Relacionamentos: não sabe brincar, não desce pro play!

Neste primeiro post da seção Relacionamentos, conversaremos sobre os sentimentos envolvidos no rompimento de uma relação que não gostaríamos que terminasse. Pode ser que não seja exatamente o que você queria ouvir agora, mas será que não é o que precisava ouvir?


A vida é dura.

Pudera, vivemos cercados de pessoas que têm o bem e o mal dentro delas. Invariavelmente, seremos deparados com esses dois lados em nossas relações. Se não quiser sofrer por isso, mude-se para uma caverna e não saia de lá. Mas lembre-se que assim você irá privar-se também de tudo de bom que as pessoas poderiam lhe oferecer.

A verdade é que você muitas vezes vai ganhar, mas também vai perder.
Vai fazer uso de coisas que lhe darão prazer e essas mesmas coisas lhe serão motivo de lágrimas depois.


Se não quiser chorar, não ame. Quer amar e não quer chorar? Trancafie-se num convento e ame somente a Deus.

Se você tem um relacionamento, é possível que chegue um dia no qual tudo aquilo que lhe é caro comece a ruir e desmoronar - em todo tipo de relação com pessoas, não só nas amorosas. Acredite, a possibilidade disso acontecer é grande se você estiver fora do convento.

E não apenas porque o outro era um cretino sem escrúpulos. Alô?!? Vamos descer do pedestal? Nem sempre a culpa é do outro (ou do outro). O cara pode não querer mais manter a relação por diversos motivos, por exemplo:


  1. Não sente mais o mesmo. O que não quer dizer que nunca sentiu, ok? Os sentimentos mudam. Você sofrerá mais se preferir acreditar que tudo o que viveu antes foi uma mentira. Possivelmente, não foi. Apenas mudou. Clássico nesse caso é se sentir usada. Querida, se fosse assim, você também o teria usado para muitas coisas, não é mesmo?
  2. Encontrou outra melhor. Sim, amiga, esta parte dói. Mas precisamos aceitar que existem outras mulheres melhores do que nós, pelo menos na opinião dele e naquele determinado momento. Não quer dizer que ela seja realmente melhor do que você em todos os aspectos, mas isso também nem importa. São percepções e, como tal, puramente subjetivas. Pra que ficar se comparando?
  3. Mudou de foco. Aquilo que era importante, às vezes já não é mais. Se ele queria uma mulher pra casar, pode querer agora muitas pra galinhar; ou o contrário, sei lá.
  4. A relação não satisfaz. Pode ser que ele te ame, te ache a melhor mulher que já encontrou, mas... a relação não é boa ou simplesmente não satisfaz as expectativas. Minha mãe sempre me ensinou que amar não é suficiente: são necessárias muitas outras coisas para que a balança da relação penda mais para o lado do "ficar junto".


Esses são apenas alguns exemplos que mostram que o fim de uma relação pode se dar por motivos justos, mesmo que você não concorde com eles. Não necessariamente ele precisa trair você ou algo assim. Mas, acredite, a possibilidade de você ser traída um dia também é grande. Não quer que isso aconteça? Lembre-se do convento.


Humilhação


Falemos agora do seu sentimento. É muito comum nesses casos (e falo por experiência própria), sentir-se humilhada porque ele não quer mais ficar com a gente, porque não quer nem mesmo ser nosso amigo. Nada mais humilhante do que ficar falando com as paredes, não? Querida, preste atenção: é você que está se humilhando fazendo isso e não ele que está humilhando você. Ele já explicou os motivos de não querer falar com você e mesmo assim você insiste?

Bem, no meu caso, nem explicação de motivos houve, mas ele deixou bem claro que não falaria mais comigo da pior maneira possível. O que eu fiz? Dei piti? Me expus? Me humilhei? Não. Engoli meus impetos e deixei pra chorar baldes em casa. Assim, em público, não houve humilhação, porque eu fiz com que não houvesse.

Respeitei o desejo dele de não falar mais comigo, embora sem entender o motivo. Podíamos continuar amigos, não? Parece que a namorada nova dele achava que não. E ele também.


Obviedades

Coisas óbvias que precisamos lembrar constantemente a nós mesmas:

1. Não podemos obrigar ninguém a gostar - ou a continuar gostando - da gente.
2. Podemos mudar algumas coisas em nosso comportamento para fortalecer uma relação, mas não podemos - e não devemos! - mudar quem nós somos. Leia mais em Cuidado com o que você deseja: as mulheres e Edward Cullen, post do meu blog Animando-C.
3. Por pior que seja a dor que estejamos sentindo, por mais que pareça que ela nunca vai passar... ela passa.
4. Existem outros homens no mundo, melhores que ele em muitos aspectos e que poderão lhe oferecer aquilo que você deseja e merece. Hoje você só tem olhos pra ele, eu sei. Mas deveria olhar melhor a sua volta.


Djavan nos canta em Oceano que amar é quase uma dor. E muitas vezes é.
Quando começamos uma nova relação, investimos para que ela dê certo. Algumas vezes isso acontecerá; outras não.
Para este último caso, não existe prevenção contra o sofrimento. Mas se esquecermos o que nos ensinam desde cedo nos contos de fadas - "amor pra vida toda" e correlatos - poderemos aproveitar mais o amor enquanto dura e entender que, mesmo que ele acabe um dia, é válido vivê-lo.
Se não for assim, é melhor nem descer pra brincar, porque o risco de autodestruir-se é grande.


Cansada de sofrer pelo fim de um amor?

