizar a ansiedade originada do medo de voar é um processo chamado dessensibilização. Neste processo, você deve criar descrições muito elaboradas de situações nas quais você sentiu um medo intenso de voar. Seja tão específico quanto possível, inclusive expressando graficamente estas situações. Então, quando o medo estiver presente novamente em sua mente, utilize técnicas de relaxação para dissolver o medo. Continue com estes exercícios, até ter enfrentado todos os medos do seu passado imaginativamente e dominado-os através da relaxação.

Depois de ter confrontado seus medos através da dessensibilização, e igualmente reunido informações positivas sobre viagens aéreas, seu último passo deve ser fazer mais uma tentativa com a situação real. Reúna coragem e comece a fazer viagens curtas com amigos e familiares que podem lhe dar conforto. Fortalecido por seus novos conhecimentos sobre aviões e aeroportos, você será capaz de erradicar seu medo de uma vez por todas, através da exposição. Fonte: Como superar o medo de voar: tratamento para fobia, para voar sem medo

Dicas para vencer o medo


  • Dica 1: Para aprender a lidar com seu medo, você precisará conhecê-lo e aceitá-lo. Não subestime ou invalide um medo que sente.

  • Dica 2: Lembre-se: pensar no que nos amedronta às vezes é muito pior do que a situação em si. Quantas vezes perdemos o sono por causa de algo, e ao passarmos pela situação pensamos que não foi tão ruim como imaginávamos que seria? Quantas vezes sofremos desnecessariamente? A dica é:  ajustar nossas expectativas à realidade. Uma forma de fazer isso é buscando referências sobre o assunto, como vivências anteriores, fundamentação teórica ou relatos de outras pessoas. Mas atenção: seja criterioso em relação ao que ouve das pessoas ou lê na internet.

  • Dica 3Procure dar ao seu medo o tamanho exato que ele tem. Esta dica está relacionada com a anterior, mas merece ênfase. Lembra da cena que a Branca de Neve foge para a floresta quando o caçador não tem coragem de matá-la? Assista abaixo:




No exemplo do desenho, as árvores são apenas árvores, não monstros. São galhos no que ela esbarra, e não mãos segurando seu vestido. Os jacarés são apenas troncos na água. Os olhos ameaçadores são apenas olhos de animaizinhos fofos. O fato é que Branca de Neve está assustada e, por causa disso, vê coisas que não existem e distorce coisas que existem. Fazemos isso com frequência em nossas vidas, não? Minha filha de 3 anos explicaria a você tudo isso ao assistir essa parte do filme. =)

  • Dica 4: Lembre-se da dessensibilização e da exposição apresentadas no exemplo do medo de voar. Na primeira, comece (re)vivendo seus medos em sua mente. Exercite lidar com eles, acalmar-se será uma questão de autoconhecimento e autocontrole, os quais você só alcançará com a prática. Pratique primeiro dentro de sua cabeça, no conforto de um lugar no qual se sinta seguro, simulando as situações estressoras. Quando tiver alcançado o autocontrole na simulação, parta para eventos reais, preferencialmente acompanhado por alguém que lhe dê segurança.

  • Dica 5: Em alguns casos, você precisará de ajuda para encarar as situações que lhe amedrontam. Psicoterapiamedicamentos e florais são algumas alternativas de suporte nos processos de dessensibilização e exposição. A amiga que citei fez um tratamento com hipnose que ajudou a minimizar o problema.

No próximo post, compartilharei com vocês como a técnica da exposição ajudou-me a superar um trauma de infância: medo de exame sangue

Medo de barata - transtorno sexual ou alergia?

Ver uma pessoa gritando diante de um inseto de cinco centímetros que não morde nem ataca seres humanos pode parecer irracional. O que muitos não sabem é que existem teorias que explicam o medo de barata, que acomete principalmente mulheres (mas também alguns homens).

Creative Commons - Wikipedia

O medo

De modo geral, ter medo é natural e até uma questão de sobrevivência. Por exemplo, o medo que nos leva a dirigir com as janelas do carro fechadas e a estarmos atentos à nossa volta ao pararmos na sinaleira pode evitar que sejamos pegos desprevenidos por um assaltante. No entanto, alguns medos podem prejudicar-nos em muitos aspectos de nossas vidas, como aqueles que se transformam em fobias.

emidiobatista - Flickr CC

Este post sobre o medo de barata é o primeiro de uma série de três. Na sequência dele, falaremos ainda sobre o enfrentamento de medos, como o medo de voar de avião e o medo de fazer exame de sangue. Compartilharemos também algumas dicas para perder o medo, que podem servir para qualquer tipo deles.


