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Luto pelo fim de uma relação amorosa

Só quem já passou pela dor de perder um amor, entende o significado do luto sobre o qual escrevi no post Descendo pra se divertir no play e aprendendo a levantar depois de cair. Já falamos sobre como, de certa forma, a dor acompanha o amor. Falamos também sobre estratégias para controlar pensamentos destrutivos durante a fase difícil que sucede uma separação.

Hoje trago novamente Jean-Yves Leloup para refletirmos sobre a importância de "curtirmos" a dor pelo fim de um relacionamento amoroso, o que é fundamental para a nossa felicidade e saúde física e emocional.
Para conseguirmos ir além, é preciso passar por isso.




Em marcha, os enlutados! Sim, eles serão reconfortados!
(...) as pessoas não são felizes porque não sabem lidar com o luto. São muitas as formas de luto. O luto pela morte de alguém próximo, o luto pelo término de uma relação, o luto pela perda de um emprego, o luto pela perda de uma certa imagem de si mesmo, o luto pela perda de uma crença.
O que é ficar de luto? É aceitar que o passado se torne passado. Esta aceitação é realmente uma condição de felicidade. Porque, na maior parte do tempo, o passado se projeta sobre o presente e impede que ele seja vivido plenamente. Por isso, saber ficar de luto é uma verdadeira bem-aventurança. Aceitar que o que foi não seja mais. Aceitar que realmente o passado seja passado. Isso não quer dizer esquecer o passado. Quer dizer apenas parar de projetá-lo, sem cessar, sobre o presente.

CC MudflapDC -  Flickr

(...)
Ficar de luto implica em ação, a não ficar passivo diante dos fatos. (...) É necessário portanto expressar os sentimentos. A beatitude do luto é também a beatitude das lágrimas. É bom rir, é bom chorar, é bom viver plenamente as emoções.
(...)
Portanto, é preciso viver o luto e fazer sua travessia. Muitas vezes as pessoas ficam aprisionadas em suas memórias, em suas lamentações e é preciso ir além. Mas para ir além delas é preciso passar por elas. Porque quando não vivenciam o luto, o corpo pode vivenciá-lo. Sabe-se que na origem de um certo número de cânceres há lutos que não foram vividos, há mortes que não foram aceitas, há um passado que não passou e que volta ao corpo, consumindo-o e destruindo-o.
Vivenciar o luto é uma condição não apenas de felicidade, mas também de saúde. 
LELOUP, Jean-Yves. Livro dos Bem-Aventuranças e do Pai-Nosso. Uma antropologia do desejo. Editora Vozes, 2004 (trechos retirados das páginas 67 e 68).

Os trechos acima foram originalmente selecionados para o post Luto do blog Animando-C, no qual eu compartilhava com os leitores o momento que vivia após o fracasso de meu tratamento contra a hepatite C, quando descobri que não conseguiria ficar curada.

Comentários

  1. Ana Flor, isso que você escreveu é extremamente importante. Quantas vezes não precisamos curtir um tempo sozinhos pra colocarmos a cabeça no lugar. Perder alguém ou algo machuca. Muitas vezes, apenas a sombra da perda já nos faz sofrer. Aprendi nos últimos tempos que é preciso ter paciência com esses sentimentos. Eles vêm, eles se vão... Algumas vezes é necessário ajuda (até profissional), mas fazem parte da nossa formação e, consequentemente, do aprendizado de cada um. Certamente muitos chamariam de frescura, mas são esses mesmos que adoecem por reprimir as emoções. Aproveito sempre o que escreve aqui e não foi diferente dessa vez. Obrigado.

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  2. Deusas no Divã/ Juliana22 de abril de 2011 00:57

    Ana, acredito que toda decepção e sofrimento deva ser transformado no mínimo em experiencia de vida. Um guerreiro experiente deve ter adquirido muita habilidade no combate, mas nem por isso não carrega cicatrizes...A tal da Resiliência. De fazer uma limonada com os limões que a vida nos dá. Importante é perceber que a postura de vitima da vida não permite que você assuma o controle da própria vida. Ao reconhecermos nossa participação nos insucessos, reconheceremos também nosso mérito nos êxitos da vida. Amei o seu blog...!!!!!!!

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