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Descendo pra se divertir no play e aprendendo a levantar depois de cair

No post Relacionamentos: não sabe brincar, não desce pro play!, conversamos francamente sobre os sentimentos despertados com o fim de uma relação, especialmente quando, de nossa parte, o amor não terminou. No post de hoje, veremos algumas dicas para abreviar esse sofrimento. Afinal, como disse Chico Xavier:
"A dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional." Chico Xavier


A primeira coisa necessária a ser dita: não invalide seu sofrimento. Ele é natural e, como um luto, tem um papel importante nesse momento:
O que é ficar de luto? É aceitar que o passado se torne passado. Esta aceitação é realmente uma condição de felicidade. Porque, na maior parte do tempo, o passado se projeta sobre o presente e impede que ele seja vivido plenamente. Por isso, saber ficar de luto é uma verdadeira bem-aventurança. Aceitar que o que foi não seja mais. Aceitar que realmente o passado seja passado. Isso não quer dizer esquecer o passado. Quer dizer apenas parar de projetá-lo, sem cessar, sobre o presente.

LELOUP, Jean-Yves. Livro dos Bem-Aventuranças e do Pai-Nosso. Uma antropologia do desejo. Editora Vozes, 2004, p. 67.

O tempo que cada pessoa permanece enlutada é individual. Mas você, mulher de verdade, sabe avaliar se seu sofrimento está se arrastando mais do que deveria, não sabe?


Saindo da lama

Quando nos sentimos humilhadas, parece que a arrogância torna-se algo instintivo. Precisamos nos dar valor e, para isso, acabamos supervalorizando a nós mesmas e a nossa condição de "coitadinhas". Não fazemos isso racionalmente, é uma forma de defesa.

Mas para iniciarmos o processo de reerguimento, precisamos tomar consciência desse mecanismo e buscar um pouco de humildade. Sem ela, estaremos muito longe da única forma que temos de nos libertarmos definitivamente: o perdão - a si mesma e ao outro.

Ah... não me venha falar em perdão. Eu não consigo.

Sei que não consegue. Agora não. Mas dependendo do caminho que decidir percorrer, conseguirá. Eu mesma levei um ano para me curar e mais vários alguns para esquecer de vez.

Lembrando apenas que perdoar não é dizer que o outro agiu corretamente, mas aceitá-lo como um ser humano imperfeito, falho como todos os outros.

Um caminho a percorrer

Nada na vida é absoluto e, portanto, não podemos falar em caminhos certos ou errados. Mas podemos analisar nossas opções e escolher as que nos ajudarão a sair mais rápido do fundo do poço. Seguem algumas dicas para isso:

1. Foque em você.
  • Não na vítima que você se acha agora, não na "dor em pessoa" que você se transformou. Busque sua essência, o que você quer, o que lhe fazia bem antes de tudo isso acontecer, a pessoa que você era antes e a pessoa que você quer se tornar, certamente muito mais forte.
  • Mude o visual, faça muito exercício físico (não só pra ficar gostosa, mas, principalmente, pelas reações químicas que ele provocará em seu organismo), alimente-se direito, leia livros sobre temas que te instiguem (quem sabe até de autoajuda).
  • Durma bem: obrigue-se a levantar da cama quando só quiser dormir o dia inteiro; obrigue-se a dormir quando não tiver sono algum.
  • Invente alguma coisa nova: artesanato, aula de dança, auto-maquiagem etc. Se não tiver dinheiro pra aulas, procure na internet (tanto vídeo legal de maquiagem no Youtube). Se não tiver internet, compre revistas ou procure um grupo que se reúna para fazer o que é de seu interesse.
  • Escreva, faça um blog sobre algo que lhe motive. Mas atenção: contenha seus ímpetos de escrever sobre essa história. Não se exponha e não exponha o outro. Por favor! Ainda teremos a oportunidade de conversar sobre todas as implicações emocionais e legais envolvidas nesse tipo de exposição.

2. Procure ajuda.
Recomendo buscar ajuda psicoterápica e talvez até psiquiátrica (eu precisei de ambos). Se você não tem dinheiro, nem plano de saúde que cubra, informe-se na sua cidade sobre os centros de atendimento gratuito. Eles são oferecidos por alguns postos de saúde, grupos de voluntários, centros universitários.

Precisa conversar? Fuja de falsos amigos!
Sabia que existem voluntários treinados para lhe dar atenção e lhe orientar nas mais diversas situações difíceis? O atendimento é de graça e pode ser feito por telefone, voip ou chat. E é anônimo. Que que custa, hein? Quer conversar? Ligue ou tecle com o CVV.

3. Apóie-se em sua religião, se tiver uma.
Não importa qual seja sua crença. Apóie-se nela. Este foi um elemento central na minha recuperação.

Algumas mulheres nessas horas pedem por justiça divina, sem perceber que agem de forma eticamente muito mais questionável do que o "dito" agressor (digo "dito", porque geralmente não ficamos sabendo a versão dos homens, né?). Não é para dar ideias, mas é disso que estou falando: Mulheres jogam sujo para se vingarem do ex - post que também poderia se chamar: "O que você NUNCA deve fazer". 

É fácil ajudar quem se ajuda

Não basta pedir a Deus, a Jesus ou à Entidade Suprema na qual você acredita que lhe ajude.
É preciso ajudar-se também.

Aja de acordo com os princípios éticos, por mais difícil que seja controlar os pensamentos destrutivos.
Sei que é. Mas existe uma fórmula para isso. Leva tempo, mas dá certo: gerenciar pensamentos, sentimentos e ações.

Na próxima semana, falaremos sobre esse tema. Aguardo você para o colóquio: Controlando pensamentos destrutivos: como gerenciar sentimentos, pensamentos e ações

Comentários

  1. Oi Ana, passei por isso tudo há 3 anos. Foi muito difícil mesmo. Meu mundo desabou, foi como se o chão tivesse se aberto aos meus pés. Superar foi mais difícil ainda pq eu o amava loucamente, tinha um filho recém nascido nos braços e ele apesar de já estar com a outra, vivia às voltas me procuranndo, me dizendo que ia voltar, que só precisava largar a outra. Que idiota eu fui... ele queria as duas. Sangrando mandei ele embora e começaram os problemas de verdade, e as brigas que nunca existiram antes. Fiz terapia, tomei medicamentos. Há um ano cansei de chorar. Dei um basta. Mudei de cidade, de emprego, assumi as rédeas da minha vida estou bem mais feliz. Continuo na terapia. Pelo meu filho tentei reestabelecer um contato amigável com ele, mas tinha uma pedra no meio do caminho: a mulher dele, que tem um ciúme doentio de mim e não aceita nem que ele fale comigo sobre nosso filho. Fora as mensagens que manda se passando por ele, ou mesmo assinadas por ela me falando desaforos (tipo que estou dando em cima do marido dela). E ele parece que também ainda não sabe muito o que quer, pq andou com uma conversa, que queria se mudar pra minha cidade, que ele ia ter de volta o que tinha perdido, que ia se separar... Levantar não é fácil, mas depois que a gente levanta, ainda tem que fazer muita força pra se manter em pé. Eu estou lutando, fazendo o impossível pra continuar fazendo limonada...

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  2. Sou um cara lendo os textos do blog. Gostei. Com as adaptações certas, esses textos servem pra nós homens também. Não sentimos igual. Mas também sentimos bastante.

    Gostei do que você falou sobre sempre contarmos a nossa versão, privilegiando o nosso ponto de vista, justificando os nossos erros e aumentando os do outro.

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