Quer dar um basta nisso? Então leia na próxima semana: Descendo pro play e aprendendo a levantar depois de cair. Até lá!

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9 comentários

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15 de março de 2011 02:40 delete

Adorei o post.
Mas é a verdade mesmo, não podemos obrigar ninguém a gostar de nós.
No começo, a dor é horrível, mas com o tempo vai se esquecendo e outras pessoas interessantes vão entrando em nossa vida e tomando conta.

Deus tem tudo escrito... e o amor da nossa vida existe, só basta ter a dura tarefa de encontra-lo.

Eu achei o meu.

Beijão e parabéns mesmo pelo blog.

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Camila
15 de março de 2011 09:09 delete

Muito bom o post.
Viver é uma entrega, nunca sabemos oque nos reserva em todos os aspectos da viva. Não se entregar, não se pertimir amar não é viver! Caiu do cavalo? Levante, e aprenda a galopar.
Parabéns, seu blog é ótimo.

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15 de março de 2011 09:37 delete

Olá Ana,

Estou falando do outro lado (o masculino) e ao longo do tempo vi amigos e amigas desmanchando namoros, casamentos e relacionamentos estáveis. Como tudo mesmo disse, com propriedade, o relacionamento se deteriora por culpabilidade mutuas, talvez em alguns casos, em graus diferenciados.. Mas esta é a vida.. nem sempre tudo é cor de rosa ou azul bebê...

Abraço

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16 de março de 2011 01:30 delete

Oi, Ana!

"Como dizia o poeta"

"Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não."

Junto com a relação sempre vem a possibilidade do fim. Sofrer é legítimo! O que não pode é ficar parado no tempo, sonhando com um possível retorno ou ficar apenas tentando entender o porquê do fim.
Confesso, que não gostaria de sair de uma relação sem saber o que motivou o rompimento. Porém, quando não há outra saída, o jeito é seguir em frente.

A cada dia que passa te admiro mais e a tua coragem também.

Sucesso com o blog novo. Estarei sempre por aqui.

Bjs

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17 de março de 2011 09:44 delete

Olá Ana!
Gostei do post, bem verdadeiro. Às vezes é incômodo ler certas verdades.
Falando do lado negro, quer dizer, masculino da força, concordo com o Geraldo, acima: "...o relacionamento se deteriora por culpabilidade mutuas, talvez em alguns casos, em graus diferenciados..." Infelizmente, essa é a verdade. Um relacionamento, principalmente amoroso, é a união de dois bons perdoadores.
Temos que ceder, entender, relevar muita coisa, colocar o orgulho de lado e se doar.
Parabéns pelo blog, Ana! o/

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17 de março de 2011 23:16 delete

Obrigada pela visita e pelos comentários. Sejam sempre bem-vindos e bem-vindas!
É muito legal, ao abrir um espaço novo, receber palavras de incentivo de leitores conhecidos e outros ainda a conhecer.

A Natanna entra para a história do blog Apenas Mulheres de Verdade como a autora do primeiro comentário! Obrigada.
Achei sua história incrível e deixei um recadinho pra você lá no orkut.

Camila, concordo com você quando diz que a vida é uma incógnita e que não a saberemos viver se não nos entregarmos. Claro que um pouco de cautela não faz mal a ninguém, mas o excesso dela pode nos impedir de experienciar coisas especiais. Tem gente que opta por levar uma vida morna... eu não!

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17 de março de 2011 23:36 delete

E eis que recebemos a visita de três blogueiros queridos... Muito bom poder contar com a opinião da ala masculina.

Geraldo, você está certo: esta é a vida e nem sempre as coisas são cor de rosa ou azul bebê. O que, convenhamos, é até bom, porque em alguns momentos as cores mais fortes e vibrantes combinam muito mais. =)

Max, obrigada por trazer um verso tão adequado à nossa conversa. O fato é justamente este: exercitar a capacidade de aceitarmos mesmo o que não compreendemos, mesmo o que não concordamos, mesmo o que não queremos aceitar. Se é fácil? De jeito algum. Por isso deve ser um exercício.

Felipe, lindo o que você disse sobre um relacionamento ser a união de dois bons perdoadores. Concordo que às vezes é um incômodo ler certas coisas, mas precisamos delas para refletir sobre nossas práticas. Apenas acho que não podemos dizer que são "verdades", porque isso soa absoluto demais quando falamos de coisas tão subjetivas. Prefiro encará-las como pontos de vista que fazem sentido para nós.

Valeu, meninos!

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Poli Silva
9 de novembro de 2011 14:17 delete

Oii Ana adorei seu blog e tudo que li é a mais pura realidade!!Derrepente tenho passado por alguns tipos de situações que vc colocou por aki é uma fase muito difícil!!Mas nadaa melhor do que acreditar no nosso "todo poderoso" e seguir em frente....o tempo cura tudo!!Bjokas.

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12 de janeiro de 2012 12:44 delete

Aninha... sabe onde está o erro? A mulher, mesmo depois de meio século de militância feminina, insiste em juntar sexo, amor e relacionamento em uma caixinha só. É preciso entender que sofrer por amor é inevitável, mas sofrer por homens perdidos pode ser minimizado.Os da caixinha relacionamento são os amigos, que mais raramente nos fazem sofrer. Os da caixinha sexo, são apenas para brincar no parquinho, vão e vem durante as tardes depois da aula. Ficam no play apenas enquanto algum compromisso não os chama. E os da caixinha amor, são aqueles que entram lá muito bem escolhidos e esses... bem... esses realmente poderão nos fazer sofrer.

Beijos!

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