Medo de barata


Confesso a vocês que entro em pânico quando vejo uma barata. As pessoas costumam não gostar delas, afinal, é mesmo um inseto super-nojentíssimo que pode causar doenças. Alguns, no entanto, possuem um medo irracional e incontrolável de baratas - eu, por exemplo. As duas vezes na vida que precisei encarar uma baratona - porque se não a matasse teria de dormir fora de casa pra sempre, pois nunca saberia se ela ainda estaria lá - fiz, literalmente, xixi na calça.

Já ouvi falar que Freud associa o medo de barata a transtornos sexuais. [Jura? E o que o tarado do Freud não relacionava com sexo?] Lembrando quando Chico Xavier foi questionado se tinha problemas na área sexual e ele respondeu: "tanto tenho que estou encarnado neste planeta". Ou seja, sendo humana, também devo ter algum problema relacionado à sexo, mas daí a chamar de transtorno seria demais, né?

Também já li sobre a teoria de que quem tem medo de barata na verdade tem alergia a elas. Veja o trecho abaixo, extraído do Blog da Alergia:

O estudo destes insetos [baratas] tem se intensificado nos últimos anos, sendo descritos alguns fatores que seriam os provocadores da alergia, como por exemplo, proteases presentes em seu tubo digestivo, que exerceriam papel importante no aparecimento das doenças alérgicas. Um dado interessante é que foi descrita também a presença de uma proteína, chamada de tropomiosina, que também pode ser encontrada em ácaros e no camarão. Por isso, pode ocorrer uma reatividade cruzada entre ácaros, baratas e camarão. Fonte: Blog da Alergia.

Adivinhem o que mostram meus exames de sangue? Alergia a ácaros, camarão e, claro, baratas (args!).

Outra teoria conhecida é a de que mulheres que têm medo de barata herdaram esse medo de suas mães. Afinal, desde pequenas observaram as mamães - aquelas super-mulheres - tendo reações exageradas quando deparadas com uma baratinha. Imagine o pensamento infantil nessa hora: "Apesar de pequeno, deve ser um bicho muito perigoso, né?" [Sim, minha mãe tem pavor de baratas voadoras.]


Enfrentar o medo


Posso até parecer meio ridícula quando uma barata vem em minha direção [já repararam que elas perseguem quem tem medo?], mas esse medo não prejudica minha vida. Se eu morasse num lugar onde elas aparecessem com frequência, talvez se tornasse um problema. Mas não é o caso. É o tipo de medo com o qual posso conviver muito bem.

No entanto, existem medos que podem atrapalhar nossa vida e devem ser tratados. No próximo post falaremos sobre tratamento e dicas para enfrentar qualquer tipo de medo. Até lá!

Leia a sequência aqui: Medos: como enfrentá-los

Comentários - a alma do blog

Chegamos a mais um tema do Desafio das listas: falar sobre os comentários mais memoráveis já recebidos no blog. Como vocês sabem, estou trazendo para esse desafio minha experiência no blog Animando-C, uma vez que o Apenas Mulheres de Verdade ainda engatinha com seus dois meses de existência.    

Sabrina Eras - Flickr CC

Eu A-D-O-R-O receber comentários. Imagino que todo blogueiro de verdade sinta o mesmo, pois é um momento de feedback e interação com os leitores, que são o motivo de existência dos blogs. Não escrevo pra mim, escrevo pra vocês, portanto, adoro quando vocês escrevem de volta. A poesia de Edgard Rufatto Junior, meu super chefe no trabalho, reflete bem essa ânsia por ser lido e correspondido:

O poeta inspirado
O poeta inspirado
Espera-se esperado
Para poder ser lido
Desesperado por ser correspondido
(pelo leitor, ou pela amada)
Escreve alucinado
Palavras no papel-nada
O verso, por trás da vida.
Então vide o verso e veja a vida
Que eu, ouvido ou morto,
Estarei ali contido
E terei ali contado
O que o poeta inspirado
Ouviu e viu pela vida
[Poesia originalmente compartilhada no Animando-CUm pouco de poesia]


Preciso dizer que meus leitores têm o dom de me emocionar. Talvez pelo fato de estarmos tratando de um assunto de saúde muito delicado, mas também porque eles trazem uma sensibilidade e carinho em suas palavras, que muitas vezes chego às lágrimas lendo seus comentários. Isso aconteceu repetidas vezes nesses meus dois anos de blogueira. E mostra que tudo faz sentido, que todo o trabalho vale a pena.

[Informação de bastidores: cada pessoa que comenta no blog ganha minha oração. Fico na torcida e adoro quando voltam dando notícias!]

Felizmente, meus leitores gostam bastante de comentar: o Animando-C tem 980 comentários em 176 artigos escritos. Isso não é maravilhoso? São muitos os comentários que marcaram, mas quero destacar quatro:

  • Os comentários da Inês, de Portugal, que chegou apelidando-se de Pipoca. Ela compartilhou conosco várias etapas de seu tratamento com uma droga experimental. Isso trouxe tanta esperança que até hoje de vez em quando alguém me pergunta sobre ela (que nunca mais deu notícias).
  • Outro que marcou foi o da Jane, brasileira que reside na Noruega - um dos primeiros comentários a me mostrarem a importância do que eu estava fazendo e, também, a responsabilidade:
Quando vi você, tão jovem, bonita, mãe e tão corajosa, senti uma inveja BOA...rsrsrs... Queria muito deixar os meus medos de lado e voltar a ter uma vida com a minha família, como era até julho de 2005, cheia de planos. A idade está chegando e os sonhos estão ficando para trás. Por mais que marido me apoie, sempre carinhoso e otimista, sinto que ele está no limite. Quando encontro pessoas como você reacende em mim a esperança de que tudo pode voltar ao normal.

HEPATITE C
Chega de mansinho
Ninguém sente, ninguém vê
É um bichinho que contamina o sangue
É o vírus da HEPATITE C

Médico, músico ou pedagoga
Ele não escolhe profissões
Por isso, contaminados
Já são 04 milhões

Com drogas, tatuagem ou manicure
O cuidado tem que ser redobrado
Porque se vacilar
Pode ser mais um contaminado

Minha vizinha, minha esposa
Até a minha mãe pode ter
Mas só com o exame certo
Dá pra gente saber

Marias, Josés ou Anas
Vamos todos quebrar preconceitos
Lutar pela nossa saúde
Lutar pelos nossos direitos

A hepatite c pode dar até um poema, mas pro nosso fígado só dá problema!!

Aqui no Apenas Mulheres de Verdade também já recebi muitos comentários legais. Destaco o primeiro comentário do blog, da Natanna, cuja história virou post por aqui depois: A história de Natanna.

Agradeço os comentários de vocês, leitoras e leitores, que ajudam a dar vida ao blog e a me inspirar a continuar. Sem vocês, nenhum dos meus blogs fariam qualquer sentido. Continuem comentando sempre! A casa agradece.

Paixões de adolescência

Aceitando o convite da Luma, do blog Luz de Luma, cá estou eu participando da Blogagem Coletiva - Fases da Vida. Como nosso tema de hoje é a adolescência, falarei sobre algo que combina muito bem com ela: paixões.


Passei a adolescência apaixonada. Não apenas por pessoas, mas por projetos.
Quase 20 anos depois, percebo que ainda coloco a paixão em tudo o que faço - de certo modo esta é uma das minhas características pessoais. A diferença é que hoje, com mais maturidade, lido melhor com ela, especialmente com algumas angústias que vêm de cortesia no pacote.

Viver com Paixão

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e viver com ousadia.
Pois o triunfo pertence a quem se atreve,
e a vida é muito bela para ser insignificante.

Charles Chaplin

Garopaba/SC, aos 15 aninhos

Você, leitor e leitora, já se deixou mover pela paixão? Já colocou-a em seus projetos? Conte pra gente nos comentários!


Foram duas as minhas grandes paixões da adolescência: New Kids on the Block e Centro de Tradições Gaúchas (CTG) - coisas aparentemente conflitantes, mas quer algo mais próprio da adolescência do que a contradição?

[Como podem reparar, os elementos masculinos, que foram três, ficaram de fora deste post]

Dediquei-me a ambas com a mesma paixão e intensidade, mas em momentos distintos. Você pode entrar um pouco nessas minhas vivências adolescentes apaixonadas lendo o post  New Kids on the Block, New York City e a viagem dos sonhos e assistindo abaixo o vídeo do Grupo Estampa Nativa, gravado em 1993. Será que vocês conseguem me reconhecer? (dica: depois de 2 minutos a luz acende e dá pra ver melhor)






"Evite levar uma vida morna. Água morna não serve nem pra fazer chá." Marcio Kühne 

Blogando e conhecendo pessoas

Apesar de já ter cumprido minha meta da semana do Desafio das listas, não resisti diante da provocação de hoje: escrever sobre a melhor coisa que já aconteceu no meu blog.

  • Ainda não sabe o que é o Desafio das listas? Então leia aqui.

Como o Apenas Mulheres de Verdade nem completou dois meses, falarei sobre o meu blog primogênito. Vamos à lista de algumas das melhores coisas que já aconteceram no Animando-C:

1. Pessoas

Elas encabeçam a lista das melhores coisas que aconteceram no blog. Falo de pessoas especiais que hoje fazem parte de minha vida e que tiveram o Animando-C como porta de entrada.


Não posso deixar de pensar que a hepatite C, estando por trás do blog, propiciou tais encontros (e reencontros). Por isso é que não consigo me referir a ela como uma doença maldita. Ela não só tem me ajudado a me tornar uma pessoa melhor, como me trouxe muitos presentes. [Ok, agradeço, mas agora será que dá pra eu ficar curada, please?]

E pelas leitoras e leitores que têm chegado ao Apenas Mulheres de Verdade, vejo que ele seguirá pelo mesmo caminho de encontro de pessoas especiais, o que me deixa muito feliz!


2. Prêmio do Concurso Um Minutinho

Em junho de 2010, o filme Hepatite C, Sem Medo, que produzi para o blog, foi premiado com o terceiro lugar no Concurso Um Minutinho, promovido pelo Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde. Leia aqui.


3. Ministério da Saúde

Recentemente, pelo trabalho desenvolvido no Animando-C, fui convidada pelo Ministério da Saúde a participar do Grupo de Trabalho da campanha do Dia Mundial da Hepatite 2011. Isso não só é um reconhecimento muito legal, como também uma excelente oportunidade de contribuir.

No dia 16 de maio eu volto com mais um desafio... escrever sobre comentários memoráveis. Aguardem!

Livro infantil: Segredo de família

Livros infantis são itens obrigatórios para crianças - ou pelo menos deveriam ser. Eles estimulam a imaginação e a criatividade e ajudam a desenvolver o gosto pela leitura. Ler com elas é uma atividade afetiva que pode ser muito prazerosa para ambas as partes. Além disso, livros são ótimas opções de presentes para crianças de todas as idades.



Uma das coisas que compõem a rotina da hora de dormir aqui em casa é a leitura. Sempre que possível, compro livros novos para presentear a filhota - mas não com muita frequência, para que eles continuem surpreendendo e sendo recebidos com a alegria da novidade.

Como "mãe intelectualóide" e pedagoga, tenho muito cuidado na escolha dos livros que ofereço à minha filha, sempre atenta a histórias que estimulem a imaginação, sejam divertidas e, de preferência, tragam mensagens legais.

Nesta nova seção Livros que merecem ser lidos, compartilharei com vocês alguns livros aprovados pela dupla Ana Flor e Florzinha.

E, para começar, uma descoberta recente que já se tornou um de meus preferidos:

Segredo de Família
Isol
Editora Los Primerísimos

O livro conta a história de uma menina que de repente descobre que a mãe é um porco-espinho. Como ela chega a essa conclusão? Observando o cabelo da mãe quando ela acorda. Garanto que você dará boas risadas com a história e as ilustrações. Nas entrelinhas: aceitação e valorização do que somos.



Eu sempre amei ler. Quando criança, era sócia da biblioteca da AABB e todo domingo lia alguns livros lá mesmo no clube e levava um emprestado para casa. Eu também tomava banho de piscina e brincava com as outras crianças, mas, além disso, lia.

Lembrando agora da felicidade que tinha, quando pré-adolescente, ao escolher um livro novo no supermercado ou na Feira do Livro de Porto Alegre.

Lembrando também da mania de ler várias vezes a penúltima página do livro, querendo e não quererendo chegar ao fim, para não romper o vínculo com os personagens.

E pensando... por que a leitura não está mais entre minhas prioridades?
Bom, pelo menos a leitura de livros infantis com a filhota está.


Leia também:

Desafio das listas - Blogueiras que me inspiraram

O Desafio das Listas é uma brincadeira entre blogueiros proposta pela @Nospheratt - autora do Blosque e do Nospheratt.com. Apesar de segui-la no Twitter, não a conheço muito bem - o que, no entanto, não me impediu de perceber que temos muito em comum. Vejam como ela se descreve no blog: "Sou chata, perfeccionista, maniática, muito emocional e não tenho paciência com frescura". Opa, tá falando de mim?




A ideia é a seguinte: a cada dia, durante cinco semanas, os participantes do desafio escreverão uma lista sobre um tema proposto por ela - relacionado a blogs, claro. Sendo bem realista, meu desafio será escrever pelo menos sobre um dos temas da semana.

O tema de hoje é "blogueiros que influenciaram ou inspiraram você". Não é porque este blog chama-se Apenas Mulheres de Verdade que a minha lista é composta apenas por mulheres, isso foi coincidência. Mas conheçam essas duas mulheres de verdade que foram decisivas no início do Animando-C e, consequentemente, em tudo o que veio depois dele:


1. Gi Bordinhon - Diário da Mesa

A Gi é uma amiga muito querida. Foi ela quem me apresentou ao mundo dos blogs, possivelmente sem imaginar que eu me tornaria aficionada por isso. Lembro-me dela contando sobre o Twitter e eu perguntando "Qual a utilidade dessa coisa?". Quem te viu, quem te vê (rs). Depois do nascimento do lindo João Ricardo, ela anda escrevendo mais esporadicamente no blog, mas ainda assim o Diário da Mesa e suas dicas gastronômicas valem a visita.



2. Juliana Sardinha - Dicas Blogger

A Juliana foi a primeira pessoa que conheci na blogosfera. Devorei o Dicas Blogger tentando fazer do meu bloguinho um pouco mais profissional. Devo corrigir o tempo verbal: devoro o Dicas Blogger até hoje. Além da paciência e boa vontade da Ju em ajudar-me sempre, ela também me influenciou muito de várias formas -  falei um pouco sobre isso no post Dicas para quem gosta de blogar. Por exemplo, quando olho para meus melhores amigos virtuais hoje, percebo que muitos são pessoas que conheci por meio dela.

A união homoafetiva na época do preconceito em massa

Em tempos de discussão sobre o material do MEC contra homofobia, alcunhado preconceituosamente de kit gay, e do julgamento no Supremo Tribunal Federal do reconhecimento da união homoafetiva (sessão do STF interrompida ontem que será retomada hoje), você já parou para refletir sobre o que realmente acha sobre lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros?

Mais do que isso, já pensou que apesar de ter o direito de ter uma opinião pessoal sobre o assunto, ela efetivamente não interessa? Quero dizer: se você acha certo ou não, normal ou não, o problema é seu. Agora o problema passa a ser nosso no que tange ao princípio de igualdade absoluta expressa em nossa Constituição Federal. Igualdade que, mais do que legal, é moral.

Esses dias uma pessoa muito querida me perguntou pelo Gtalk: "Amiga, você é preconceituosa? Continuaria minha amiga se soubesse que namoro uma mulher?" Ao que respondi: "Óbvio, né"  e a conversa precisou ser interrompida.

No dia seguinte, perguntei a ela se tratava-se de uma situação real ou hipotética. "Real", ela respondeu. E completou: "Mas não queria perder sua amizade". Respondi na hora: "Boboca".

A conversa tocou-me muito. Não pelo fato de ela namorar outra mulher, porque isso não faz diferença alguma pra mim. Lembro-me do Renato Russo falando numa entrevista que "amava pessoas", independente de sexo. Sendo bem sincera, a única pessoa que eu não gostaria que me revelasse ser gay seria o meu marido, por motivos óbvios - mas, como hoje não tenho marido, não corro esse risco.


The Death of Hyacinthus - Merry-Joseph_Blondel, (Domínio Público)‎

Não vejo motivo para impedir que um amor (ou atração física) se concretize porque aconteceu entre duas pessoas do mesmo sexo. Tem gente que diz que isso não é natural, que é contrário a Deus ou até que é um transtorno mental. Desculpem, mas não concordo com nada disso. Respeito as opiniões baseadas em crenças religiosas, desde que elas também respeitem as pessoas - como Jesus ensinou com seu exemplo.

Aqui eu enfatizaria que nunca tive nem pretendo ter experiências homossexuais, mas, de certo modo, seria preconceituoso querer deixar isso claro, né?

Voltando ao que me deixou tocada com a situação: o receio dela de perder pessoas por causa disso.

Que raios de sociedade preconceituosa é essa que faz com que seus membros tenham sentimentos como esses? Ok, deputado Bolsonaro explica: quando perguntado no Programa CQC (veja vídeo aqui) o que faria se tivesse um filho gay, respondeu: "Isso nem passa pela minha cabeça, porque eles tiveram boa educação. Eu fui um pai presente, então não corro esse risco". Ou seja, homossexuais são pessoas mal educadas, por pais ausentes. Ai, meu sais... Leia também: Bolsonaro provoca Jean Wyllys com declarações homofóbicas.

Essa amiga é uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Não apenas tem o QI acima da média, como também possui uma enorme sensibilidade e talento. E é linda! Ah, só para constar, também foi muito bem educada.


CC Flickr - philippe leroyer

O que eu diria a ela?
Que se alguém deixar de se relacionar com ela por sua opção sexual, que agradeça. Sinceramente, agradeça. Porque imagino que não seja desse tipo de pessoa que ela queira a amizade, mas sim de pessoas que aceitem os amigos como são. E aceitem de verdade.


Julgamentos, preconceitos? Precisamos repensar sobre eles, porque duvido que qualquer ser humano que esteja lendo este post nunca tenha sido injustamente julgado ou alvo de preconceitos por algo, mesmo que se considere tendo uma conduta irrepreensível - e, talvez, até por isso mesmo.

Duas coisas para termos sempre em mente:

  • Meu ponto de vista é apenas a vista de um ponto, e não existe verdade absoluta. Os meus julgamentos são meus: vistos sob os referenciais de outras pessoas, eles podem estar equivocados.
  • Atire a primeira pedra quem nunca pecou. Então, mesmo que você considere a homoafetividade um pecado, que não aceite discutir as premissas que lhe levam a acreditar nisso, é preciso respeitar quem questiona e aceitar as diferenças. Como eu disse antes, não importa o que é certo ou errado, mesmo porque isso é muito relativo. O que importa é o respeito. 

Atualização: 
Por unanimidade, o Supremo reconheceu hoje a união estável de homossexuais. Para continuarmos a discussão sobre o assunto, leia a notícia que saiu há pouco no UOL e, em seguida, os vários comentários preconceituosos sobre ela. 

Teatro infantil gratuito em Brasília

Vale a pena divulgar: a excelente companhia Néia e Nando apresenta-se todo sábado e domingo no Brasília Shopping, em dois horários: 15h e 17h. Cada criança tem direito a duas cortesias por final-de-semana - a sua e a de um acompanhante. Fica em cartaz um espetáculo diferente a cada mês.

Para quem não conhece, além da qualidade das montagens, que divertem crianças e também os marmanjos, ao final da peça os atores esperam os pequenos do lado de fora para conversar, dar autógrafos (em nome dos personagens) e tirar fotos. Nem precisa dizer que é uma festa, né?



Já que estamos divulgando opções gratuitas de lazer para as crianças em Brasília, o grupo Matrakaberta comanda oficinas de confecção de brinquedos aos domingos no Boulevard Shopping, no final da da Asa Norte, às 16h. Entrada franca.

Iniciativas muito legais: fica a dica para outros shoppings.
Claro que eles ganham também, pois no final os pais acabam consumindo mais do que o estacionamento e o lanche. Cuidado nessa hora: consumo consciente sempre!

Você conhece outras opções culturais gratuitas para crianças na sua cidade? Deixe a dica pra gente aqui embaixo nos comentários. As mamães e papais leitores do blog agradecem.

Crescer em meio à cultura: um ótimo presente que você pode dar a seu filho!

Mensagem para mães de verdade

A proximidade do Dia das Mães me inspira. Desta vez, não escreverei para minha mãe, pois ela recebeu o post Coração em seu aniversário na semana passada. Corrigindo: não escreverei apenas para a minha mãe; escreverei para todas elas. Corrigindo novamente: escreverei sobre nós e nossos filhos.

Eu e minha filha Amanda, em agosto de 2008

Não perderei tempo tentando traduzir ou ajustar o amor materno em palavras. Não dá mesmo. Uma canção, talvez, consiga aproximar-se mais.

Imagino que eu não seja a única a debulhar-me em lágrimas ao ouvir Slipping Through My Fingers no musical Mamma Mia.

Pra quem ainda não assistiu, a cena mostra a mãe (Donna) ajudando sua filha Sophie a arrumar-se para seu casamento. A letra, cuja tradução você lê abaixo, traz tantos sentimentos em suas linhas e entrelinhas, que falaria por si só. Mas, humildemente, ela deixa que a linda melodia fale junto com ela.






Escorregando Pelos Meus Dedos

Donna:
Com a mochila na mão
ela sai de casa de manhã cedo
dando adeus com um sorriso distraído
Eu a vejo ir
com uma onda de tristeza bem conhecida
e eu tenho de me sentar um pouco
A sensação de que estou a perdendo pra sempre
e sem realmente entrar em seu mundo
Fico feliz quando posso compartilhar da sua risada
que divertida menininha

Escorregando através dos meus dedos o tempo todo
Tento capturar cada minuto
o sentimento nele contido
escorregando através dos meus dedos o tempo todo
Será que eu realmente vejo o que está em seu pensamento?
Cada vez que acho que estou perto de saber
ela continua a crescer
Escorregando através dos meus dedos o tempo todo

Sono em nossos olhos
ela e eu na mesa do café
meio acordadas
Eu deixo o tempo precioso passar
Então, quando ela foi embora
Há o estranho sentimento melancólico
e um sentimento de culpa
não posso negar
O que aconteceu com as maravilhosas aventuras
Os lugares que eu tinha planejado para irmos
Bem que algumas delas nós fizemos
Mas a maioria não
E o porque eu não sei

Escorregando através dos meus dedos o tempo todo
Tento capturar cada minuto
o sentimento nele contido
escorregando através dos meus dedos o tempo todo
Será que eu realmente vejo o que está em seu pensamento?
Cada vez que acho que estou perto de saber
ela continua a crescer
Escorregando através dos meus dedos o tempo todo


Donna & Sophie:
Às vezes eu queria poder congelar a imagem
E salvá-la dos truques engraçados do tempo
Escorregando através dos meus dedos

Donna:
Com a mochila na mão
ela sai de casa de manhã cedo
dando adeus com um sorriso distraído


Slipping Through My Fingers
Mamma Mia
Composição : Benny Andersson and Bjorn Ulvaeus




O tempo correndo, a rotina nos engolindo, minha filha crescendo. E é nas pequenas coisas, como na mesa do café-da-manhã, que tenho essa vontade de congelar a cena. Certamente cheguei atrasada ao trabalho algumas vezes por causa disso. Como também ocorre quando já estou entrando no carro e ela grita lá de cima da varanda: "Mamãe, você é linda, eu te amo, não se esquece disso". O tempo para nessa hora. Bom, ao menos o nosso tempo para.

Aquela sensação cantada por Donna de estar perdendo-a é uma sensação tão minha! O medo, a culpa. Se por um lado fica a sensação de que não consigo aproveitar tudo o que gostaria, por outro, penso nos planos e, ao contrário da canção, vejo como fui competente em concretizá-los desde a gravidez: cada detalhe.

A vontade de congelar imagens/momentos/sentimentos talvez explique o meu investimento nos registros: o diário e book da gravidez, os dois livros do bebê repletos de lembranças escritas e coladas, o blog Amada Amanda que registra desde os primeiros dias de vida até hoje (privado para a família), os seis álbuns de fotos em apenas três anos de vida, fora os tantos Gb em fotos e imagens no computador. Eu me dizia exagerada, mas me corrigiram: sou intensa.

Mães intensas escrevem posts como este com lágrimas nos olhos. E, ao mesmo tempo que querem que os filhos cresçam fortes e saudáveis, também querem que eles não cresçam nunca, como nos cantam tão docemente Vinícius e Toquinho.





Valsa para uma menininha
Vinicius de Moraes / Toquinho

Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão

Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão

Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei


Cresça, minha menina, cresça. E que Deus permita que eu possa continuar acompanhando-a enquanto cresce, minha criança cristal.